Sábado, 27 de Maio de 2017
Ricardo Pomeranz

O que esperar de 2017?

Por Ricardo Pomeranz*

 

 

Neste fim de ano, como contribuição à indústria do turismo, decidi evitar um olhar ao passado, bem como fazer um exercício de futurologia para imaginar quais são as tendências que têm mais chance de dar certo no próximo ano. Quero trazer projeções e insights relacionados ao crescimento da internet e os negócios na área de viagens no Brasil para os próximos três anos, baseados em dados de pesquisa, levantados pela empresa eMarketer.

O estudo prevê 123,5 milhões de usuários de internet no próximo ano e 130 milhões em 2019. A título de comparação, basta lembrar que esse número é maior que a população de países como Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha, o que torna o Brasil um dos líderes em volume de pessoas conectadas. Hoje cerca de 30 milhões de residências contam com banda larga fixa e as estimativas são de um aumento de 8% em 2017 e também no ano seguinte. Isso significa que a web vem sendo utilizada para atividades cada vez mais sofisticadas, como vídeo, música e compras.

Já o número de usuários de smartphones deve ultrapassar os 70 milhões, um crescimento de 12,1%. As previsões indicam que o total de celulares conectados à internet em 2019 chegará a 90 milhões, prova de que a web está cada vez mais presente na vida das pessoas e muito acessada pelos dispositivos móveis.

No que diz respeito aos investimentos em propaganda, a tendência também é de expansão. Projeta-se um total de R$ 3,6 bilhões em 2017 e de R$ 4,5 bilhões em 2019. O valor do próximo ano equivalerá a 22,8% dos aportes em mídia no Brasil e deve atingir 24,4% em 2018 e 25,9% no ano seguinte. Os números comprovam que as empresas estão apostando, cada vez mais, nos canais digitais. Repare que isso não acontece apenas no Brasil. É uma tendência global.

O e-commerce é outra atividade com boas expectativas de ampliação nos próximos anos no Brasil. As estimativas revelam que, em 2017, o número de compradores digitais será de 45 milhões – crescimento de 8% -, apesar da crise econômica. O potencial de crescimento do comércio eletrônico é enorme. Basta lembrar que, hoje, apenas um quarto da população faz compras pela internet.

Por outro lado, o número de pesquisadores digitais – os que se informam pela web antes de comprar pelos canais tradicionais off-line – deve chegar a 83,4 milhões de pessoas no próximo ano e a 103,6 milhões em 2019. Fica claro que a internet é muito utilizada pelo brasileiro na hora da pesquisa. A tendência é que o número de compradores e pesquisadores digitais se aproxime muito à medida que a confiança do consumidor neste canal se ampliar.

A mesma lógica se aplica às aquisições de viagens pela internet. A estimativa aponta para R$ 10,8 bilhões em negócios para 2017, um crescimento de 10% em relação a este ano, com projeção de chegar a R$ 12,8 bilhões em 2019. As facilidades de comprar pela web vão, com certeza, atrair mais e mais os consumidores, por isso não há como duvidar de que as vendas eletrônicas de pacotes de viagem vão mesmo se ampliar nos próximos anos.

Com isso tudo, a conclusão mais clara a que se pode chegar é que a internet cada vez mais se consolida como um grande campo de negócios para as empresas de todos os setores da economia. E não é diferente com a indústria turística. Aquelas que ainda não têm presença forte na web devem colocar essa questão como prioridade de seus planos estratégicos para os próximos três anos.

*Copresidente da Rapp Brasil, especialista e consultor em transformação digital (ricardopomeranz@transformacaodigital.com.br)

 

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo