Turismo de luxo: O que esperar em 2020?

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Existe um segmento de mercado que é menos impactado com instabilidade na economia, mas não deixa de se transformar ano após ano: o turismo de luxo. Isso não é novidade para ninguém, assim como o fato de que existem atributos que são inerentes ao mercado de alto padrão desde que o primeiro rico decidiu ir de uma localidade a outra: exclusividade, excelência em serviço, tecnologia mais avançada e tradição.

Desde o passado longínquo há diferenças em nível de conforto oferecido para os viajantes abastados e para os “meros mortais”. Conta-se que, mesmo durante o êxodo mosaico, houve quem carregasse sua trouxa a pé até a terra prometida, outros que foram de carroça e aqueles que deixaram o Egito em liteira carregadas por servos, bebendo vinho e comendo damasco.

Isso acontece porque o turismo de alta renda tenta minimizar o estresse e prestigiar o cliente que paga mais. E o que esse cliente espera para os próximos tempos? Sabe-se que sustentabilidade se tornou atributo obrigatório para uma marca high end  – grifes como Prada, Gucci e Louis Vuitton incorporaram conceitos de responsabilidade ambiental e social em suas estratégias.

A elite mundial percebeu a conexão entre sua saúde e o planeta doente. Sente-se desconfortável ao ostentar para um grupo de pessoas que passam fome. Percebeu que aquecimento global não é papo de ambientalista quando produtores de vinhos de Bordeaux mostraram-se preocupados com o futuro das grandes safras. Entendeu que o preconceito contra gays, mulheres, negros e pessoas com deficiência pode constranger seus próprios familiares, como aconteceu nas monarquias europeias.

Já sabe também que a busca por autoconhecimento e as curas emocionais não se dão por meio do consumismo desenfreado, mas em experiências que relativizam a realidade. Daí o crescimento na procura por viagens transformadoras e com consciência, com foco em espiritualidade – não necessariamente religiosa. Esses dois fatores fizeram crescer a busca por Corumbau em detrimento a Trancoso (ambas na Bahia) ou de Butão na comparação com Tóquio.

Percebe-se também a busca por viagens de luxo em grupos: amigos e familiares, inclusive multigeracionais. Os mochileiros dos anos 1990 e 2000 agora preferem viajar com pais e filhos ou com amigos que têm gostos parecidos. A prática de torcer o nariz para crianças no lobby está ficando ultrapassada entre concierges de hotéis de alto padrão. Nesse mesmo espírito, os pets ganham relevância.

E, mesmo em épocas de aplicativos e OTAS, a consultoria de viagem não perdeu espaço. Precisou, apenas, se reformular. Consultores especializados em viagens de luxo relatam que não perderam clientes, ganharam mais trabalho. Se o número de fontes para viagens cresceu e a tecnologia também se sofisticou, a necessidade por serviço customizou triplicou. Uma tendência que continua em 2020.

América Central e do Sul, assim como a Ásia, ganham ainda mais espaço durante o ano. O Oriente Médio veio para tirar muitos clientes dos hubs europeus. E os destinos de compras para ricos vão perder espaço para aqueles voltados a experiências. Logomania, excessos e exibição são atributos de influenciadores digitais que ganham tudo de graça e falam com população C e D. Os “ricos de verdade” caminham na contramão do que é popular. Essa é e sempre foi a lógica do mercado.

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