Quarta-Feira, 24 de Maio de 2017
Didu Russo

São Paulo como destino enoturístico?

Por Didu Russo*

Você pode até achar estranho falar de enoturismo em São Paulo, mas acredite, há vinho – e do bom – no estado. O fato é que São Paulo tem mais a ver com o vinho do que muitos acham. O vinho no Brasil passa pela capital paulista.

Foi em São Paulo, no bairro do Tatuapé, que Brás Cubas produziu o primeiro vinho comercial brasileiro, o Brás. As videiras que se deram mal em São Vicente, no litoral, vieram para a capital e acabaram se deslocando para as regiões de Jundiaí e São Roque, onde as castas americanas se adaptaram melhor que as viti-viníferas.

Há opções para todos os gostos e preferências, desde os suntuosos Syrah Vista do Chá, da Vinícola Guaspari, que fica em Espírito Santo do Pinhal, vinho premiado com medalha de ouro pela famosa e respeitada revista Decanter inglesa; passando pelos vinhos orgânicos da Entre Vilas, de São Bento do Sapucai; e até a Vinícola Góes, em São Roque, que além de ser uma das líderes em vinhos de mesa, produz também vinhos finos de vitis-vinífera.

Partindo de São Paulo, a ida a qualquer desses endereços permite um bate e volta, com a promessa de um dia maravilhoso entre visitas a vinhedos e vinícola, com degustação de vinhos e retorno no fim de tarde. Quem imaginaria uma coisa dessas?

Se você visitar a Góes (www.vinicolagoes.com.br), vai se surpreender com o passeio turístico da Estrada do Vinho, com inúmeros restaurantes e vinícolas. A própria Góes tem um belo restaurante e um passeio de trenzinho que termina com visita a vinícola, degustação e almoço no local.

O sucesso é tão grande que eles recebem por ano o incrível número de 250 mil visitantes! E, para sua informação, o Cabernet Franc do Góes, produzido em São Roque em 2015 esteve entre os 16 melhores vinhos selecionados na Avaliação Nacional de Vinhos em Bento Gonçalves, disputando com 270 outras amostras.

No caso do Entre Vilas (www.entrevilas.com.br) a coisa é bem mais artesanal e pessoal. Rodeigo Veraldi, proprietário do Frutopia, nome de sua fazenda que cultiva de forma orgânica diversas frutas, tem também um restaurante filiado ao movimento Slow Food.

Ele é “natureba” total e seus vinhos são uma delícia, com grande frescor e tipicidade e a garantia de que não usa nenhum produto químico. No site, Veraldi indica pousadas que ficam próximas à vinícola, pois embora seja um passeio que permite ir e voltar no mesmo dia partindo da capital, vale muito se hospedar na belíssima região.

A Vinícola Guaspari (www.vinicolaguaspari.com.br) é projeto de uma família que resolveu fazer vinho como hobby. A fazenda que também produz café é lindíssima e enorme, com cerca de 900 hectares. Há um campo de golfe e a casa é maravilhosa, porém as visitas são focadas nos vinhedos, não oferecendo hospedagem ou almoço. A degustação surpreende pela classe dos vinhos que conta com a consultoria de Gustavo Gonzales (ex- Mondavi) e Paulo Macedo, agrônomo português da Symington.

Inclua São Paulo quando pensar em vinho, pois haverá ainda grandes surpresas, eu garanto. Um estudo da Embrapa encomendado pelo SPVinho,  mapeou 90% do estado com clima favorável ao cultivo de uvas viti-viníferas e com similaridades com famosos terroirs do mundo.

Há muita terra improdutiva hoje que poderá se tornar um vinhedo de exceção. Afinal, espírito empreendedor é o que não falta ao paulista. Saúde!

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Didu Russo é fundador da Confraria dos Sommeliers, autor de livros e reportagens focadas no universo dos vinhos (www.didu.com.br)

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