Abav homenageia profissionais no Dia Nacional do Agente de Viagem

Abav Nacional divulga peças de e-mail marketing, cards e posts em redes sociais para os agentes; profissionais pontuam os principais problemas da atividade atualmente

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional) está comemorando o Dia Nacional do Agentes de Viagem com uma ação de marketing. A iniciativa reúne peças de e-mail marketing, cards, posts de redes sociais e um vídeo em homenagem e reconhecimento aos profissionais, em uma ação que tem parceria do Brasilturis Jornal.

Sem paralisar suas atividades nos últimos meses, apesar das atuais dificuldades causada pela pandemia da covid-19, os agentes seguem confiantes de que a retomada os tornará mais fortes e essenciais no atendimento ao consumidor. Entretanto, os profissionais pontuam que existem grandes obstáculos que, independentemente da crise, precisam de solução urgente para garantir o fortalecimento da atividade no País.

Confira o vídeo desenvolvido pela entidade e a opinião dos agentes (abaixo):


Voz do agente: Problemas decorrentes da Responsabilidade Solidária agravam cenário

Além das ferramentas criadas para manter o interesse dos visitantes, entretanto, é preciso ir muito além se o objetivo é apoiar a cadeia do Turismo. Atuando no mercado de Turismo há 21 anos, com três graduações, vivência fora do País por mais de uma década e passagens por grandes empresas, Tiago Tavares, proprietário da Younique Travelling, de Varginha (MG), acredita que o problema central é anterior à crise e tem base na falta de legislação que proteja o agente de viagens. “Não existem leis que nos protegem, não existe fiscalização que cobre uma postura em relação aos requisitos essenciais para a atividade. Qualquer pessoa leva dois minutos para entrar no site da Receita Federal, criar um MEI [microempreendedor individual] e se autointitular dono de agência de viagens”, lamenta.

O pior obstáculo, na opinião dele, é a responsabilidade solidária. “Uma lei muito mal intencionada porque nós, como intermediadores de serviços de turismo, somos juridicamente responsáveis pelo nosso fornecedor e acabamos sendo responsabilizados por todo o risco dessa prestação de serviço, sendo que não está em nossas mãos o desenvolvimento e a entrega. Somos julgados por tudo o que acontece na cadeia de prestação de serviço, tentamos nos precaver, antecipar os problemas, mas acabamos responsabilizados pela má fé de certos fornecedores”, diz.

A falta de segurança financeira em relação à operação desses fornecedores também é apontada pelo profissional. “Não existe, no Brasil, um seguro para que empresas aéreas, redes de hotéis e operadoras de viagem possam proteger o seu negócio, o negócio dos intermediários e o consumidor final, nem um produto que cubra a falência de empresas”, aponta, citando a quebra da Soletur (2001) “que deixou passageiros sem viagem, sem reembolso dos valores pagos e sem respaldo”. “Logo depois teve a Transbrasil, Varig, Vasp e, mais recentemente a Turnet. O problema é que quando o passageiro não recebe o que comprou, ele vem atrás da gente”.

“Precisamos de respaldo porque uma coisa puxa a outra.”

Para ele, outro erro está na falta de critérios para a concessão de crédito. “Não é só durante a pandemia, vejo que isso acontece ao longo desses 21 anos que estou no Turismo. A entrada da internet facilitou o acesso à informação, mas trouxe também muitos problemas. No mundo que vivemos, lucratividade é o maior fator de risco de todas as empresas porque existe busca constante por preço, em detrimento de qualidade, e as pessoas são ludibriadas por propagandas enganosas e promoções falsas. Fornecedores abrem crédito a qualquer um para poder vender e, principalmente, para poder lucrar”, defende.

Falando especificamente dos problemas decorrentes da pandemia, com lucidez e propriedade, Tiago aponta o caixa das empresas como grande preocupação. “As empresas já receberam o dinheiro da passagem aérea, do hotel, do serviço que o agente de viagens vendeu e ele já entregou sua parcela de lucro na manutenção de sua rotina de empresário que tem contas para pagar, salário de funcionários, impostos… As empresas não têm caixa para devolver o dinheiro para todo mundo, o que faz desse o nosso maior problema hoje. Não é solucionar os problemas dos clientes, mas dar credibilidade aos consumidores, já que essas empresas, em vez de reembolsar, estão dando cartas de crédito para entregarmos aos clientes para uso futuro. Só que a gente não sabe se a operadora estará operando no ano que vem. Essa instabilidade é o maior desafio pelo qual estamos passando”, explica.

Por fim, o empresário citou a questão do câmbio flutuante para venda internacional que reforça a insegurança em relação ao futuro. “A gente não sabe se as operadoras vão conseguir honrar compromissos com passagens aéreas, hotéis, trânsito de grupos internacionais porque, com certeza, eles não fizeram essa transferência internacional, além do sinal obrigatório. Eles estão esperando e isso vira uma bola de neve porque o provedor lá nos Estados Unidos não vai realizar o trabalho se não cobrar tudo agora do fornecedor que, por sua vez, já gastou o dinheiro do cliente. Nessa cadeia, todos quebram a corrente e nós não temos como saber se os serviços estão sendo pagos”, finaliza.

Voz do agente: É hora de demitir clientes desonestos e fornecedores interesseiros

Agente de viagens há 29 anos e, desde 2017, atuando com negócio próprio, Andrea Marzagao, CEO da Gaia Turismo, de Campinas (SP) concorda com o colega de Varginha: os problemas são anteriores ao novo coronavírus. Entretanto, ela acredita que flexibilidade e paciência podem ajudar a vencer os obstáculos. “Passei por telex, OAG, fax, emissão manual, plano Collor, 11 de setembro, e ainda acredito que NADA tem o poder de derrubar uma pessoa adaptável”, defende.

A executiva pontua o desequilíbrio financeiro e comercial existente no trade brasileiro e global, reforçado com a chegada das OTAs “ganhando milhões, enquanto os agentes de viagens mal pagam as contas”. Andrea também lamenta a existência de passageiros que “usam nossa consultoria gratuita para comprar na internet por um valor 2 dólares mais barato que o nosso”, lamenta.

Na opinião dela, isso já está mudando. “Com a chegada do novo coronavírus, cancelamento de voos e fechamento de hotéis, atrações e países, muitos passageiros que compraram nas OTAs se prejudicaram, ficaram sem produto, sem atendimento, com reembolso pífio. Nunca antes na história se arrependeram tanto de não terem comprado de uma agência de viagens”, diz.

Andrea defende que o agente de viagens preserve o valor da consultoria nos casos de reembolso. “Não existe reembolso integral! O serviço foi prestado, e não se pode voltar atrás e pegar de volta as contas pagas, os salários dos funcionários, os encargos governamentais quitados. Um advogado não devolve honorários porque perdeu a causa. Um médico não devolve o valor da cirurgia onde o paciente morreu”, compara.



“A solução do turismo somos nós, nos aperfeiçoando, aprendendo com os bons influenciadores, fazendo parcerias, sendo autênticos.”

Valorizando atributos como o atendimento humanizado e o respeito às pessoas – e não aos números – Andrea acredita em um futuro mais compassivo e menos ganancioso. “Haverá demissões, infelizmente. Atualmente há muitos profissionais ruins no mercado, e seguindo a lei da oferta e da procura e a evolução das áreas, acredito que serão mantidos aqueles que tiverem mais experiência, flexibilidade, domínio de idiomas, conhecimento de sistemas GDS, abertura aos novos aprendizados, gentileza e empatia no trato. Para isso, você não precisa necessariamente de um diploma, mas ser adaptável a novos cenários.

Para ela, é na hora incerta se conhecem os parceiros certos. “Quem ficar só reclamando não terá mais espaço. Robôs são excelentes, mas não conseguiram fazer reacomodação, ajuste de voo, reembolso de hotel, alteração de pacote que seja. É hora de demitir clientes desonestos e operadoras interesseiras, que só investem em propaganda, mas quase não dão valor às pessoas que fazem o turismo girar no Brasil. Vai sobreviver a operadora que já negociar valores de serviços, hospedagens e tours a partir de julho/2020, Natal, Réveillon, férias e carnaval, as que forem mais flexíveis e tiverem suporte 24 horas. O mercado é igual à teoria da evolução de Darwin: só sobrevive quem se adapta a novos cenários. Sem pessoas, o turismo não existe! Sairemos muito mais fortalecidos”, finaliza

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*Texto atualizado em 9/6; correção no nome da Younique Travelling

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