São Paulo (SP) – A celebração dos 20 anos do Observatório de Turismo de São Paulo marcou um dos momentos mais importantes da 10ª edição do Expo Fórum, nesta segunda-feira (1). Em uma apresentação esclarecedora, a diretora de Turismo da SPTuris, Fernanda Ascar, detalhou como a capital paulista superou um dos maiores gargalos históricos na medição de fluxo turístico e inaugurou uma nova era de tomada de decisão baseada em dados qualificados. A palestra mostrou como tecnologia, inovação e colaboração estão transformando a leitura do setor na maior metrópole brasileira.
Durante anos, São Paulo conviveu com estimativas imprecisas sobre o volume real de turistas. Em 2023, a projeção era de cerca de 17 milhões de visitantes. Esse cenário mudou quando a SPTuris passou a utilizar a plataforma Claro Geodata, desenvolvida com a empresa suíça Kido Dynamics, que aplica metodologia avançada para extrapolar informações de telefonia móvel e identificar, com precisão, presença, permanência e origem dos visitantes. O resultado revelou um salto surpreendente: 36 milhões de turistas em 2024, mais do que o dobro das estimativas anteriores.
Além disso, até outubro de 2025, São Paulo já acumulava praticamente o mesmo volume total de turistas de 2024, registrando crescimento de 25% ano a ano. Entre os insights mais relevantes, Fernanda destacou a mudança na sazonalidade: os meses historicamente considerados de baixa temporada, janeiro e julho, passaram a registrar grande fluxo de visitantes, impulsionados sobretudo pelo turismo de lazer.
Dados que ganham profundidade e nova direção estratégica
Com o desafio de compreender não apenas quantos turistas chegam, mas quem são, a SPTuris trabalhará, em 2026, em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo, na execução de uma pesquisa qualitativa de demanda, que pretende mapear motivações, hospedagem, comportamento e expectativas desse público. O objetivo é entender melhor os fatores por trás do crescimento e direcionar políticas públicas e produtos turísticos de maneira mais eficiente.
Fernanda lembrou que, para medir turismo internacional, o Observatório ainda utiliza os dados da Embratur, já que chips digitais podem mascarar a origem real do visitante, um cuidado metodológico necessário para não distorcer análises.
O Observatório disponibiliza dashboards interativos, perfis de eventos, séries históricas, relatórios e cruzamentos de dados diretamente no portal oficial. Com o avanço da plataforma, novos dashboards específicos para o setor de eventos também estão em desenvolvimento, aprofundando ainda mais a compreensão desse segmento essencial para a economia paulistana.
Ecoturismo, sustentabilidade e o papel dos dados na base da pirâmide
Um dos focos apresentados foi a análise do Polo de Ecoturismo do extremo sul da capital, região que reúne áreas rurais, parques naturais, sítios agroecológicos e atividades de turismo de base comunitária. O Observatório tem trabalhado na criação de indicadores específicos, auxiliando agricultores, pequenos empreendedores e lideranças locais a entenderem o impacto do turismo em seus territórios.
Fernanda reforçou a importância de democratizar o uso dos dados: “Eles servem tanto para uma multinacional quanto para um pequeno agricultor que precisa compreender o movimento em sua propriedade”, destacou.
Comitê de Monitoramento inaugura nova fase para o Observatório
Para marcar as duas décadas do Observatório, foi criado o Comitê de Monitoramento do Turismo Paulistano, que reúne parceiros como Visite São Paulo, Fecomércio, Obrave, ABIH, Cobe, Sied e Embratur. O grupo terá reuniões trimestrais para analisar os números, debater sua aderência à realidade observada no mercado e ajustar, de forma integrada, as projeções e orientações para os próximos períodos.
A diretora encerrou sua fala destacando que o Observatório de São Paulo é um dos poucos reconhecidos pelo Ministério do Turismo e pela ONU Turismo no Brasil — e que seu compromisso para o futuro é claro: melhorar continuamente a qualidade dos dados e garantir que eles orientem efetivamente decisões estratégicas, do microempreendedor ao gestor público.

