Digno de nota

Sustentabilidade levada a sério. É fácil chegar a essa conclusão depois de um tempo na Nova Zelândia. O último lugar do mundo descoberto pelo homem ocidental ostenta um dos melhores índices de desenvolvimento humano
e exibe um extremo respeito a tudo e a todos. Respeito, no sentido mais amplo da palavra: à cultura, às pessoas, aos ancestrais, ao meio ambiente.

No trato profissional, vale uma dica para quem desembarcar por lá: quando for entregar seu cartão de visitas, olhe seu interlocutor nos olhos e entregue o papel que deve ser segurado com as duas mãos e a frente do cartão virada para ele. Receba o cartão da mesma forma e leia-o antes de guardá-lo para mostrar a importância que você dá ao
ato. Assim como os japoneses, os neozelandeses tratam essa troca com reverência.

E, com toda essa preocupação, é natural que tanto a indústria como os órgãos públicos trabalhem incessantemente
para transformar a sustentabilidade em fator decisivo na tomada de qualquer tipo de decisão. A escolha não é orientada somente por questões ideológicas, mas tem um forte componente econômico. Afinal, a motivação das
viagens para o país da Oceania está relacionada à natureza e à cultura herdada dos Maoris, descendentes
dos primeiros habitantes das ilhas.

Autoridades e dirigentes perceberam que o segredo para aumentar a competitividade e gerar renda não se resume ao turismo. Está em uma indústria sustentável que se preocupa em melhorar a vida dos locais para, então, ganhar a preferência dos visitantes. E, assim, a roda gira. Em 2016, o país comemorou um novo recorde em desembarques
internacionais: 3,5 milhões de pessoas, crescimento de 12% em relação a 2015. É mais da metade de viajantes do exterior que o Brasil recebeu no mesmo ano, em um território menor que o nosso – para quem não tem ideia, os 268 mil km² da Nova Zelândia cabem dentro do mapa do Rio Grande do Sul (281.730 km²).

Se eles enfrentam problemas? É claro. Um dos maiores associado à causa ambiental é a perda de 98% das florestas de Kauri, árvore nativa gigante que revestia o norte do país e foi dizimada pelos colonizadores. Em termos sociais, mesmo com intensa geração de empregos por meio do turismo, não é difícil ver moradores de rua na região central de Auckland, na Ilha do Norte.

Óbvio que também devemos considerar as proporções na comparação, pois as dimensões continentais do Brasil podem dificultar as coisas. Foque no que mais chama a atenção: a orientação para a sustentabilidade, a instauração dessa cultura, a ausência de modismo, a opção consciente de autoridades e de empresários pela sustentabilidade
como forma de garantir o crescimento da indústria turística e benefícios diretos à população. Digno de nota.

Mudando de assunto, como relatei nesse mesmo espaço, no mês passado, nossa proposta é combinar matérias de fundo e informações relevantes com recursos gráficos e tecnológicos para relatar os movimentos e as tendências.
Assim, abordamos dois assuntos importantes: a compra da Trend pela CVC – analisada por especialistas em direito, economia, fusões e pelas lideranças do trade – e um compilado sobre turismo LGBT – incluindo os números do segmento e dicas para participar desse mercado.

No quesito gráfico, nesta edição trouxemos  mais uma novidade para o Brasilturis. Passamos a inserir QR Codes em algumas reportagens que irão direcioná-lo para conteúdos extras em nosso site. Basta fazer o download de um leitor do código (existem várias opções gratuitas disponíveis), mirar o código no fim de cada reportagem e pronto!

É, a gente não consegue mesmo ficar parado.
Boa leitura, boas viagens, bons negócios!

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo