Google Trips: predador ou parceiro?

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*Por Ricardo Pomeranz

Recentemente me perguntaram sobre o Google Trips, o aplicativo que ajuda as pessoas em suas viagens. A ideia era saber se ele é um predador ou um parceiro do agente de viagens. A pergunta é tão relevante que decidi compartilhar minha opinião neste artigo.

Primeiramente, recomendo que você baixe o aplicativo e simule uma viagem. Escolha uma cidade qualquer. Depois, clique em “Coisas para fazer” e descubra a lista de atrações para visitar. Selecione as mais interessantes. Faça o mesmo com “Comida e Bebida”. Enfim, todos os lugares que você marcar poderão ser acessados posteriormente na forma de uma lista ou, melhor ainda, plotados em um mapa para guiá-lo quando chegar ao destino.

Na hora de usar o mapa, quando chegar ao destino, você nem vai precisar de conexão com a internet. E, mais: se tiver uma viagem programada e a confirmação da compra das passagens tiver sido feita pelo Gmail – do Google, claro -, o aplicativo vai mostrar esta informação com o período de sua permanência.

O aplicativo é bem completo e fácil de usar, o que nos remete à questão inicial: se ele é tão bom assim será que o papel do agente de viagens começa a perder valor? Cabe esclarecer que o Google Trips compete com as grandes plataformas, como o TripAdvisor. Seu objetivo é buscar visibilidade por meio da oferta de serviços para monetizar na forma de venda de mídia. Ele é, portanto, um predador destas plataformas. Ainda não se pode afirmar que ele vai dar certo. Isso depende da adesão dos usuários.

Com relação ao impacto nas agências de viagens a questão é um pouco mais sutil. A grande vantagem do Google Trips é a facilidade de concentrar, em uma única solução, grande parte das informações e dos serviços necessários ao viajante. Mas não há nada de excepcionalmente inovador. Todas as suas funções são feitas com outros sistemas.

Exemplos? Os melhores lugares para visitar em um destino podem ser encontrados no próprio buscador do Google, em blogs de viagem e comunidades do Facebook; os melhores bares e restaurantes estão no TripAdvisor; acessar mapas dos locais a serem visitados sem usar a internet é algo que pode ser feito por aplicativos como o Maptogo; informações das passagens podem ser colocadas em documento de texto, planilha ou no calendário dos dispositivos.

Mas, como o Google Trips é de uma das maiores empresas da era digital, se o viajante for convencido de que o aplicativo é tudo que ele precisa, ou que responde a grande parte de suas necessidades, aí o papel do agente de viagens poderá ser questionado.

Diante disso, minha opinião é que, se o Google Trips é predador ou parceiro das agências, depende exclusivamente do posicionamento de negócios do agente de viagens. Se ele oferecer pacotes com foco exclusivo no destino, a chance de o aplicativo substitui-lo é grande. Aliás, não só ele, mas toda a internet.

Mas, se o serviço oferecido pelo agente combinar destino e perfil do viajante, ou seja, personalizar o pacote para cada cliente, aí o Google Trips não tem solução similar. O posicionamento do aplicativo é claro: sugestões baseadas em lugares e tempo. Não em pessoas! Com isso, o agente de viagens pode até fazer do aplicativo seu parceiro, incluindo a customização do Google Trips para seus clientes como parte de seus serviços, inserindo o conteúdo mais adequado para cada viajante.

*Ricardo Pomeranz é Copresidente da Rapp Brasil, especialista e consultor em transformação digital

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