São Paulo (SP) – No último dia da Sales Mission do realizada pelo Greater Miami Convention & Visitors Bureau (GMCVB) no Brasil, a mensagem central foi de preparação e oportunidade. Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte e Miami confirmada como uma das cidades-sede, a entidade aposta no relacionamento com o trade brasileiro como estratégia para ampliar o fluxo de visitantes e diversificar a experiência no destino.
À frente da iniciativa, Carolyn Corrigan, diretora de Vendas do GMCVB para a América Latina e o Caribe, destacou que o Brasil segue entre os mercados internacionais mais relevantes para Miami. Segundo ela, a relação construída ao longo dos anos vai além do volume de turistas e passa por uma afinidade cultural que facilita a conexão entre visitante e destino.
“O Brasil é um dos principais mercados internacionais para Miami. O mercado brasileiro sempre apoiou muito o destino. Uma das coisas que nos identifica é a cultura. As nossas culturas são muito semelhantes e os brasileiros sentem que estão em sua segunda casa”, afirmou.
De acordo com a executiva, essa proximidade ajuda a explicar por que o destino mantém um posicionamento diferenciado dentro dos Estados Unidos. Para ela, o estilo de vida local, a hospitalidade e o ambiente multicultural criam um cenário que dialoga diretamente com o perfil do turista brasileiro, que costuma buscar experiências que combinam lazer, gastronomia e entretenimento.
Copa do Mundo mobiliza cidade e gera expectativas recordes
O principal vetor de crescimento esperado para os próximos meses é a Copa do Mundo de 2026. Carolyn explicou que a cidade já trabalha em diversas frentes para receber o aumento de visitantes, incluindo logística, hospedagem e serviços.
“No nosso ano fiscal, que vai de outubro a setembro, o Brasil foi o terceiro mercado em nosso destino. Temos muitas expectativas para a Copa do Mundo. Já vemos muitas reservas, não apenas de lazer, mas também corporativas. Estamos preparando transporte, hotéis, restaurantes — toda a cidade está se preparando para receber o mundo”, disse.
A executiva afirmou que o impacto econômico projetado é significativo e deve posicionar Miami em um novo patamar dentro do cenário internacional de eventos. Para ela, o torneio representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade do destino e acelerar investimentos em infraestrutura e oferta turística.
“As projeções de receita são extraordinárias. Miami vai ter um dos melhores anos da sua história. É uma grande oportunidade para a cidade fazer parte desse conjunto de sedes nos Estados Unidos. Isso vai colocar Miami em um nível diferente quando falamos de esporte e entretenimento”, declarou.
Novidades em hotéis, atrações e cruzeiros ampliam portfólio do destino
Outro ponto destacado por Carolyn foi a atualização constante do portfólio turístico de Miami, que inclui novos empreendimentos, renovações de hotéis e atrações voltadas tanto ao lazer quanto aos grandes eventos.
Segundo ela, a missão comercial no Brasil teve como objetivo apresentar essas novidades ao trade e estimular a criação de roteiros mais completos para o público brasileiro. Entre os exemplos citados estão investimentos em hotelaria, novas experiências gastronômicas e atrações esportivas.
“O principal objetivo dessa Sales Mission é apresentar o que há de novo em Miami. Temos novos hotéis, renovações importantes, como o Ritz-Carlton, que recebeu um investimento de 100 milhões de dólares. Também temos novas atrações, como o Freedom Park Stadium do Inter Miami, além de novidades no segmento de cruzeiros”, explicou.
A executiva acrescentou que o destino vive um momento de expansão em diferentes frentes, o que abre espaço para campanhas promocionais mais segmentadas e para o fortalecimento do relacionamento com agentes e operadores.
Agências são peça-chave para aumentar permanência do visitante
Para Carolyn, o papel das agências de viagens e operadores continua central na estratégia de crescimento do destino. Ela destacou que o trabalho conjunto com o trade permite ampliar o tempo médio de permanência do turista e estimular a exploração de novas regiões da cidade.
“O coração do nosso negócio são as agências de viagens e os operadores. São eles que criam os pacotes e ajudam a oferecer experiências culturais diferentes. Não é apenas ir à praia ou fazer compras, que fazem parte do DNA do brasileiro, mas também conhecer outras áreas da cidade”, afirmou.
Entre os bairros citados como oportunidades de diversificação da experiência estão Little Havana, o Art Deco District, o Design District e Brickell, além do centro da cidade, que passou por recentes transformações urbanas.
Segundo ela, o desafio agora é mostrar ao visitante que Miami pode ser explorada de forma mais ampla, incentivando estadias mais longas e uma distribuição maior do fluxo turístico pela cidade.
Eventos e comunidade LGBT ampliam calendário de viagens

Em entrevista separada, Dan Rios, diretor de Marketing e Turismo LGBT do GMCVB, destacou que o Brasil também tem papel relevante dentro desse segmento específico de visitantes. Ele explicou que a cidade se tornou referência mundial na realização de eventos voltados à comunidade LGBT, o que contribui para atrair viajantes ao longo de todo o ano.
“A missão comercial é importante para o Brasil porque é um mercado muito relevante para nós. Os brasileiros aproveitam bastante os nossos hotéis, o que é muito positivo para a economia local”, disse.
Entre os eventos que impulsionam a demanda estão o Miami Beach Pride, o Winter Party Festival e outras celebrações ao longo do calendário anual. Segundo ele, esses encontros funcionam como motivadores de viagem e costumam ser combinados com estadias prolongadas no destino.
Rios também acredita que a Copa do Mundo deve estimular novas formas de interação entre visitantes e moradores, inclusive dentro da comunidade LGBT. Para ele, encontros em bares e espaços públicos para assistir aos jogos devem se tornar parte da experiência turística durante o torneio.
“Tenho certeza de que haverá eventos e encontros para assistir às partidas. As pessoas vão se reunir, usar as camisas de suas seleções e celebrar juntas. Isso cria um ambiente de integração e celebração cultural”, concluiu.

