A que preço?

As políticas propostas pela Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) têm esquentado os debates não apenas no trade turístico, mas entre todos os consumidores de viagens. O trecho que mais gera confusão é o que fala sobre a cobrança de bagagem. É óbvio que as regras devem ser claras e a ideia não é dar respostas, mas mostrar os dois lados.

A proposta tem como essência atualizar as condições de transporte aéreo em vigor no Brasil, criando regras similares às que estão em prática no resto do mundo. Ou seja, a aprovação deveria ser considerada uma conquista. Mas por que o verbo exibe essa condicional? Porque, infelizmente, a aplicação das leis por aqui tende a incluir letras miúdas e cláusulas com margem a interpretações variadas que, com o passar do tempo, deixaram nosso povo ressabiado.

O grande problema, nesse caso específico, é abertura para que as empresas definam seus próprios critérios para a cobrança, sem nenhuma base ou regulação. Os defensores apostam que a competição acirrada fará os preços caírem, seguindo uma lógica de mercado. E que o próprio valor relacionado ao manuseio e despacho – que compõe o custo total do bilhete – quando destacado, poderá baratear o tíquete aos que viajam sem bagagem. Será? Torço para que seja verdade, mas o fato concreto é que não existe garantia nenhuma dessa contrapartida.

A adoção das novas regras pode equiparar nossa legislação obsoleta ao que é praticado no resto do mundo? Sim. Mas a que preço? Essa é a pergunta que precisa ser respondida. Nessa edição, trazemos um compilado do que algumas entidades divulgaram depois do pronunciamento da Anac. O resultado está na página 16.

Polêmicas à parte, temos uma grande novidade que chega para você junto com o primeiro Brasilturis de 2017. A partir desse número, vamos dedicar espaço para os principais segmentos de turismo explorados no Brasil. Decidimos estrear com Turismo Sustentável, tema escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para representar o ano que começa.

Conversei com estudiosos, representantes de associações e de órgãos públicos, gestores técnicos e executivos sobre o conceito que tem como base garantir lucratividade aos negócios, gerar benefícios às comunidades e preservar as atrações naturais. Confira o conteúdo, a partir da página 4.

Que 2017 nos traga boas surpresas e muita prosperidade!

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