Domingo, 28 de Maio de 2017

Reação em cadeia

Em junho, New Orleans recebeu o International Pow Wow, evento que une vendedores de destinos com compradores e jornalistas do mundo todo. O formato da feira, que chegou à 48ª edição neste ano, não é novidade para quem trabalha com turismo: programação itinerante que reúne os elos da cadeia de viagens com foco em negócios. Muitos adotam esse modelo, mas poucos conseguem resultados tão expressivos para o turismo local como o IPW.

A organização anunciou que as viagens negociadas durante o evento podem gerar até US$ 4,7 bilhões em reservas de pacotes para as cidades norte-americanas. Sim, bi-lhões! Apenas New Orleans deve ficar com uma fatia de US$ 1,7 bilhão e receber mais de um milhão de visitantes extras nos próximos três anos. Esses números reforçam o comprometimento dos envolvidos com os resultados, provando que a união e o estabelecimento de regras são ferramentas eficazes para manter a estratégia no rumo certo.

A reação em cadeia proporcionada por um evento como esses é benéfica e inevitável. Mas não vale repetir a fórmula pensando exclusivamente em resultados de curto prazo. Nem se valer de fama e de fatos históricos, acreditando que apenas um passado glorioso irá garantir o fluxo de turistas para sempre. Paris quase caiu nessa armadilha, segundo nos contam Ana Carla Fonseca e Alejandro Castañé, colunistas que estreiam o debate sobre Cidades Criativas. “Além de tudo o que já foi e é, Paris está investindo no que será”, relatam.

A afirmação vale como reflexão para o seu negócio também, independente do porte que ele tenha hoje. O que você está fazendo pelo futuro da sua empresa? Quais são suas estratégias para manter os viajantes fieis à sua marca? Para ajudar em uma transição urgente, batemos um papo com Ricardo Pomeranz. O especialista em transformação digital ensina o caminho das pedras para que as agências entrem de vez na era tecnológica.

É preciso competitividade, sim, mas muitas vezes é melhor deixar de lado velhas picuinhas e ter como foco um bem maior. Não adianta cada um lutar pela defesa exclusiva de interesses próprios. Temos de ser críticos, é claro. Apontar os problemas, contanto que a busca seja por soluções. Mas existem momentos em que é mais válido demonstrar apoio e respeito mútuos. Nesse sentido, foi bonito ver o São Paulo Convention & Visitors Bureau manifestar publicamente apoio aos Jogos Olímpicos Rio 2016 como um evento de todo o Brasil.

Outro exemplo digno de aplausos veio de Alagoas. Durante uma viagem recente, jantei com hoteleiros de diversos empreendimentos. Todos estavam sentados à mesma mesa e percebi pelo tom da conversa e pelas brincadeiras que havia mais do que coleguismo entre eles. Uma das profissionais confirmou minha suspeita, dizendo que eles eram concorrentes, mas também se consideravam amigos. “Todos temos um mesmo objetivo em mente: trazer mais turistas para o estado e lutar por melhorias para fazer dele o melhor para os viajantes”, disse. Uma lição para a vida!

 

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