Quarta-Feira, 24 de Maio de 2017
Hildemar Brasil

A demanda corporativa por viagens e a economia brasileira em crise

Por Hildemar Silva Brasil*

Sempre me pergunto sobre os efeitos da crise política e econômica, no mercado das viagens corporativas, agudizada a partir de 2014, e, com seu ápice em 2016. O cenário dos últimos três anos foi caracterizado pelo crescente déficit fiscal do governo federal e pelo recrudescimento dos gastos públicos com a máquina e com a previdência social.

O primeiro semestre foi marcado pela forte desaceleração da economia, como demonstram os números divulgados pela Fundação IBGE, quando o PIB trimestral encolheu 4,64% e 3,81% no primeiro e segundo trimestre comparados ao segundo trimestre de 2015. O indicador representado pela formação bruta de capital atingiu o auge de sua retração no primeiro trimestre de 2016, e continuou até o final dos seis primeiros meses do ano.

TABELA 1

Variação Trimestral (base de comparação=2015.II)
Setor de atividade2015.III2015.IV2016.I2016.II
Agropecuária-14,22-36,587,65-3,04
Indústria3,85-0,51-6,47-3,05
Serviços0,460,12-4,15-3,34
Comércio1,07-0,60-8,66-7,38
Valor adicionado a preços básicos0,36-2,29-4,04-3,25
Impostos líquidos sobre produtos-0,11-1,12-8,15-6,75
Formação bruta de capital fixo-0,81-7,34-12,13-8,77
PIB a preços de mercado0,24-2,14-4,64-3,81
Fonte: Fundação IBGE.  Contas Nacionais Trimestrais – 2015/2016.

A chegada do novo governo e uma retomada da política de austeridade fiscal com afrouxamento da politica monetária através da redução gradual da taxa básica de juros  marcou o terceiro trimestre do ano corrente, entretanto ainda pairam dúvidas entre os economistas sobre a retomada do crescimento este ano. Espera-se uma queda no produto interno bruto estimado em -3,31% e uma inflação de 6,88% ao final de 2016, segundo relatório Focus – Relatório de Mercado do Banco Central do Brasil.

Os efeitos da retração continuada da economia foram sentidos pelo mercado de viagens corporativas por via aérea, quando o número de transações recuou 4,40% e a perda de receitas  corporativas no período ampliou-se para 3,09%.

 TABELA 2                                                                                                                                   

Variação (%) Acumulada no Ano/ Ano Anterior
Mês/AnoÍndice VolumeÍndice ReceitaÍndice Emprego
Jan a mar/2016-3,48-2,57-5,06
jan a jun/2016-3,90-2,35-3,13
jan a set/2016-4,40-3,09-5,94

O principal agravante nos resultados acima apresentados diz respeito à redução de postos de trabalho, cuja situação piorou com a chegada do terceiro trimestre, atingindo o recorde de (–) 5,94% do total previamente ocupado no ano anterior. A inflação está em queda; os juros também, apesar disto, o ano que se encerra marca uma trajetória de retração nas viagens corporativas e algumas incertezas para o ano vindouro. Teremos saída? Sem uma reforma do Estado nos campos político e financeiro, caminhamos para uma desorganização e uma ruptura social. Fiquem alertas.

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Hildemar Silva Brasil* é economista, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo, coordenador e pesquisador dos  Indicadores Econômicos das Viagens Corporativas – IEVC (2006-2016).

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