“A gente não pode ter medo da vida”

Marta Rossi, CEO da Rossi & Zorzanello

Com programação confirmada para acontecer entre 5 e 8 de novembro, o Festuris Gramado será o primeiro evento presencial do Turismo realizado em território nacional. Partindo da premissa de recuo nos índices da covid-19 no País, os organizadores do tradicional evento da Serra Gaúcha decidiram manter o encontro para ajudar a impulsionar os negócios em Turismo. “Temos a certeza que esta pandemia não terá fim no primeiro semestre de 2021, por isso não podíamos ficar parados”, explica Marta Rossi, CEO da Rossi e Zorzanello Feiras e Empreendimentos.

Com a coragem para empreender no DNA, a executiva comenta, em entrevista exclusiva ao Brasilturis Jornal, os desafios que surgiram pelo caminho e comemora a decisão que será fundamental para a reconstrução do setor de Turismo ao unir as duas pontas da cadeia – fornecedores e agentes de viagens – e investir na capacitação com profissional.  Cumpre também a missão de reconectar as pessoas, algo que todo o trade vem ansiando há tempos, com a dose de responsabilidade que o momento exige.

Entre as ações está a mudança no layout, presença de fiscais sanitários, obrigatoriedade de agendamento de reuniões, sanitização das dependências do evento e até uma consultora dedicada a questões relacionadas à biossegurança. “Chegou o momento de virar a mesa e falar do mercado, das possibilidades e da infinita capacidade que o ser humano tem de se adaptar e continuar seguindo em frente”, resume Marta.

Qual é o maior desafio que vocês vêm enfrentando para promover o evento em um cenário que ainda é restritivo?

Na verdade não existiu um grande desafio, mas sim muitos desafios grandes e constantes. O que nos ajudou a ter coragem foi a convicção de que a pandemia estaria recuando em outubro, a indignação de ver o Turismo e os eventos como vilões da pandemia, enquanto há mais de meses shoppings e outros segmentos já tinham retornado às atividades. Além disso, temos a certeza que esta pandemia não terá fim no primeiro semestre de 2021, por isso não podíamos ficar parados.

Os primeiros desafios que vieram foram motivar a equipe e libertar a turma das amarras do pânico. Depois tivemos de aprovar protocolos eficientes para o setor, junto ao governo e aos órgãos competentes, readaptando todo o layout da feira, seguindo os novos padrões. Outro desafio foi convencer expositores e participantes que a proliferação do vírus está muito mais em uma mudança de comportamento e respeito uns com os outros. E, por fim, a coragem e força de trabalho para colocar o evento de pé em 45 dias.

Que ações foram tomadas no sentido de garantir a segurança dos participantes no Serra Park?

Enquanto organizadores apresentamos argumentos convincentes e parcerias consolidadas para que a edição presencial fosse autorizada pelo governo estadual. Entre as parcerias está a Marcopolo Next, através da plataforma ‘safe check-in’ para o credenciamento online de todos os participantes do evento, sem a necessidade de contato físico. Um sistema moderno que possui leitor de temperatura, verificação de uso de máscara, validador de acesso e álcool gel para evitar contaminações por covid-19.

Além disso, a Imunizadora Hoffmann fará a sanitização das dependências do evento para evitar possíveis contaminações. E, para chancelar os protocolos e as boas práticas de biossegurança, está em andamento o processo de certificação de feira “Covid Free” junto ao Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde (IBES). Também contratamos Vaniza Schuler, consultora que conduziu todos os protocolos dos eventos-teste no Rio Grande do Sul e será a nossa especialista em biossegurança.

A estimativa é de receber 4 mil participantes presenciais durante os dois dias de evento, com organização para permitir a circulação de 1,7 mil por vez. Como será feito esse escalonamento para garantir o cumprimento dos protocolos estaduais?

Haverá uma redução do número de pessoas dentro dos estandes, diferentemente dos outros anos, quando os estandes, principalmente de destinos, traziam um grande número de profissionais. Também tivemos uma redução sensível do número de expositores, distribuindo-os em ilhas. Para evitar aglomerações, implantamos o agendamento obrigatório de reuniões em toda a feira. Teremos fiscais sanitários em todas as áreas e controle de acesso para não exceder a capacidade permitida. Continuamos com a mesma metragem dos outros anos em termos de área, apenas com um número menor de estandes.

O Festuris vai entrar para a história como o primeiro evento presencial do turismo latino-americano após a crise global. Qual é o papel que a feira pretende exercer nesse momento? 

Queremos exercer o papel de liderança no início das atividades presenciais e da retomada no Turismo. Em momento algum pensamos em fazer o evento para levar glórias, mas realizar o evento é uma questão de sobrevivência, tanto para nós quanto para quem é do Turismo, pois não é justo sermos tão penalizados. Somos o que sempre fomos: honestos, trabalhadores e apaixonados pela atividade. Para alcançar os melhores resultados, estamos trabalhando incansavelmente em todas as linhas de frente, como sempre fizemos. Somos os primeiros por questão de data, mas não os únicos. O Festival das Cataratas, por exemplo, foi anunciado antes do Festuris. Aliás, dois polos que são exemplos na retomada são Gramado e Foz do Iguaçu (PR).

Neste ano, vocês ofertam um novo espaço voltado à saúde e à biossegurança e outro para sustentabilidade. O que vocês podem adiantar em termos de oferta de fornecedores que participarão dessas áreas?

Biossegurança não será apenas um tema do momento, mas sim do futuro e que irá permanecer em nosso meio por muito tempo. Hoje o turista não escolhe o melhor destino, com melhor avaliação, somente em relação ao produto ou serviço que oferece, mas também leva em consideração a segurança que ele oferece ao seu cliente.

Em relação à sustentabilidade, vamos levar a ideia de destinos seguros, práticas ambientais e agricultura familiar. Nossa intenção é valorizar iniciativas sustentáveis, buscando consolidar esse tema como um dos pilares da feira.

O Festuris exerce um papel fundamental na promoção de Gramado para o mundo. Como a feira deste ano contribui para o desenvolvimento local e regional?

O Festuris vai mostrar, aos profissionais que aqui chegam, um estado altamente competente nos cuidados com a segurança de seus habitantes e de seus visitantes. A feira vai mostrar nossa região bonita, trabalhando normalmente e cuidando da segurança de todos. E, como sempre, Gramado estará linda com o Natal Luz.

O que você destaca como novidades dos expositores? A tendência de privilegiar o turismo doméstico e regional vem sendo contemplada na oferta dos estandes?

Faremos uma viagem pelo Brasil. Convidamos todos a conferirem as atrações que vamos apresentar aqui em Gramado. Os destinos brasileiros estarão bem representados nesta edição.

Festuris Connection Meeting: Como a oferta de conteúdo contribui para fortalecer o trade no momento atual?

Temos uma área para atender, no máximo, 300 participantes. E quando os temas foram elaborados, excluímos a pandemia, pois estamos cansados deste assunto. Chegou o momento de virar a mesa e falar do mercado e da infinita capacidade que o ser humano tem de se adaptar e continuar seguindo em frente. Há 15 dias decidimos excluir a transmissão online do conteúdo. Seremos presenciais na feira e também no Connection Meeting.

Como vocês enxergam o futuro das feiras e eventos após a pandemia?

Sempre defendi que as feiras presenciais jamais morreriam, porque o ser humano não sabe viver sozinho e em isolamento, mas iriam se modernizando e se adequando a cada tempo. A pandemia comprovou isso e acelerou os processos. Creio que, nos primeiros anos, enquanto a pandemia estiver em nossas lembranças, estes rigores nos controles vão permanecer.

Por fim, qual é o seu conselho para que os profissionais lidem com o cenário atual sem perder o otimismo?

Não se vitimizar, não lamentar apenas e usar o tempo que é preciso para encontrar caminhos. A gente não pode ter medo da vida, precisamos enfrentá-la, pois corremos riscos todos os dias.

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