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Kamilla Alves
Kamilla Alves
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Re-conexão: Salvador

História, sabores e espiritualidade guiam novas formas de vivenciar a capital baiana, que vivencia alta demanda no segmento corporativo

Quem já conhece Salvador sabe que a cidade pulsa em ritmo próprio, marcado pela força da sua gastronomia, pela intensidade da fé e pela riqueza cultural que transborda em cada esquina. Mas revisitar a capital baiana com outro olhar é perceber que o conhecido ainda guarda surpresas. Por trás das fachadas coloridas e dos sons da capital, há uma cidade em constante reinvenção, que preserva sua história e, ao mesmo tempo, se projeta para o futuro.

Essa Salvador que se redescobre oferece mais do que belas paisagens e faz um convite à imersão. Seja no café servido em um hotel histórico, em uma aula de culinária no coração do Pelourinho, em um banho de ervas preparado com folhas adquiridas na Feira de São Joaquim ou em um congresso à beira-mar, cada experiência revela uma camada distinta do que Salvador pode oferecer. É um convite a reconectar-se à cidade, não apenas como visitante, mas como parte da sua narrativa viva.

Nos últimos anos, o destino tem passado por um processo de transformação que alia requalificação urbana, fortalecimento do trade e diversificação de produtos turísticos. A capital baiana se consolida como referência no turismo de negócios, enquanto roteiros de experiência valorizam o afroturismo, a ancestralidade e a gastronomia de identidade. Esse movimento amplia o alcance da cidade, que hoje atrai não só o visitante em busca de lazer, mas também o viajante corporativo e o público interessado em vivências culturais e espirituais. 

E foi justamente essa capacidade de transformar o ordinário em experiência que norteou a jornada do Brasilturis pela capital baiana. A convite da Salvador Destination, o percurso revelou uma cidade que se alimenta e se expressa em três dimensões: a mente, pelo conhecimento e pela arte; o corpo, pelos sabores e movimentos; e a alma, pela fé e ancestralidade. Um roteiro que comprova que reconectar-se a Salvador é, mais do que viajar, viver a cidade em todos os sentidos.

Alimentando a mente com história e cultura

Além de Salvador ser uma cidade se descobre pelos sabores, ela também se revela pelo olhar. Alimentar a mente aqui é deixar-se guiar pelas paredes que contam histórias, pelos corredores onde a arte se mistura à memória, pelos espaços que transformaram o tempo em patrimônio. A hotelaria soteropolitana carrega parte fundamental dessa herança com prédios que testemunharam transformações políticas, culturais e artísticas e hoje se reinventam como espaços de contemplação e aprendizado. Equipamentos como o Hotel da Bahia by Wish, o Fera Palace Hotel e o Monte Pascoal Praia Hotel Salvador traduzem esse elo entre passado e presente, oferecendo não apenas conforto e sofisticação, mas também uma experiência de imersão na identidade baiana. 

Símbolo máximo da hotelaria baiana, o Hotel da Bahia by Wish representa um verdadeiro mergulho na história e na arte do estado. Inaugurado em 1952, o empreendimento nasceu de uma iniciativa do setor privado para dotar Salvador de um equipamento à altura de outras capitais brasileiras. Hoje, administrado pela Rede Wish, o hotel resgata seu nome original e reafirma seu papel como guardião da memória cultural da Bahia. Tombado como Bem Cultural do Estado, o HB é mais que um hotel de luxo: é um verdadeiro museu habitável, com um acervo artístico avaliado em R$ 30 milhões. Administrado pela Rede Wish, o hotel combina sofisticação contemporânea e legado histórico, mantendo viva a memória de um período que marcou a modernização de Salvador. Entre seus hóspedes ilustres estão nomes como Michael Jackson, Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Elizabeth II, Pelé, Maria Bethânia e Charles III, além de chefes de Estado e membros da realeza internacional.

Com mais de 350 obras de arte distribuídas pelos corredores e salões, o hotel abriga um acervo que inclui murais de Carybé, Genaro de Carvalho e Júlio Spinoso, esculturas e pinturas de Di Cavalcanti, Tati Moreno, Nádia Taquary, Caetano Dias e Calasans Neto, além do maior conjunto de fotografias de Pierre Verger fora da fundação que leva seu nome. O painel de azulejos de Paulo Antunes Ribeiro, em azul e branco, e um espaço dedicado a mostras temporárias de artistas como Lenardo Salvatori reforçam a vocação do hotel como um espaço de convivência entre arte, arquitetura e memória. O edifício modernista, erguido no bairro do Campo Grande, segue sendo uma referência na paisagem urbana e cultural de Salvador.

Entre as experiências exclusivas, destaca-se o Café com o Historiador, conduzido pelo pesquisador Rafael Dantas, que transforma a visita em uma imersão nas camadas históricas do hotel e da cidade. Durante o tour, aberto também a não-hóspedes, o público conhece os bastidores da construção, as histórias das obras e o contexto artístico de cada período. A experiência culmina com um chá da tarde servido no restaurante Passeio da Vitória, reunindo quitutes típicos como acarajé, bolo de tapioca e frutas regionais, acompanhados de café, chá e espumante.

Na gastronomia, o hotel reforça o conceito de influência brasileira com toque baiano. No restaurante Genaro por Vini Figueira, instalado sob o monumental painel de 200 m² criado por Genaro de Carvalho, os visitantes saboreiam pratos que unem a tradição ítalo-ibérica à essência da culinária local, em um ambiente que comporta até 96 pessoas e preserva o requinte dos tempos áureos do edifício. Já o Passeio da Vitória oferece um menu variado para todas as refeições do dia, enquanto o Lobby Bar e Lounge se destaca como ponto de encontro para quem busca drinques autorais e um clima elegante. 

Instalado na histórica Rua Chile, a primeira rua projetada de Salvador, o Fera Palace Hotel é um marco arquitetônico e simbólico da cidade. Inaugurado em 1934 como Palace Hotel, foi referência de elegância e modernidade durante décadas. Após um longo período de fechamento, o edifício em estilo art déco, inspirado no Flatiron Building de Nova York, passou por um minucioso processo de restauração e foi reaberto em 2017, sob gestão do grupo Fera Hotéis. A fachada, com 230 adornos externos e 640 janelas de madeira maciça, foi integralmente preservada e segue tombada pelo Iphan, reafirmando o compromisso com a preservação do patrimônio.

O projeto de revitalização, liderado pelo empresário Antônio Mazzafera, devolveu à cidade um de seus ícones. Mais do que um empreendimento de luxo, o Fera Palace resgatou o glamour da década de 1930 e devolveu à Rua Chile sua vocação de eixo turístico e cultural. Hoje, o hotel é reconhecido por sua hospitalidade contemporânea e pelo design que combina história e sofisticação.

Entre os principais atrativos está o rooftop com piscina de borda infinita, um dos cenários mais fotografados da Bahia, de onde é possível contemplar a Baía de Todos os Santos e o Elevador Lacerda. No interior, o antigo cassino do hotel foi transformado em Salão Vadinho, espaço de eventos que homenageia o personagem do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos – rodado parcialmente ali. Essa integração entre cultura e entretenimento reforça a identidade do Fera como um hotel que une passado e presente.

Com 81 apartamentos, spa, restaurante e espaços para eventos corporativos, o Fera Palace é visto como referência para o turismo de luxo em Salvador. A localização estratégica, próxima ao Pelourinho e ao circuito cultural do centro, o torna uma escolha ideal para executivos e viajantes que buscam experiências autênticas com alto padrão de conforto e atendimento personalizado.

Na orla do Barra-Ondina, com vista direta para o mar e localização estratégica no circuito do Carnaval, o Monte Pascoal Praia Hotel Salvador é um dos endereços mais tradicionais do turismo de lazer e negócios da capital. Sua posição privilegiada na Avenida Oceânica o torna referência entre os hotéis com vista panorâmica da Baía de Todos os Santos e acesso facilitado a pontos emblemáticos como o Farol da Barra, o Porto da Barra e o Cristo da Barra.

Inaugurado na década de 1970, o Monte Pascoal acompanha o desenvolvimento do turismo moderno de Salvador e se destaca pela capacidade de adaptar-se às novas demandas do mercado. O hotel oferece 80 apartamentos, todos com varanda e vista para o mar, além de piscina com borda infinita, restaurante à la carte e estrutura voltada a eventos corporativos e sociais de pequeno e médio porte. A combinação entre conforto, praticidade e localização faz dele uma escolha recorrente entre viajantes de negócios e famílias.

Com foco na hospitalidade personalizada, o Monte Pascoal mantém uma relação próxima com o trade turístico local, participando ativamente de feiras e ações de promoção da cidade. Seu restaurante é reconhecido por valorizar ingredientes regionais e oferecer pratos típicos com toque contemporâneo, atraindo tanto hóspedes quanto o público externo.

Por sua história, o hotel é considerado parte da memória afetiva de Salvador. Suas varandas voltadas para o pôr do sol e o mar calmo da Barra tornaram-se símbolo da hospitalidade baiana, onde o conforto moderno convive com o espírito acolhedor que caracteriza a capital.

Alimentando o corpo: gastronomia com identidade

A culinária baiana é uma das expressões mais autênticas da cultura do estado, um elo entre ancestralidade, território e afeto. Mistura de heranças africanas, indígenas e portuguesas, ela traduz a Bahia em aromas, cores e sabores. Comer em Salvador é vivenciar uma narrativa cultural: cada prato conta uma história, e cada restaurante reflete um capítulo dessa identidade plural. Da moqueca ao acarajé, do dendê ao coco, a gastronomia baiana une religiosidade, música e hospitalidade, tornando-se uma síntese viva da alma soteropolitana.

No coração do Centro Histórico, o restaurante O Coliseu é um dos símbolos dessa tradição. Fundado em 1999 por Ruben Carvalho, o espaço une culinária e arte ao transformar cada refeição em espetáculo. O projeto Bahia Night traz ao público um show folclórico vibrante, com mais de 25 artistas entre músicos, dançarinos e capoeiristas, celebrando as raízes afro-baianas. 

A casa ocupa um sobrado histórico com vista privilegiada para o Pelourinho, onde a arquitetura colonial se mistura à musicalidade que ecoa das ladeiras. O ambiente, decorado com elementos da cultura popular baiana, cria uma atmosfera imersiva, que transforma o jantar em uma experiência sensorial completa. Durante as apresentações, a cozinha segue em ritmo de celebração, servindo pratos que vão da tradicional moqueca ao bobó de camarão, todos preparados com ingredientes frescos e o inconfundível toque do dendê.

Nos bastidores, Ruben Carvalho conduz a operação com o olhar de quem conhece cada etapa do ofício. Sua trajetória, iniciada como garçom e ajudante de cozinha, se reflete na gestão próxima e na valorização das equipes. “O Coliseu é feito de gente que ama o que faz. Nosso papel é receber bem, mostrar a Bahia de forma verdadeira e deixar que o visitante leve um pouco dessa energia consigo”, destaca o empresário.

Além da programação artística e gastronômica, o Coliseu busca ampliar seu papel na cena turística e corporativa da cidade. Com a ampliação do espaço para receber uma sala dedicada a eventos corporativos, a proposta é oferecer ao mercado um ambiente versátil para experiências de marca, confraternizações e ações de relacionamento, sem perder o DNA cultural que o consagrou. O projeto de instalação de um elevador, já em fase de tramitação, reforça o compromisso com a acessibilidade e a inclusão, tornando o restaurante ainda mais preparado para receber públicos diversos.

Seguindo pela Rua Chile, a alta gastronomia ganha novos contornos no Peixe Voador, comandado pela chef Preta, ao lado de Chico Marrara. Localizado no terraço do Gorges Residence, o restaurante combina sofisticação e intimismo, com vista panorâmica para a Baía de Todos-os-Santos. O cardápio é uma celebração da criatividade de Preta: ravióli com pesto de macadâmia e agrião, nhoque de banana-da-terra ao molho de moqueca e tentáculos de polvo com arroz de coco mostram como a cozinha de identidade pode ser também contemporânea.

A poucos metros dali, o Pala 7, no histórico Palacete Tira-Chapéu, leva a assinatura do renomado chef Claude Troisgros. O rooftop, com vista deslumbrante da Baía, propõe uma experiência que une técnica francesa e ingredientes brasileiros, reafirmando a vocação de Salvador para a gastronomia de alto padrão.

Ainda no Centro Histórico, o Restaurante Escola Senac Pelourinho é parada obrigatória para quem busca um mergulho nas tradições culinárias locais. Com menu variado e elaborado pelos alunos do Senac, o espaço oferece um verdadeiro banquete baiano, reunindo sabores intensos, temperos marcantes e sobremesas emblemáticas. O sistema self service e os preços acessíveis tornam o restaurante um ponto democrático de encontro entre turistas e moradores.

No bairro do Rio Vermelho, o Vini Figueira Mar combina atmosfera aconchegante e vista para o mar com um cardápio dedicado aos frutos do mar. As entradas, como camarão na tapioca, coxinha de siri e mini-burguer de lagosta, são o destaque de uma casa que traduz a leveza e a sofisticação do litoral soteropolitano.

Encerrando o circuito, o Ori Restaurante, de Fabrício Lemos e Lisiane Arouca, eleva ingredientes simples à condição de arte. Localizado no Horto Florestal, o Ori apresenta uma cozinha contemporânea que reverencia a cultura afro-brasileira. Pratos como o abarajé, o nhoque de milho verde com ragú de moela e o ravióli de vatapá com camarão mostram que a inovação também pode nascer do cotidiano. “O simples pode ser surpreendente”, defendem os chefs, cuja proposta é transformar a refeição em experiência sensorial completa, acompanhada por drinques autorais e um ambiente acolhedor.

Alimentando a alma pela fé e ancestralidade

Na Cidade Baixa, entre a Baía de Todos os Santos e a Avenida Oscar Pontes, pulsa um dos corações mais autênticos de Salvador: o Terminal Marítimo e a Feira de São Joaquim. O conjunto forma um retrato vivo da cidade, onde fé, música e sabores se misturam ao vai e vem cotidiano de quem vive e de quem visita a capital baiana.

Considerada a maior feira livre de Salvador, São Joaquim é um labirinto de experiências sensoriais. Pelos corredores estreitos, o visitante encontra de tudo – ervas, frutas, pimentas, artesanato, grãos, cereais, artigos de decoração, artigos religiosos e iguarias típicas. É ali que o sagrado e o profano se encontram, que a religião de matriz africana divide espaço com a musicalidade das rodas de samba e a força do trabalho de centenas de feirantes.

O espaço carrega camadas de história. Nos anos 1930, era conhecida como Feira do Sete, referência ao sétimo armazém das Docas, e depois ganhou o nome de Feira de Água de Meninos, eternizada por Jorge Amado e Carybé – este último, autor do gradil que ornamenta a entrada principal. Após o incêndio de 1964, renasceu com novo endereço e novo nome, tornando-se o símbolo de resistência cultural que é hoje.

Ao lado, o Terminal de São Joaquim conecta Salvador a cidades do Recôncavo, mantendo vivo o fluxo de pessoas e tradições que sustentam a identidade baiana. Já na parte revitalizada da feira, restaurantes à beira-mar, como o Pôr do Sol da Diva, oferecem cardápios de moqueca, feijoada e pititinga com vista privilegiada para a Baía de Todos os Santos. Aos domingos, o Samba da Feira completa a experiência, transformando o cais em palco e reafirmando São Joaquim como um verdadeiro mergulho na alma da cidade.

Com as ervas escolhidas, o grupo segue para o bairro de Santo Antônio Além do Carmo, onde a Pousada Des Arts é palco para uma vivência imersiva de cultura e espiritualidade. O espaço, que combina arte, conforto e vista panorâmica para a Baía de Todos os Santos, torna-se cenário de uma experiência que entrelaça tradição e contemporaneidade. Ali, o visitante é convidado a participar de um ciclo simbólico que envolve fé, alimento e ancestralidade.

O roteiro inclui a degustação de café produzido na Chapada Diamantina e do néctar de cacau da empresa Origem Cacau, produtos emblemáticos da economia e da história da Bahia. O café, introduzido no século XIX, e o cacau, que moldou a riqueza do sul do estado e ainda hoje sustenta comunidades produtoras, representam a força do trabalho e da terra baiana. Mais do que bebidas, são heranças culturais que seguem impulsionando novas formas de produção sustentável e turismo de experiência.

Na pousada, que também é casa para o Joca Mesa Bar, a vivência conduzida por Alana Sales, fundadora da Casa DuMato, transforma o cuidado em ritual. A empreendedora prepara um escalda-pés aromático, seguido de meditação e massagem, enquanto Mãe Jaci conduz o preparo dos banhos de cheiro – vale lembrar que cada participante já selecionou previamente as ervas segundo sua intenção, seja proteção, prosperidade ou equilíbrio. A tarde se encerra com o preparo do abará, bolinho de feijão-fradinho cozido no vapor que, assim como o acarajé, também é símbolo da culinária afro-baiana, acompanhado pela degustação guiada do barista Fernando Santos, que harmoniza café e cachaça em celebração às raízes locais. 

Essa jornada, idealizada por Alana Sales e apoiada pela Salvador Destination, propõe um olhar mais profundo sobre o turismo na capital: um turismo de sentidos, que une espiritualidade, gastronomia e sustentabilidade. Entre o aroma das folhas e o sabor do dendê, alimentar a alma em Salvador é reconhecer que, aqui, fé e cultura se misturam à vida cotidiana e que cada gesto, mesmo o mais simples, é também uma forma de devoção.

Vale lembrar que em Salvador, o sagrado assume muitas faces. A cidade abriga um dos sincretismos religiosos mais ricos do mundo, onde crenças, rituais e tradições se entrelaçam em perfeita harmonia. Católicos e adeptos das religiões de matriz africana compartilham espaços, símbolos e gestos de fé, formando um mosaico espiritual. A mesma mão que acende uma vela para Oxalá pode também se erguer em oração ao Senhor do Bonfim, e essa convivência pacífica é uma das expressões mais puras da identidade cultural da Bahia.

O Memorial Irmã Dulce, localizado no Largo de Roma, é um dos lugares mais representativos da religião católica. O espaço preserva o legado de amor e caridade da Santa Dulce dos Pobres, primeira santa brasileira, cuja vida foi marcada pelo serviço aos mais vulneráveis. São mais de 800 peças expostas, entre fotografias, documentos, medalhas e o quarto simples onde dormiu por quase trinta anos. Recentemente reformado, o memorial ganhou novos recursos de acessibilidade e uma área lúdica voltada às crianças, ampliando o alcance da mensagem de empatia e fé deixada pela religiosa. Ao lado, o Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres abriga o túmulo da santa e a Capela das Relíquias, visitada diariamente por fiéis que buscam conforto espiritual e esperança.

A força da fé também se revela no alto da Colina Sagrada, onde está a Igreja do Senhor do Bonfim, um dos templos mais icônicos do país. Erguida no século XVIII, a basílica é o principal símbolo da devoção católica em Salvador, mas também um espaço profundamente ligado às tradições afro-baianas. A imagem do Senhor do Bonfim é associada a Oxalá, o orixá da criação e da paz, e essa correspondência reforça a união entre religiões que, na Bahia, dialogam mais do que se opõem.

Em frente à igreja, o gradil colorido repleto de fitinhas é o retrato vivo dessa fé compartilhada. A tradição diz que, ao amarrar a fita do Bonfim, deve-se dar três nós e fazer um pedido para cada um. Quando a fita se desfaz naturalmente, acredita-se que os desejos serão atendidos. Mais do que um gesto de devoção, o ato tornou-se símbolo da esperança, uma prece silenciosa que une turistas e moradores em torno de um mesmo sentimento: o de acreditar.

Na Bahia, a fé se expressa nos cânticos, nas procissões, nas oferendas, e também no silêncio de quem contempla. Seja nas obras de Irmã Dulce ou nas escadarias do Bonfim, o que se encontra é sempre o mesmo princípio – o da solidariedade e do amor ao próximo. 

MICE aquecido

O turismo de negócios em Salvador vive uma fase de consolidação. A capital baiana combina investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e promoção integrada para se firmar como um dos principais destinos do país no segmento MICE. A movimentação crescente do Centro de Convenções Salvador (CCS), administrado pela GL events, e a retomada de grandes eventos confirmam essa tendência. Desde 2020, o CCS já recebeu mais de 1,5 milhão de visitantes, com impacto econômico superior a R$ 1,3 bilhão e geração de cerca de 3 mil empregos diretos anuais.

Após anos sem estrutura adequada para grandes encontros, Salvador reencontrou sua vocação corporativa com o novo CCS, inaugurado em 2020 na orla da Boca do Rio. O espaço devolveu à cidade o protagonismo perdido após o fechamento do antigo Centro de Convenções da Bahia, interditado em 2015, e hoje em processo de leilão. A ausência do antigo equipamento chegou a provocar perdas anuais de R$ 200 milhões e fez a capital cair da 3ª para a 10ª posição no ranking da ICCA (International Congress and Conventions Association). Com a reestruturação e a gestão profissionalizada, Salvador voltou ao mapa global de eventos e, em 2025, ocupa o 6º lugar no país, a melhor colocação entre as cidades do Nordeste.

Os números comprovam a força do segmento. No primeiro semestre, o CCS sediou a RoboCup 2025, maior competição de robótica e inteligência artificial do mundo, reunindo 3 mil competidores de 40 países e atraindo 60 mil visitantes. Entre os destaques do segundo semestre está a Exposibram 2025, principal feira de mineração da América Latina, que ocupará mais de 50 mil m² do empreendimento e promete ser o maior evento já realizado no local. O calendário segue aquecido, com programações confirmadas até 2029, consolidando o centro como motor econômico e símbolo de uma Salvador corporativa, conectada e em expansão.

Para a Prefeitura de Salvador, a profissionalização do trade é peça-chave nesse processo. Eloísa Caldeira, coordenadora de Qualificação e Segmentos Turísticos, explica que a cidade se prepara para um novo ciclo, unindo tradição e inovação. “Estamos posicionando Salvador como um destino que preserva sua história, mas que também se moderniza com novos equipamentos e roteiros. O Centro de Convenções é parte central desse processo, assim como a requalificação da orla e do centro histórico”, afirma.

Entre as ações estruturantes, destaca-se o projeto Viver Bahia, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que prevê a revitalização da Cidade Baixa com moradias e espaços culturais. Eloísa ressalta que levar o turismo de negócios para essa área “será um divisor de águas, capaz de revitalizar todo o entorno e fortalecer a integração entre cultura e economia”. A política de qualificação também se expande a segmentos estratégicos, como o público 60+, LGBT, o afroturismo e o turismo religioso, garantindo que o destino esteja preparado para acolher diferentes perfis de visitantes.

À frente da captação de grandes congressos e feiras, a Salvador Destination tem desempenhado papel decisivo na promoção da cidade no cenário nacional e internacional. Segundo Glicério Lemos, diretor da entidade, o foco recai sobre nichos de alto impacto, com destaque para o setor médico, responsável pelo maior volume de convenções do país. “Trabalhamos para atrair eventos que gerem resultados concretos para toda a cadeia produtiva. Quando um congresso chega, o benefício é coletivo: hotéis, restaurantes, transporte e receptivos ganham”, explica. Ele também destaca o fortalecimento do turismo de bleisure, que integra viagens corporativas e lazer, ampliando a permanência média dos visitantes.

A entidade ainda aposta na divulgação da nova Salvador, reforçando a requalificação urbana, os novos museus e equipamentos, e o papel do CCS como diferencial competitivo. “Estamos prontos para mostrar essa cidade renovada, com infraestrutura moderna e tecnologia de ponta. O novo Centro de Convenções nos colocou em outro patamar no mercado de eventos, tornando Salvador uma concorrente à altura dos principais destinos do país”, conclui Lemos.

O reflexo direto desse aquecimento é perceptível nos resultados da hotelaria. De acordo com a ABIH-BA, o mês de setembro de 2025 registrou alta na diária média, que chegou a R$ 655, avanço de 11,3% em relação ao mesmo período de 2024. O RevPar também cresceu 8,3%, alcançando R$ 429,92, impulsionado pela demanda de eventos e lazer. Embora a taxa de ocupação média tenha ficado em 65,6%, ligeiramente abaixo dos 67,5% do ano anterior, os picos chegaram a 80% durante grandes congressos e eventos esportivos, como o Festival da Primavera e a Maratona Salvador – evidências de que o turismo corporativo segue em plena expansão e consolidando Salvador como um dos polos MICE mais promissores do Brasil.

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