Invente eventos

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"Hoje é preciso criar ações que ofereçam alguma experiência muito sedutora para os convidados"

Por Ricardo Hida*

Em algum lugar do passado, alguém, em um exercício equivocado de futurologia, disse que o fim dos eventos corporativos estava próximo. A razão, segundo os falsos gurus, era o número de eventos irrelevantes, o crescimento da importância das redes sociais, o maior desejo das pessoas de curtirem a sua casa e o aumento da violência.

Em recente artigo, publicado na grande imprensa, o jornalista Bruno Astuto explica que as novas gerações não querem saber das casas noturnas, o que levava ao debacle alguns dos mais importantes empresários da noite. A razão, segundo entrevistados, é que a saída pela saída não tinha razão de ser.

Se no passado, homens e mulheres saíam a noite para ouvir novas músicas, conhecerem-se e beber até cair, hoje aplicativos como Tinder e Spotify resolveram dois terços da demanda e a busca por saúde, com alimentação saudável- inclusive com sucos energéticos, detox e por aí vai- encarregou-se de mostrar que ficar bêbado, dar vexame e virar meme na internet é coisa do passado.

Mas daí dizer que os eventos acabaram é outra estória. Eles, como tudo, tem se transformado. Eventos sem propósito, coquetéis nos moldes daqueles das décadas de 90 e início dos 80 já foram sepultados. Deram lugar a outras ações para ativar marcas e reunir grupos de interesse. Hoje é preciso criar ações que ofereçam alguma experiência muito sedutora para os convidados.

Tenho sido chamado com muita frequência por grandes marcas para organizar encontros com formadores de opinião, potenciais e grandes clientes. Esses eventos têm em comum a entrega de algum novo conhecimento ou experiência para os participantes. Como pensar ações, que carreguem o DNA da empresa, e passem as mensagens corretas conectando clientes e fornecedores.

Uma das maiores redes hoteleiras organiza torneios de golfe. Outra operadora de turismo pediu que fossem criados laboratórios enogastronômicos. Um outro cliente, um escritório de promoção de destino, tem investido em debates com trendsetters para falar de tecnologia, millenials e modismos. Há uma outra rede que aposta em eventos de bem estar e espiritualidade. Tudo muito diferente de coquetéis chatos em que engravatados se entupiam de coxinha, pérolas de queijo e muito whisky para entabular negócios, conspirar e sabe-se mais o quê.

Isso tudo faz parte do tal marketing de conteúdo, da estratégia branded content. Pense em sua marca, a que valores ela precisa ser atrelada. Que tipo de experiência alinhada a sua missão ela pode oferecer aos stakeholders? E muito se engana quem pensa que esse tipo de ação de ativação de marca é exclusiva de grandes clientes. Mesmo as pequenas pousadas e agências boutiques tem organizado ações muito eficientes e eficazes.

Criatividade não exige um orçamento. É lógico que expertise, um bom mailing e saber criar uma ressonância na imprensa e nas redes sociais é fundamental. Mas lembre-se, evento é invento.

*Ricardo Hida é formado em administração pela FAAP e pós-graduado em comunicação pela Cásper Líbero. Foi diretor da H&T Eventos, executivo de vendas na Air France-KLM, gerente de marketing na Accor Hospitality e diretor-adjunto do Escritório de Turismo da França no Brasil. Atualmente é CEO da Promonde. Dirigiu a comissão de turismo da Britcham e CCFB e é diretor da ABTLGBT. Ele escreve no Brasilturis às quartas-feiras. Contato: ricardo@promonde.com.br

 

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