Fora do roteiro

    0

    A hospitalidade brasileira entrou em campo e ajudou a fazer do País um sucesso entre os visitantes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Pesquisas mostraram que o índice de satisfação foi altíssimo, assim como a declaração de intenção de retorno.

    Esses números denotam a chegada de mais um bom momento para a promoção do País no exterior. Contabilizando o total de visitantes estrangeiros durante os dois eventos e o efeito multiplicador, o potencial de atração é imenso. Uma questão que pode ajudar – e muito – é a manutenção da dispensa de visto, concedida pelo governo brasileiro aos turistas de Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão.

    Aplicada durante o período dos jogos, a estratégia deu certo. Dados divulgados pelo Ministério do Turismo mostram que os quatro países enviaram mais de 53 mil turistas ao Brasil entre 28 de julho e 15 de agosto. Desses, 40 mil se beneficiaram com a facilitação da isenção, o que resultou na entrada de US$ 48,5 milhões na economia.

    Segundo projeções do MTur, a isenção permanente pode trazer um impacto de US$ 175,2 milhões anuais e aumento de 20% na chegada de visitantes, considerando apenas os quatro países mencionados. É por isso que já está em pauta – além da extensão do prazo – a concessão para outros países. Pelo potencial de emissão, a China é uma das candidatas a receber o benefício.

    Representantes das pastas envolvidas vêm se reunindo para debater a prorrogação, amplamente apoiada pelos profissionais do trade. Uma vitória nesse quesito significa uma ajuda e tanto para os números de chegada de turistas internacionais. O impacto inclui turistas de lazer e também os visitantes corporativos já que a facilidade burocrática pode se tornar mais um forte argumento para a atração de eventos.

    Saindo do âmbito dos negócios, peço licença para abordar um assunto que chocou a todos nesta semana. Assim como se viu por todo o Brasil, o desfecho do episódio envolvendo o ator Domingos Montagner abalou a redação do Brasilturis. Quando a primeira informação chegou, durante o fechamento desta edição, nossa torcida era unânime para que a saída executada na dramaturgia espelhasse o percurso da vida real. Infelizmente, o desfecho ficou fora do roteiro planejado.

    Eu havia voltado dessa região há poucos dias. Os planos de conhecer as paisagens cinematográficas desenhadas pela natureza há milhares de anos começaram a ser costurados em agosto. No fim do mês, percorri quase mil quilômetros por municípios alagoanos para tentar desvendar o poder que o Velho Chico exerce sobre aqueles que vivem em seu entorno e a atração que fascina os visitantes em relação a esse gigante genuinamente brasileiro.

    O roteiro incluiu visita a Canindé do São Francisco, na margem sergipana do rio, ponto de partida para um dos passeios mais famosos da região: o tour de barco pelos cânions na divisa entre os dois estados. Em quatro dias, conheci lugares fascinantes e pessoas com histórias encantadoras. O rio é vetor de desenvolvimento, fonte de inspiração e de renda. O turismo vem contribuindo para melhorar a vida por lá e isso não pode mudar. Foi por esse motivo que decidimos manter a reportagem.

    Não há culpados pela tragédia, e procurar por eles não irá minimizar a dor da perda. Mas vale se utilizar do episódio para tentar evitar repetições. Afinal, certos locais podem parecer convidativos para um turista que não enxerga potenciais perigos tão bem quanto quem convive diariamente com a realidade de cada local. É preciso se antecipar a um problema, tentar enxergar com os olhos do outro para prevenir.

    A reflexão vale para todos os destinos turísticos, especialmente aos que se apoiam em ambientes naturais – notadamente indomáveis e imprevisíveis. Analise se é válido incluir uma placa sinalizando um eventual problema aos passantes. Nesse quesito, mais vale o exagero do que a moderação.

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here