Mariana Aldrigui

Você saberia a resposta?

Em 25 de maio de 2017, segundo dados do www.worldwidewebsize.com, havia praticamente 4,5 bilhões de sites na internet. No momento em que você estiver lendo este texto, o número já será um pouco maior. Já o site Internet Live Stats, ligado ao projeto International Real Time Statistics Project, indica que, a cada segundo, são enviados aproximadamente 6.000 tweets, são feitas 40.000 buscas no Google e mais de 2 milhões de e-mails são enviados. Repito: a cada segundo.

Trata-se de uma quantidade tão grande e tão difícil de imaginar quantos os bilhões que nos roubaram ao longo dos últimos anos. Sabemos que é muito, mas é complicadíssimo dimensionar. Pois bem. Com essa quantidade imensa de informação, é muito difícil acreditar que uma pessoa vai concentrar sozinha boa parte da informação necessária e interessante a uma área. Pode até ser um especialista, mas nesse universo de dados, é melhor que seja um especialista em encontrar fontes.
Com isso em mente, um dos convidados do Fórum Mundial de Turismo de Lucerna, que aconteceu em maio de 2017, transferiu para o público presente a responsabilidade de compartilhar as informações; partiu do pressuposto que todos ali teriam dados e opiniões fortes o suficiente para convencer os colegas.
Valendo-se de uma estrutura previamente montada, que dividiu a audiência em grupos de seis a oito pessoas em confortáveis mesas cobertas de papel colorido e muitas canetas – no estilo “deixe seu pensamento fluir” -, ele provocou os presentes a responder duas perguntas. Naturalmente, duas perguntas sem respostas definidas, e que teriam as mais diferentes respostas em função da composição de cada grupo.
As perguntas: Quais são as conversas que estamos evitando no setor de turismo, e por quê? Se nossa intenção fosse boicotar os setores de turismo, hospitalidade e eventos, o que deveríamos fazer para ter sucesso?

No evento, o encaminhamento mais relevante foi que evitamos encarar o custo da sustentabilidade efetiva e fingimos que nossas organizações e propostas não estão impactando em nada o planeta. E que para boicotarmos mais ainda o setor basta ampliar as restrições de viagem, exacerbar os preconceitos e fechar as fronteiras ao “diferente”.
Só a análise pormenorizada da frase acima daria uma tese de doutorado. Ou duas. Mas façamos antes o exercício de tentar respondê-las, já sabendo, é claro, que não chegaremos a um acordo em relação a uma única resposta.
Se nossa intenção fosse boicotar o turismo brasileiro de maneira geral, eu penso que bastaria sentar e observar os outros países trabalhando seriamente com dados relevantes e estratégias de médio e longo prazo. E nós institucionalmente insistindo em planos escritos e pouca ação.
Mais que isso, diria que faríamos altos investimentos em promoção – nacional e internacional – sem nos preocupar efetivamente com nossa capacidade limitada de receber turistas, especialmente os internacionais; os problemas em nossa infraestrutura que implicam em transtornos para os turistas (acesso, congestionamento, poluição, violência); a dificuldade de comunicação em outro idioma, seja na falta de sinalização, seja na prestação de serviço; a exigência de vistos que, quando obtidos, demandam a entrada no País em até três meses para que não percam a validade (mesmo que muitos turistas venham de países onde férias são planejadas, por vezes, com anos de antecedência); não nos importaríamos com a relação custo x benefício e muito menos com a concorrência internacional. Afinal, somos Brasil, esse lugar “senseixônél”.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo