Didu Russo

Vinho nordestino?

Por Didu Russo*

Parece um conto da carochinha, mas é a pura verdade. No Nordeste, mais especificamente entre o sertão pernambucano e baiano, se produz 90% de toda uva a exportada no Brasil e 15% de todo o vinho nacional. Entre as cidades de Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Casa Nova, acontece neste momento algo inusitado no mundo do enoturismo.

Variedades como a espanhola Tempranillo, as francesas Merlot e Petit Verdot e a italiana Barbera, do Piemonte, são algumas das castas atualmente em testes, enquanto a casta francesa Syrah vem dominando. O caso é único no mundo do vinho, pois quando os portugueses da Dão Sul foram para lá, verificaram que com o clima nordestino, as videiras tinham o que se chama de ciclo de vida contínuo. Ou seja, ela não para de produzir e, com isso, acaba por dar frutos em média duas vezes e meia por ano.

Acontece que uma videira precisa hibernar para descansar e ganhar forças, o que acontece em todo o mundo durante o inverno. As seivas das videiras se recolhem e a planta fica em “meditação” para então retornar em todo o esplendor na primavera, gerando frutos no verão que serão colhidos no início do outono. Enólogos da Universidade de Lisboa desenvolveram pesquisas e descobriram que ao podar as videiras e suspenderem a irrigação, elas hibernavam como se fosse inverno.

Em um planejamento espetacular, a pernambucana Rio Sol dividiu toda a propriedade em vinte e cinco parcelas, de tal forma que é possível fazer uma colheita a cada quinze dias! Um espetáculo único no mundo. Há um pedaço do vinhedo onde estão juntas quatro parcelas, uma em colheita, outra em desfolha, outra em poda e outra florescendo. É o chamado “four seasons point”.

Imagine que seria possível vender 12 safras de Syrah do mesmo ano, uma de cada mês! Mas eles não fazem isso, preferem produzir vinhos muito bons. O Rio Sol Rosé espumante é das boas compras brasileiras de espumante, bom e barato.

O projeto Vinibrasil da Rio Sol está fazendo sucesso com as marcas Paralelo 8, top com premiações internacionais, e os espumantes Rio Sol. A sede da vinícola, em Lagoa Grande, serviu de cenário para a minissérie Amores Roubados, exibida pela Rede Globo em 2014, na qual o ator Cauã Raymond vivia um sommelier conquistador.

Outras vinícolas com programas de enoturismo são a Bianchetti – também de Lagoa Grande – e a Ouro Verde (Miolo) – em Casa Nova (BA). Hoje, a região também oferece operação especializada com direito a conhecer os vinhedos, saber dos processos de produção, almoços e até passeios de barco pelo rio São Francisco, com espumantes degustados em diversas vinícolas.

As agências Opção Turismo (www.opcaoturismo.tur.br) e Vapor do Vinho (www.vapordovinho.com.br) pegam os turistas nos hotéis e os levam para visitar as vinícolas de barco com bar e tranquilidade.

Saúde!

 

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo