Abracorp promove videoconferência sobre cenário pós Covid-19

Reforço em processos de higienização e investimento em tecnologia destacam-se no cenário pós Covid-19

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Foto: reprodução

Na última semana, a Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) promoveu a segunda sessão de videoconferência com lideranças do setor. Na ocasião, o cenário do turismo pós Covid-19 (novo coronavírus) foi discutido.

“O foco deste bate-papo não conflita com normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”, afirma Gervasio Tanabe, presidente executivo da Abracorp, que ao lado de Carlos Prado, presidente do Conselho de Administração da entidade moderou a transmissão.

O encontro contou com a participação de Jamy Jarrus Jr., diretor executivo de Vendas e Marketing da Movida; João Nagy, CEO do Grupo WTC SP e Matt Teixeira, diretor de Vendas Internacionais da Best Western Hotels & Resorts.

A tecnologia e os novos processos de higienização são os pontos chaves do próximo ciclo. Segundo Jarrus, a Movida aproveitará o momento para investir em tecnologia. “Nós já sabíamos que as pessoas não querem pegar filas nas lojas, mas agora temos certeza. Resgatar a confiança da demanda é o principal desafio. Por isso, é preciso dar visibilidade às boas práticas adotadas na limpeza”, ressaltou.

“Desconstruir a insegurança é foco setorial e objetivo comum. Requer de todos, incluindo as agências associadas, o uso progressivo de recursos como RPA (Robotic Process Automation ou Automação Robótica de Processos); inteligência artificial, IoT (Internet das Coisas) e aprimoramento dos cuidados adicionais no processo de comunicação”, pontua Prado.

Dinâmica de relacionamento com as TMCs

Considerando que novos investimentos serão necessários, ao mesmo tempo em que a demanda estará reprimida, “a dinâmica de relacionamento com as TMC’s vai mudar?”, indagou Tanabe. “A substituição do faturamento por meios eletrônicos de pagamento será adotada pela hotelaria?”, acrescentou.

“Vamos depender muito das agências de viagens, das operadoras e das tecnologias, por meio das quais as reservas serão feitas”, cravou Teixeira, que também foi categórico quanto à necessidade do mercado brasileiro “sair do faturamento, para reduzir custos operacionais, ajudar o cash flow e os hotéis pararem de financiar”. Nagy concorda e propõe que “os hotéis, os centros de convenções e as TMCs precisam se unir e garantir o pagamento em tempo real”.

Jarrus concorda com os dois hoteleiros e pondera em favor da mudança de foco das TMCs, considerando que “a cada 10 passagens aéreas vendidas, oito reservas hoteleiras são feitas e duas locações”. Acrescenta que a tendência é a demanda pelas viagens de curta distância retornar um pouco antes das internacionais. “Daí a necessidade de se criar mais proximidade com as TMCs; construir novos produtos e modelos de relacionamento, tendo em vista o crescimento do mercado de locação no país”.

Guerra tarifária

Ante a impossibilidade de se prever o futuro do mercado, tendo em vista que desde já novos investimentos precisam ser realizados, Tanabe lembrou que já existem anunciadas no mercado promoções tarifárias com vendas antecipadas. E indagou a todos os convidados: “Qual será a política de precificação em geral, no setor”?

“Não acreditamos em guerra tarifária, mas sim na adequação da oferta. Estamos em uma indústria madura”, afirmou Jarrus. De acordo com o porta-voz da Movida, esta prática já vinha sendo adotada no âmbito das locadoras. “O cenário de competição será equilibrado”, reiterou.

“Guerra tarifária gera prejuízo para todos, mas ela pode existir, porque no Brasil o dinheiro é caro e o nosso produto não tem um valor justo”, argumentou Nagy, do Grupo WTC SP.

Teixeira, da Best Western, discorda. “Aqui, nos EUA, autoridades governamentais ainda viajam muito. Não é o momento de uma guerra tarifária”. Para ele, a demanda não vai responder apenas à tarifa; considera as videoconferências como concorrentes; a segurança faz parte da negociação e que os hotéis que atendem as necessidades do consumidor serão beneficiados.

Adequação da oferta

Adequar a oferta à demanda, excluindo da reserva os assentos do meio nas aeronaves ou mesmo espaçando a ocupação dos apartamentos nos hotéis, são medidas cogitadas durante a pandemia. Mas descartadas para depois.

“Preciso ter todos os apartamentos abertos e disponíveis, mas a quantidade da oferta por canal é uma possibilidade”, reconheceu Teixeira. Para Nagy, não faz sentido, por questão de segurança, reduzir a ocupação por quarto, mas a adequação das despesas trará redução da oferta do room service. Inclusive “bares e restaurantes não podem estar abertos por exigência das autoridades”, lembrou e previu que a demanda por eventos business to business (b2b) tende a retornar antes dos eventos sociais.

O presidente do Conselho de Administração da Abracorp, Carlos Prado, informou que em call realizado com o Palácio dos Bandeirantes, incluindo o governador do Estado e outras lideranças setoriais, a FIESP sugeriu e todos concordaram em criar uma espécie de cartilha, contendo a recomendação de protocolos.

“Esse é o primeiro passo a ser dado, prevendo o início da retomada gradual para o dia 11 de maio, caso os indicadores de contaminação não obriguem a volta do lock down”, afirmou Prado. Já nos agradecimentos finais, ressaltou “gostei de ouvir que nós somos importantes na estratégia de distribuição de todos vocês. Sejamos todos nós fiscais uns dos outros, com o firme propósito de nos protegermos mutuamente”.


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