Abav debate previsão de retomada com demais entidades no Youtube

De acordo com Eduardo Sanovicz, da Abear, o turismo doméstico deve ser o ponto de partida da retomada, visto que a segurança dos clientes será o foco das empresas

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional) promoveu, na tarde desta quarta (6), mais uma live no Youtube da entidade, abordando medidas para retomar as atividades.  Além de Magda Nassar, presidente da Abav Nacional, a transmissão contou com a presença de:

  • Rita Vasconcelos, do Conselho e ética, Conciliação da Abav Nacional
  • Renzo de Mello, diretor comercial e canais da Gol
  • Eduardo Sanovicz, presidente da Abear
  • Carlos Prado, presidente da Tour House
  • Orlando de Souza, presidente do FOHB
  • Ronnie Correa, diretor da Abreutur
  • Roberto Nedelciu, presidente da Braztoa

De acordo com Magda, como associação, a ideia é pensar em soluções, pontos específicos, protocolos e trâmites que sirvam de mola propulsora para a retomada. “Participamos de vários grupos e de discussões diárias com o governo a fim de trabalhar o que é melhor, o que vai ser efetivo, o que vai funcionar, complementa.

Segundo Sanovicz, foi iniciado um debate com Anac e Anvisa, com o objetivo de unificar um protocolo para o setor aéreo de Norte a Sul do País e que sirva para os mercados nacionais e internacionais. Dentre as medidas que estão sendo debatidas, o presidente da Abear citou uso de máscaras, aferição de temperatura antes do raio-x e distanciamento entre os passageiros.

“Tudo isso tem seus prós e contras e precisa ser estudado, porque temos terminais diferentes. Essa distância entre os passageiros é de uma forma em Guarulhos e Viracopos, mas e em Congonhas, que tem capacidade para 8 milhões de passageiros por ano e recebia 18 milhões por ano antes da crise? Esse conjunto está sendo debatido e, conforme entramos em um consenso, implementamos nas companhias e aeroportos”, declarou o profissional.

De Mello afirma que na Gol algumas medidas já foram adotadas, como a obrigatoriedade, a partir do próximo domingo (10), do uso da máscara nas aeronaves. “Também estamos incentivando o uso de aplicativo e do site para fazer check-in e implementamos o Self Boarding, reduzindo a necessidade de contato entre os colaboradores e os passageiros. Temos que retomar a confiança e, para isso, é necessário comunicação”, avalia.

De Souza reforça essa necessidade de protocolos e pontua que os empreendimentos hoteleiros terão de se renovar, visto que há inúmeros momentos em que o passageiro faz contato com pessoas. “É algo que vai ser definido ainda. Como vamos receber os hóspedes? Como limpar os quarto? Como vai funcionar o buffet de café da manhã? É uma proporção complexa. Estamos trabalhando nesse protocolo para que garanta segurança e, visto que a pandemia do medo ainda vai permanecer pós-pandemia, marcas que garantam isso, vão ter mais vantagens do que outras”, comenta.

Magda complementa Prado e reforça que a pergunta de quando a retomada pode ser esperada não pode ser respondida ainda. “Essa pergunta não cabe a nós, mas uma coisa que acho importante destacar é a necessidade abrir nossa cabeça. Tem de haver um entendimento maior e por isso estão sendo trabalhados esses protocolos, para trilharmos novos caminhos”, comenta.

Nedelciu declarou que mais que uma retomada, o fim da pandemia servirá para a renovação do turismo. “Nos primeiros meses, é contato, é massificação. Vamos ter os protocolos nacionais, estaduais, com alguns países abertos e outros abrindo de maneira gradual. Brasileiro gosta de viajar e não vai ficar muito tempo sem essa prática”, estima.

O representa da Abreutur concorda e toma a ciência do segmento aéreo para o mundo das operados: “é necessário passar segurança aos clientes”. “Como no 11 de setembro, tínhamos que vender segurança e as únicas diferenças hoje é que se tratar de um problema muito mais abrangente e que dessa vez é uma segurança sanitária”, relembra.

Prado, que recentemente fez uma viagem internacional e contou a experiência (disponível neste link), também falou a palavra renovação. “No oriente, já havia o costume de usar a máscara, algo que só começamos a fazer recentemente. São ações incrementais. Quanto mais os fornecedores anunciarem novidades que vão de encontro com o momento, mais tranquilidade será dada aos clientes. Eu viajei tenso, mas em meu retorno, já estava mais tranquilo”, conta o executivo, que também avalia a crescente adoção de lives como incremento.

Novas diretrizes

O representa da Gol, ao ser questionado quanto a sua composição tarifária, afirmou eu os preços dependem de diversos fatores, sendo a previsão um dos principais obstáculos. “Reduzimos nossa malha de 800 por dia para 50 por dia em maio e, em junho, ainda estamos trabalhando nos planejamentos. Além disso, acreditamos que o lazer tende a demorar mais que o corporativo, que haverá a necessidade de estímulos promocionais, bem como a questão de oferta e demanda. São diversos fatores, em linhas gerais”, aponta.

Sanovicz complementa, reforçando a ideia de retomada, em primeiro lugar, ocorrendo no turismo doméstico, impulsionado pelo aumento de assentos anuais e, claro, a vontade dos brasileiros em viajar. “Em 2005, quando a Varig foi embora, tínhamos 6 milhões de assentos anuais. Esse número chegou a 15 milhões de assentos, até a pré-pandemia, com a maior parte do fluxo representado por brasileiros. O doméstico vai ser mais atrativo, acredito que aquelas viagens que durem até três horas, que deixe o passageiro à vontade para voltar quando quiser, sem a preocupação de ficar preso ou ter outros problemas atuais”, comenta.

Correa ainda acredita que além do turismo interno, pode ser o momento de alavancamento de destinos da América Latina. “Seguindo a ideia das três do Sanovicz, esta pode ser uma oportunidade. Acredito que possa haver promoções agressivas e, apesar da alta do dólar, há preços atrativos e que atraem muitos consumidores”, declara.

O presidente da Braztoa ainda declara que o âmbito familiar deve ser o foco de muitos viajantes e lembrou o exemplo da China. “O país chinês já está abrindo, assim como a Nova Zelândia que já superou, mas com restrições aos estrangeiros. Teremos de esperar cerca de dois meses até ter a curva de declínio e haver segurança em receber brasileiros. Vai ter uma xenofobia em todos os países do mundo e, portanto, devemos esperar uma abertura mais gradual”, destaca.

Prado conclui com a expectativa de que, no último trimestre, já seja possível notar um recomeço que chegue a 50% do que era registrado no mesmo ínterim do ano passado. “Tudo vai passar. Temos que monitorar quanto tempo, baseado no pico e na descida de outros destinos para que cheguemos a uma previsão de cenário favorável. Voltaremos ainda mais forte do outro lado do oceano”, finaliza.

A live completa pode ser conferida neste link.

Próximas lives e webinars

A live desta quarta (6) faz parte da série de transmissões do programa Abav Talks, com lives que sempre acontecem diretamente no canal da entidade e webinars com salas fechadas e vagas limitadas. Confira a agenda deste mês:

  • 13/05 – 16h (live) – Consumidores e agências de viagens – o necessário equilíbrio, com a participação do  presidente da Associação Brasileira de Procons – PROCONSBRASIL, Filipe Vieira.
  • 14/05 – 16h (webinar) – Cá entre (a)gente: 6 reflexões sobre o “novo normal “ pós quarentena
  • 20/05 – 16h (live) – Como os destinos de curta distância e as empresas de transportes rodoviários devem se preparar para um novo cenário.
  • 21/05 – 16h (webinar) –  Shit happens e estratégias mudam: como sobreviver à quarentena e permanecer vivo nas redes sociais
  • 27/05 – 16h (live) – ABAV Tech apresenta o case: boas práticas adotadas durante a pandemia que ficarão incorporadas na cultura organizacional das empresas
  • 28/05 – 16h (webinar) –  Como vender em tempos de crise: sua marca provedora de conteúdo

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