Hildemar Brasil

A economia das viagens e turismo em 2016: o ano que nunca começou?

Por Hildemar Silva Brasil*

Findo o ano recheado de “hiatos” no campo da economia. O Governo Federal conseguiu quebrar suas finanças e os governos estaduais e municipais foram a reboque. As agências de risco continuam cautelosas em relação ao clima que impera no País. Os pacotes de austeridade avançam lentamente, enquanto os juros sinalizam queda modesta e sem grandes efeitos na recuperação dos investimentos produtivos e do consumo das famílias.

Como avaliar os impactos temerosos provocados por tanto desequilíbrio e desmando na coisa pública, atingindo o setor privado que sempre buscou cumprir sua parte na construção do crescimento econômico e humano? A principal consequência: o desemprego em larga escala e o desalento aos que mais precisam de trabalho e dignidade.

Neste contexto, o que dizer sobre o mercado das viagens e turismo durante o ano de 2016? Segundo o IBGE, até outubro, o volume de negócios deste segmento sofreu retração anual de 2,9% e perdeu 2,7% de sua efetividade junto à demanda nos últimos 12 meses.

Nos segmentos de alojamento e alimentação o desempenho negativo foi de 4,9% e 5,2% respectivamente, enquanto no transporte aéreo a redução atingiu a cifra de 7,32% de janeiro a outubro comparado ao ano anterior, segundo dados publicados pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Pelo lado da demanda, podemos afirmar que as famílias apresentaram uma redução no consumo das viagens estimada em 9,34% em decorrência do desemprego (potencial e efetivo) e da perda do poder de compra relativo aos anos anteriores. A crise fiscal explica a diminuição dos gastos do governo com passagens e diárias no período estudado, além do recuo nas receitas em decorrência da baixa atividade econômica manifestada pelas empresas nos indicadores mensais publicados pelo IBGE.

O setor corporativo apresentou um corte de R$ 2,43 milhões nas transações relativas às viagens de seus diretores e demais colaboradores, tendo em vista as incertezas do mercado e o baixo nível de investimento decorrente. Este comportamento resultou em uma taxa negativa na demanda de 4,73% e de 3,13% nas receitas dos prestadores de serviços de viagens corporativas.

Apenas a demanda estrangeira tem reagido positivamente, uma vez que a taxa de câmbio encontra-se em patamar favorável ao dólar americano tornando nosso destino 6,04% mais barato em relação ao ano passado.

As previsões para o fechamento do ano que não começou, do ponto de vista do crescimento econômico, sugerem um PIB negativo próximo a 3,5 %. Caso isso se comprove teremos índices econômicos de viagens e turismo entre 4,0% e 6,5% de retração, na média geral. Acorda Brasil!

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*Hildemar Silva Brasil é economista, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo, coordenador e pesquisador dos  Indicadores Econômicos das Viagens Corporativas – IEVC (2006-2016). Ele escreve mensalmente para o Brasilturis Jornal.

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