Avaliação: Renault Duster Dynamique 4×4

Por: Marcelo Alexandre

De um ano para cá, o segmento de crossovers ficou realmente concorrido. Antes disputado apenas pelo Duster, Chevrolet Tracker e Ford EcoSport, mais recentemente recebeu concorrentes de peso como Jeep Renegade, Honda HR-V e Peugeot 2008. Com isso, a concorrência ficou realmente feroz nessa categoria. Ainda sim, o Duster 4×4 mantém algumas importantes vantagens sobre os concorrentes diretos. Nessa matéria, trazemos a avaliação do Duster na versão topo de linha, com a tração 4×4.

 

Cabe destacar que em Abril de 2015, o Duster recebeu uma atualização de estilo chegando ao modelo 2016. Na oportunidade, o modelo também incorporou mais tecnologia. Atualmente, o Duster 2016 é oferecido em cinco versões: Expression 1.6 16V com câmbio manual de cinco marchas, Dynamique 2.0 16V com câmbio manual de seis marchas, Dynamique 2.0 com câmbio automático de quatro marchas e Dynamique 2.0 16V 4×4 com câmbio manual de seis marchas. Nessa matéria, vamos explorar os detalhes da versão topo de linha Dynamique 2.0 16V, que traz a tração 4×4 e o câmbio manual de seis marchas.

 

Mas antes de entrar nos detalhes da versão 4×4, cabe um importante esclarecimento. É bem verdade que o Duster chegou como o mais “SUV” entre os crossovers que existem no mercado brasileiro. Por definição, SUVs são veículos muito parrudos, sempre com tração não quatro rodas e caixa de redução no câmbio e equipados com motores à diesel. Além disso, eles trazem uma enorme capacidade no fora-de-estrada.

 

No Brasil, a portaria nº 127 de 17 de dezembro de 2008, estabelece um procedimento adicional para definir um modelo como utilitário ou jipe, que pode receber um motor à diesel. O Artigo 1º. Define que um veículo de espécie misto/utilitário/ jipe, equipados com motor diesel, devem possuir:

 

a) caixa de mudança múltipla e redutor;
b) tração nas quatro rodas;
c) guincho ou local apropriado para recebê-lo;
d) altura livre do solo mínima sob os eixos dianteiro e traseiro de 18 cm;
e) altura livre do solo mínima entre os eixos de 20 cm;
f) ângulo de entrada mínimo de 25°;
g) ângulo de saída mínimo de 20°;
h) ângulo de rampa mínimo de 20º

 

Fato que o Duster não pode ter um motor a diesel pela falta de caixa de redução, no sistema de tração 4×4. Ainda sim, o Duster na versão 4×4 atende praticamente todas as exigências para ser caracterizado como um veículo de espécie misto/utilitário/jipe.

 

Dessa forma, a versão 4×4 do Duster está num limiar bastante interessante. Fato que o Duster não tem a mesma capacidade no fora de estrada como autênticos jipes, que oferecem motores à diesel, caixa de redução, diferencias traseiros com sistema de escorregamento limitado. Mas, é inegável e inquestionável o fato do Renault Duster 4×4 ser o modelo com maior capacidade no fora de estrada, entre a maioria dos concorrentes diretos de mesma faixa de preço.

 

Vale destacar que o Jeep Renegade tem versões com sistema de tração 4×4 e motor à diesel. Porém, as versões Sport e Longitude do Renegade diesel 4×4, além de muito mais caras que o Duster 4×4 (quase R$ 20 mil a mais), são mais baixas (em relação ao solo) e trazem ângulos de entrada e saída, menores que o do Duster 4×4. Apenas a versão Trailhawk do Jeep Renegade (com preço a partir de R$ 117 mil), que supera essas características do Duster. Assim, até R$ 80 mil, o Duster supera de longe seus concorrentes: Ford EcoSport, Chevrolet Tracker, Honda HR-V e Peugeot 2008.

 

Bem diferente do EcoSport que “forçou, quebrou”, o Duster aguenta bem o “tranco”, quando levado ao limite. O Duster tem a maior altura em relação ao solo (21 cm), ângulo de entrada de 30 graus e ângulo de saída de 35 graus. Fica clara a superioridade do Duster, na hora do desafio.

 

O Duster é certamente um veículo a prova de lombadas, valetas, guias e outros obstáculos urbanos. Outros detalhes são os pneus de uso misto e posição de dirigir elevada. Somando-se as características, o Duster ainda consegue atravessar regiões alagadas com até 40 cm de água, sem danos ao veículo. E todas essas características citadas acima, são comuns a todas as versões do Duster, inclusive a básica 1,6 litro. Já a versão Dynamique 2.0 16V 4×4, acrescenta ainda mais mobilidade ao Duster.

 

A Tração 4×4 do Duster

 

Essa tração funciona assim: o controle pode ser feito pelo motorista, que tem no painel um botão com as posições 2WD, Auto e Lock. No modo 4×2 (2WD) a distribuição da força acontece apenas nas duas rodas frontais.

 

Na posição “Auto”, a distribuição do torque é feita entre os eixos dianteiro e traseiro, conforme a aderência do piso pelo qual o Duster estiver trafegando. Apenas em baixa velocidade, e quando as rodas dianteiras patinam, o sistema transfere parte da força para o eixo traseiro (até 50%).

 

A função “Lock” permite ao veículo trafegar em condições de terreno mais adversas, como lama e areia. A função “Lock” é programada para ser desativada, de forma automática, quando o veículo ultrapassa 80 km/h.

 

Essa tração é um enorme diferencial no Duster, pois as versões Flex do Jeep Renegade, e todas as versões do Honda HR-V, Chevrolet Tracker e Peugeot 2008 não oferecem tração nas quatro rodas. Mesmo o Ford EcoSport que oferece a opção da tração integral, é muito inferior ao sistema presente no Duster. Aliás, na prática, essa versão não existe nos concessionários Ford.

 

Ao dirigir o carro no fora de estrada, o carro mostra-se mais valente do que aparenta. Não há necessidade de ser um expert para usar a tração do carro. Basta deixar no modo “Auto” e encarar as estradas difíceis após uma chuva. O veículo consegue atravessar pequenos e médios atoleiros, areia fofa de praia e vários outros tipos de terrenos acidentados.

 

Uma das providências que a Renault tomou para melhorar a performance da versão 4×4 do Duster, foi reduzir a relação da primeira marcha, visando garantir mais força em situações onde a tração é mais necessária.

 

Confira aqui alguns vídeos do Duster 4×4 em ação: www.youtube.com/watch?v=X94lYbzHUrs

 

Motor 2,0 litros

 

Outra melhoria que também ajuda nas situações do fora de estrada, são as evoluções no motor 2.0 16V. Ele ganhou 6 cv, e agora tem 148cv a 5.750 rpm (com etanol) e 143cv a 5.750 rpm (com gasolina). Também houve ganho de 1 kgfm de torque em baixa rotação, passando para 18,8 kgfm a 2.250 rpm, quando abastecido com etanol, e ganho de 0,5 kgfm de torque em baixa rotação, passando para 17,9 kgfm a 2.250 rpm quando abastecido com gasolina. O fato do motor entregar toda a sua força em apenas 2.250 rpm, ajuda bastante, pois o motorista não precisa acelerar tanto o veículo para atingir a plena força do sistema.

 

Outro detalhe interessante é que o Duster 4×4 esta classificado no programa de etiquetagem do INMETRO na categoria “Fora de Estrada”. E ele recebe nota “A” em relação a categoria. Com etanol, ele faz 6,1 km/l na cidade e 7,2 km/l na estrada. Com gasolina a média sobe para 8,9 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada. É importante observar que entre os veículos com tração 4×4, o Duster está entre os mais econômicos.

 

Interior

 

Um ponto muito questionado pelos usuários da própria Renault, foi melhorado na versão 2016 do Duster. O interior recebeu atenção e agora traz materiais de melhor qualidade; mais suaves ao toque nas portas e nos bancos e novo acabamento na região central do painel em Black Piano. Outra melhoria está na qualidade do isolamento acústico. O Duster um pouco mais silencioso ao rodar, tanto para o barulho do motor, como ruídos externos.

 

O Duster, mesmo depois da chegada de tantos concorrentes, continua a ser o modelo mais espaçoso da categoria. Ele tem o maior entre-eixos de todos, com generosos 2,67 metros. Também esta entre os mais altos com 1,69 metros. Isso garante ótimo espaço para quem viaja no banco traseiro. O porta-malas também é bom, com 400 litros. Atenção que o porta-malas do Duster 4×4 é um pouco menor do que nas versões que não possuem a tração.

 

Mais equipamentos

 

Outra mudança é vista no painel de instrumentos, com nova iluminação branca. Esse novo quadro de instrumentos tem três mostradores: o conta-giros e o velocímetro, analógicos, e um mostrador digital, com indicador do nível de combustível e computador de bordo multifuncional. Ele permite ao motorista verificar o consumo médio e instantâneo de combustível, a autonomia, volume de combustível consumido, a velocidade média e a quilometragem total e parcial na viagem. O indicador de trocas de marchas, Gear Shift Indicator (GSI), auxilia o motorista a dirigir de forma econômica e eficiente, que sugere ao motorista quando deve reduzir ou aumentar a marcha.

 

Media NAV Evolution

 

Outra melhoria expressiva é vista no sistema multimídia Media NAV. Agora batizado de Media NAV Evolution, ele traz informações sobre o trânsito em tempo real, no sistema de GPS. Também permite acessar mídias sociais por meio de um aplicativo via smartphone, além de novas funções como: Temperatura externa, o Eco-Coaching e o Eco-Scoring.

 

Além do GPS, conectividade bluetooth, tela sensível ao toque de sete polegadas, inclui as funções Eco-Coaching, que avalia a condução do motorista ao final de um percurso, levando em conta o momento certo para a troca de marchas, a regularidade da velocidade, o consumo e a quilometragem percorrida; e o Eco-Scoring, que orienta o condutor para dirigir de modo mais econômico.

 

O Media NAV Evolution traz mais versatilidade, pois permite o acesso as informações de trânsito em tempo real, com atualizações por meio da tecnologia TMC (Traffic Message Channel). Com ele, problemas na rota como acidentes ou congestionamentos são previamente notificados. Esse serviço só está disponível nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizente, Brasília e Porto Alegre. Esse serviço de TMC é “Lifetime”, ou seja, o funcionará até o fim da vida útil do carro, não gerando qualquer despesa posterior ao dono do carro.

 

Outra vantagem do Media Nav Evolution é a possibilidade do próprio cliente poder fazer a atualização dos mapas do GPS. Isso pode ser feito em casa mesmo. Basta acessar o site do fabricante do mapa, preencher um cadastro e descarregar a atualização do mapa num pendrive. Depois, basta conectar o pendrive na central e entrar no menu de atualização do sistema. Depois que o cliente compra o carro, o prazo é de 90 dias para que o procedimento seja feito, sem qualquer custo. A partir disso, o custo é de US$ 99 por versão de atualização.

 

O procedimento é relativamente simples. As instruções podem ser vistas nesse vídeo:

www.youtube.com/watch?v=Qj4fHoHr1OE

 

No Media NAV Evolution também é possível acessar as mídias sociais, Facebook e Twiter, e consultar por meio do aplicativo Aha (que precisa ser instalado no smartphone Android ou IOS), várias informações que facilitam o dia a dia, como opções de hotéis que constam na base de dados TripAdvisor, opções de restaurantes da base de dados Yelp, informações climáticas da base Custom Weather e acesso a web rádios de todo o mundo. Isso pode ser feito tanto por conexão Bluetooth, ou por cabo de dados ligado a USB do veículo. Mas a Renault recomenda que seja feito por Bluetooth para mais comodidade.

 

Para os usuários do aparelho celular iPhone (sistema IOS), também é possível utilizar as facilidades do aplicativo SIRI, o qual capta o comando voz do motorista, permite a busca de músicas e pessoas da lista de contatos, sem tirar as mãos do volante.

 

Algumas questões

 

Fato que o Duster tem um excelente custo-benefício. Mas isso não justifica algumas ausências. O Duster não possui sistema de ar-condicionado com controle automático (apenas manual). Mas esse recuso já esta presente no Renault Sandero (que utiliza a mesma plataforma e tecnologia do Duster). Também não existe a opção de câmbio automático na versão 4×4. Apenas o manual de seis marchas. E ainda que a Renault tenha melhorado o Duster na versão 2016, não mudou a disposição interna. Assim, a central multimedia permanece numa posição baixa, o que dificulta sua visualização.

 

Pós-venda

 

O Novo Duster 2016 tem garantia de fábrica de três anos ou 100 mil quilômetros rodados, prevalecendo o que ocorrer primeiro. O plano de manutenção do modelo prevê revisões periódicas a serem feitas em intervalos de 10.000 quilômetros ou a cada ano de uso.

 

O Duster conta ainda com o programa “Revisão com Preço Fechado” e o “Pacote de Preço Fechado de Peças”, que reúne os principais itens de desgaste e manutenção. Esses dois serviços permitem aos clientes saberem de forma antecipada quanto gastarão para a realização de reparos, já que os preços sugeridos dos dois pacotes incluem os valores de peças e mão de obra. As revisões do Duster são as de menor valor dentro da categoria, até 30 mil km.

 

Os proprietários do Novo Duster 2016 também contam com o apoio do Renault Assistance, um serviço de assistência técnica e de socorro mecânico, com atendimento 24 horas por dia. Caso necessário, o Renault Assistance envia um técnico para realizar pequenos reparos no local e, quando for o caso, providencia a remoção do automóvel para a concessionária mais próxima. O serviço é oferecido gratuitamente por 24 meses após a compra.

 

Preço

 

O valor sugerido para o Renault Duster Dynamique 4×4 é de R$ 80 mil. Não existem opcionais de fábrica para essa versão. Tudo vem de série.

Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre

Deixe um comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui