Turismo Digital: economias colaborativas são tema de debate em São Paulo

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    Por Larissa Coldibeli

    A Associação Brasileira de Resorts (ABR) e o Skål-SP realizaram no dia 1º de junho a primeira edição do evento Turismo Digital com o tema “Economias Colaborativas: A Nova Era do Viajante”, no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo (SP). O evento teve o apoio do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) e da FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação).

    As discussões giraram em torno da forma como as plataformas de economias colaborativas estão mudando radicalmente o comportamento e o planejamento de viajantes do mundo todo. Muito além de opções de hospedagem, esse novo cenário também se reflete em questões de mobilidade urbana e métodos de compras e consumo. A presença desses serviços é uma realidade não apenas para o viajante de lazer, mas passa, também, a figurar no modo como empresas planejam viagens corporativas.

    O evento começou com uma apresentação de Trícia Neves, da Mapie Consultoria, que abordou os hábitos de consumo das novas gerações: a rapidez das mudanças, o uso do mobile, a busca por experiências, entre outros aspectos. Em seguida, foram realizados cinco painéis temáticos.

    Economia colaborativa e o corporativo

    Mediado por Ana Luiza Masagão, diretora de marketing e vendas do Royal Palm Hotéis & Resorts, foi a mediadora do primeiro painel, que abordou a economia colaborativa e o corporativo. Manuel Gama, presidente do Fohb, afirmou que as plataformas tecnológicas podem ser parceiras, pois proporcionam novas formas de vender. “Economia colaborativa é algo bom, os apartamentos compartilhados não são concorrentes dos hotéis, são mais um produto para enriquecer o turismo.”

    Marcel Frigeira, gestor de Viagens da IBM, disse que o momento atual é singular, pois as empresas abrem as portas para a economia compartilhada e, ao mesmo tempo, nunca se falou tanto em experiência do viajantes. Mas, às vezes, uma coisa esbarra na outra. “Na IBM, usamos aplicativos de transporte, de carona, de táxi e outros. O recibo automático é uma coisa boa pois aumenta o controle. A hospedagem corporativa por sua vez exige um certo padrão que o Airbnb não possui.”

    Patrícia Thomas, diretora da Academia de Viagens, disse que participantes de eventos querem ter a mesma experiência que tem no lazer. “As pessoas querem comprar e prestar contas pelo celular. Usamos aplicativos como Uber em eventos, até já oferecemos descontos, pois ele resolve muitos problemas, como o gargalo de estacionamentos, de espera de carro na saída.”

    Economia colaborativa e o lazer

    Francisco Leme, da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem), afirmou que, se a proposta da economia compartilhada é tirar o intermédio de pessoas jurídicas, ela não pode estar na vitrine das agências. Mas isso não significa que o setor é contra ela. “O agente vende a sua expertise. O diferencial da agência é o olho no olho, o atendimento personalizado, então, não são concorrentes.”

    Magda Nassar, presidente da Braztoa, disse que o serviço prestado pelo Airbnb sempre existiu, pois já era possível alugar uma casa na Toscana ou numa vila de pescadores. “O que mudou é a distribuição. Quando esses serviços forem regulamentados, os preços não serão tão competitivos e vai ficar quem presta um bom serviço e tem boa distribuição.”

    João Carlos Pollak, diretor financeiro da ABR e gerente geral do Sofitel Guarujá Jequitimar, disse que, apesar de o Airbnb se vender como um gerador de experiências, as agências e os hotéis já oferecem experiências. “Airbnb é uma ferramenta que nunca vai substituir a interação humana. Temos clientes que gostam tanto do destino que acabam comprando uma casa no local, mas voltam a se hospedar no hotel porque não querem ter que se preocupar em fazer compras, por exemplo, eles querem ter uma experiência olfativa diferente, o serviço oferecido pelo hotel.”

    O mediador Silvio Genesini, do Lide Tecnologia, concluiu dizendo que está claro que não vivemos o fim da intermediação. “É uma nova forma de intermediação, não só da compra, mas na hora da experiência.”

    Empresariado x tecnologia: qual o desafio?

    Aristides de la Platqa Cury, presidente do Skål-SP, conduziu a conversa sobre os desafios do empresariado diante das tecnologias. Caio Calfat, vice-presidente de Assuntos Turísticos Imobiliários do Secovi-SP, falou sobre a preocupação da entidade em relação ao boom de microapartamentos lançados recentemente. “A preocupação do Secovi é que eles passem a ser ofertados em plataformas como o Airbnb e comecem a concorrer com hotéis.”

    Edson Pavão, secretário de turismo de São Sebastião, falou sobre a experiência da cidade. “Com a crise, a busca por preço se acirra, mas a saída é pelo diferencial. Com uma economia mais sadia, os hotéis podem buscar isso.”

    Paulo Frange, vereador em São Paulo pelo PTB, falou sobre o projeto de lei criado por ele que tem como objetivo regulamentar o bed&breakfast na cidade. “Queremos que seja uma atividade tributada e passível de fiscalização. É uma forma de trazer para a formalidade o que hoje é informal.”

    As plataformas colaborativas

    Para o deputado federal Herculano Passos (PSD), a evolução tecnológica é muito rápida e a legislação não consegue acompanhar. “Para isso, formamos uma frente parlamentar mista, com deputados e senadores, para discutir as economias colaborativas.”

    Daniela Bertollini, da Expedia, falou sobre a concorrência saudável existente na plataforma. “O ambiente de concorrência faz o hoteleiro se preocupar com imagens de qualidade, por exemplo. Temos consultores dedicados a ajudar os hotéis nisso.”

    Marcelo Bicudo, da AllPoints, diz que a empresa enxerga que quem quer viajar quer viver a experiência no destino, no hotel, e não na plataforma. “Por isso, nos atrelamos às dores do mercado. Queremos trabalhar em conjunto com hotéis e resorts.”

    O poder público e o empresariado

    Mediado por João Bueno, da ABR, o debate teve Dilson Jatahy, presidente da ABIH, que afirmou que a entidade trabalha para incentivar o investimento em tecnologia e inovação. Já Alexandre Sampaio, presidente da FBHA, afirmou que se os hotéis tivessem melhor acesso a financiamentos, poderiam investir mais na área. Murilo Arakaki, da Arakaki Advogados, abordou questões legais, como a necessidade de registro no Brasil para as plataformas digitais estrangeiras que atuam aqui, mas nem sempre cumprem as regras locais. “As prefeituras precisam trabalhar com a legislação que já existe, fiscalizar os imóveis para arrecadar.”

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