Um novo tempo?

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante tudo vai ser diferente.”

A reflexão cuja autoria gera dúvidas – alguns a creditam a Roberto Pompeu de Toledo, outros a Carlos Drummond de Andrade – é ainda mais verdadeira quando se aplica a um ano com as características deste que está acabando. Movimentado pela crise econômica e pelo desenrolar das mudanças políticas, 2016 ficou marcado por cenários negativos anunciados por empresas e segmentos diversos. Com algumas exceções, foi um ano de pé no freio. Foram 12 meses que custaram a passar.

Isso ficou mais do que comprovado no decorrer do ano e fica agora comprovado nas declarações dos executivos de diversos segmentos, consultados para a reportagem sobre perspectivas para 2017 que você lê a partir da página 14.  Tente, por exemplo, contar quantas vezes a palavra “difícil” aparece associada a 2016 nas oito páginas… Ou “queda”, “complicado” e “incerteza”. Não foi fácil para ninguém. Nem do turismo, nem de fora dele.

Ainda resta um bocadinho de areia para cair na ampulheta, mas todos já estão com os olhos voltados para o futuro. A expectativa geral é que 2017 ainda será um ano desafiador com a continuidade dos embates políticos e a oscilação econômica que resulta desses acontecimentos. Deve entrar na balança também a nova configuração mundial.

Há quem defenda que “pior do que está não fica” e mantenha a fé nos próximos 12 meses. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico prevê que a economia ficará estagnada em 2017 e que a retomada do crescimento acontecerá apenas para 2018, com crescimento do PIB na casa de 1,2%.

Para o turismo, esperamos a resolução de questões importantes como as relacionadas ao segmento aéreo – resultado de tratativas entre Abear e Anac – e a decisão em relação à legalização dos cassinos no Brasil, apenas para citar algumas. Ou será melhor dizer: torcemos para que elas sejam sanadas? Infelizmente, viver de expectativas frustradas tem sido realidade para quem torce para que o turismo brasileiro deslanche. E, antes de começar a falar em competitividade, vale ler a análise de Mariana Aldrigui. A professora e pesquisadora conversou com colegas do turismo brasileiro e internacional para tentar encontrar afirmações verdadeiras sobre a atividade. O resultado você confere na página 6.

O “milagre da renovação” está aí, a poucos dias de se tornar realidade. No poema “Receita de Ano Novo” – esse, sim, inquestionavelmente escrito por Carlos Drummond de Andrade – o autor reforça que não é preciso seguir rituais para garantir 12 meses de prosperidade e fartura. Não é preciso fazer listas de intenções que serão arquivadas, nem lamentar os erros do passado. “Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

 

Vamos merecer 2017!

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo