Espaço para o diálogo

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de ‘escutatória’.Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.”

A citação do saudoso escritor Rubem Alves reforça com poesia um fato: está cada vez mais difícil encontrar um bom ouvinte. Nesse sentido, ao menos em um primeiro momento, Marx Beltrão entrou no Ministério do Turismo com o pé direito. Ele assumiu a pasta no início de outubro e em 15 dias já havia participado de eventos e promovido encontros com representantes de associações para ouvir as solicitações diretamente da boca das lideranças.

Nas últimas semanas, Beltrão recebeu representantes do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) e da Associação Brasileira de Resorts (ABR), veio a São Paulo para participar de um encontro promovido pelo Conselho Executivo de Viagens e Eventos Corporativos (Cevec), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e participou do Festival do Turismo de João Pessoa.

Além de confirmar um óbvio respeito com o interlocutor, a disponibilidade em ouvir também revela inteligência. Especialmente quando o diálogo bem sucedido pode resultar em um cenário de sucesso compartilhado – como é o caso agora. Por mais que Beltrão saiba sobre a atividade, por mais qualificados que sejam seus assessores e sua equipe técnica, eles não têm os mesmos conhecimentos de hotelaria que Orlando de Souza e Manoel Gama. Não veem os gargalos que desafiam o segmento de resorts como Luigi Rotunno e João Bueno. Não conhecem as oportunidades que podem vir com o turismo corporativo como Viviânne Martins e os membros do conselho que ela preside.

Dando atenção a quem vive o dia a dia e sabe onde o calo aperta, Beltrão consegue chegar à raiz dos problemas e, assim, ter um norte para buscar soluções que possam contribuir para aumentar a competitividade do País. Como, por exemplo, a regulamentação do trabalho intermitente – para que os hoteleiros parem de sofrer com a contratação de mão de obra na alta temporada – e a isenção do ICMS aos hóspedes estrangeiros – para que possamos competir de igual para igual com alguns de nossos vizinhos sul-americanos.

Outras demandas destacadas pelos representantes do trade já estavam no radar do ministro, quando ele ainda atuava como deputado federal: o apoio na revisão e aprovação do projeto de lei que prevê a legalização dos cassinos no Brasil e o prolongamento da isenção de vistos para viajantes da Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão.

Transformada em realidade, a primeira pode render cerca de R$ 15 bilhões aos cofres públicos apenas no primeiro ano de atividade regulamentada, segundo dados do deputado federal Herculano Passos, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Turismo, um dos maiores defensores do tema – e que também já teve seu encontro com Beltrão. A segunda iniciativa trouxe ganho de R$ 142 milhões durante os pouco mais de três meses que esteve em vigor neste ano.

No novo cargo, ele prometeu intermediar negociações entre o trade e os parlamentares, desburocratizar a atividade e defender a união da esfera pública com o setor privado, além de conduzir a urgente revisão da Lei Geral do Turismo. Espaço para o diálogo, gestão eficiente e compromisso com a inovação foram as três premissas que prometeu seguir. A primeira ele já cumpriu. Fiquemos atentos às cenas dos próximos capítulos.

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