Aeroporto de Guarulhos: novas rotas, múltiplas funções

João Pita explica como o Aeroporto de Guarulhos trabalha para atrair rotas e detalha as novidades no maior aeroporto do País
João Pita, gerente de Negócios Aéreos da GRU Airport, detentora do Aeroporto de Guarulhos (Foto: Divulgação)

Desde que foi concedido à iniciativa privada, em novembro de 2012, o Aeroporto de Guarulhos – que completa 35 anos nesta segunda-feira (20) -, em São Paulo, vem apresentando melhorias na estrutura e novas rotas que hoje conectam o estado paulista a 104 destinos – 51 internacionais e 53 domésticos – de 40 companhias aéreas. No ano passado, o aeroporto registrou 42,2 milhões de passageiros, com share doméstico de 64%. Para se ter uma ideia, no ano anterior à concessão, o número de viajantes em Guarulhos chegou a 32 milhões.

João Pita, gerente de Negócios Aéreos, afirma que parte do sucesso se deve à abertura para uma maior diversidade de operações, o que permite estender o atendimento a diferentes perfis de público – de adeptos do modelo low costs até clientes da aviação executiva. Depois de inaugurar o terminal 3 (em maio de 2014) e melhorar a experiência do passageiro no terminal 2, a concessionária investe na ampliação do mezanino do terminal 1, além de trabalhar na operação do pátio 7, novo espaço para aeronaves de grande porte.

O Aeroporto de Guarulhos, que entrou em operação em 1985 como o mais importante hub aéreo do País, hoje é considerado o principal complexo aeroportuário da América do Sul, com uma média de movimentação de 120 mil passageiros nos 830 pousos e decolagens diários. Para seguir a expansão, Pita reforça o compromisso de atuar em conjunto com poder público, empresas de Turismo e companhias aéreas. E anuncia: Há negociações em andamento para inaugurar uma rota direta do Brasil com a Oceania e estrear um novo destino nos Estados Unidos.

Aeroporto de Guarulhos: entrevista com João Pita

Brasilturis Jornal – Qual é o maior desafio na administração de um aeroporto do porte de Guarulhos, tendo em vista os gargalos que ainda impactam a aviação brasileira?

João Pita – Essa pergunta envolve várias questões. Há o preço do querosene, que continua sendo o principal entrave à expansão. Com a redução do ICMS no estado de São Paulo, tivemos resultados incríveis, o que prova que uma eventual liberalização do combustível e da cadeia de distribuição e refino pode ter impactos ainda maiores. Na comparação entre setembro de 2018 e o mesmo mês de 2019, a Azul cresceu de 11 destinos domésticos para 19; Gol operava 34 e agora tem 39; e a Latam subiu de 29 para 33.

A questão regulatória e as incertezas que pairam sobre os negócios no País é outro gargalo, pois faz com que companhias aéreas internacionais e investidores estrangeiros nos olhem com alguns pontos de interrogação. E o terceiro ponto é a necessidade de ter mais marcadores para expansão e para a melhoria contínua de companhias e aeroportos. Seguimos com otimismo e somos proativos na busca do negócio e do aumento de capacidade, pois entendemos que a aviação é um mercado global extremamente competitivo.

BJ – Essa estratégia de expansão, aliada a políticas públicas, permitiu a chegada das companhias low cost a Guarulhos. Como o Aeroporto de Guvem se preparando para receber essas operações?

JP – Somos um aeroporto que consegue receber qualquer tipo de companhia aérea. O que uma low cost quer eficiência. É isso que conceitua o modelo de negócios, ela quer ser mais ágil e o aeroporto dá todas as condições para que isso aconteça. Estamos preparados para pousos e decolagens em 40 minutos, no máximo, e processo rápido de embarque.

BJ – E em relação às aéreas internacionais que anunciaram recentemente a retomada ou o início de voos? Como essas operações vão impactar o fluxo de passageiros neste ano?

JP – Essas operações que foram anunciadas já se enquadram na estrutura. Temos como estratégia diversificar destinos e fortalecer rotas de grandes mercados a partir de São Paulo, como é o caso da Virgin, com Londres. Todas as operações têm horários atrativos, o voo da Air Canada para Montreal chega e retorna pela manhã, o que permite rápidas possibilidades de conexão, assim como a ligação da Gol com Lima, no Peru. A Lufthansa vai voltar a servir Munique, na Bavária, uma das regiões mais ricas da Europa. É um voo que tem apelo enorme, foi uma pena quando a frequência foi suspensa. Agora, com o avião certo, teremos sucesso.

BJ – Como é feita a prospecção de novas rotas? Quantas pessoas trabalham exclusivamente para isso e quanto tempo leva, em média?

JP – Vou usar o caso da Virgin. Falamos com eles pela primeira vez em 2014 e a rota só se tornou realidade agora, em 2020. O desenvolvimento de mercado para novas rotas é um trabalho de longo prazo porque analisamos o fluxo de passageiros em São Paulo e no destino que pretendemos servir. Em seguida, procuramos a companhia aérea com capacidade para atender ao mercado e falamos conjuntamente com aeroporto do destino para mostrar os possíveis resultados dessa rota em termos de receita, número de passageiros, número de voos e horários. Temos duas pessoas ligadas diretamente a esse trabalho em Guarulhos e todo um time de suporte que fornece análise de PIB e dados econométricos.

BJ – Que novidades os brasileiros podem esperar em termos de destinos conectados?

JP – Um mercado que está preparado para ter uma rota direta é, sem dúvidas, São Francisco, nos Estados Unidos. Essa é uma das nossas grandes prioridades, junto com Auckland, na Nova Zelândia, que é uma enorme porta, tanto para os brasileiros como também para receber turistas da Oceania. O segredo é a alma do negócio, mas posso dizer que estamos conversando com companhias aéreas nos destinos e seguimos bem confiantes. Devemos anunciar novidades em cerca de quatro meses, mas isso também depende muito de questões internas como a retomada da economia e o câmbio. São duas apostas estruturantes para a malha aérea não apenas de São Paulo, mas do Brasil. 

BJ – E em relação à América do Sul? Já existem resultados concretos?

JP – Estamos nos aproximando dos agentes de viagens para entender quais são os mercados mais aquecidos para trabalharmos no continente. Vivemos um momento desafiador porque, hoje, viajar para Argentina e Chile é mais barato para brasileiro, mas os mercados destes países estão com economias instáveis. Adoraríamos ter ligações diretas com Ushuaia (Argentina), Calama (Chile), Cartagena (Colômbia) e Cusco (Peru), só para mencionar alguns, mas estamos na fase de planejamento e trabalhando junto com o mercado para ampliar as conexões com a América do Sul que é, sim, prioridade. Depois, queremos desenvolver Cancún (México) e a região do Caribe que tem forte apelo entre os brasileiros.

BJ – Em termos de diversificação de formatos, vocês iniciaram a operação internacional do terminal executivo. Quanto tempo levou para transformar a ideia em realidade e como funciona a estrutura?

JP – Foram mais de dois anos para concretizar a ideia deste que é o primeiro terminal do gênero que funciona dentro de um aeroporto deste porte, em um esforço coordenado com as autoridades migratórias e aduaneiras que fazem os procedimentos no local. O hangar tem de 10 a 12 aeronaves permanentemente estacionadas, um sinal que o mercado da aviação executiva entende o potencial de São Paulo para esse cliente. Mais do que aumentar número de passageiros, entretanto, queremos expandir a circulação desse perfil de cliente que vem ao Brasil em busca de negócios. Temos capacidade para atender de 20 a 30 pessoas, entre processos de embarque e desembarque, mas é raro ter mais de um voo ao mesmo tempo.

BJ – O que esperar para 2032, quando termina a concessão?

JP – Seguiremos com postura proativa, em busca do negócio, e investindo em ferramentas tecnológicas, como os e-gates, que facilitam a vida do passageiro, além de oferecer cada vez mais conforto para todos os que estão no aeroporto. Mais do que tudo, queremos dar condições para que cada passageiro, com perfil e demandas próprios, consiga ser servido de maneira eficiente. Atender desde o cliente de low cost, que busca agilidade, até a pessoa que viaja com jato executivo ou que vem de helicóptero e quer poupar cada minuto da sua viagem. Entendemos que o futuro é esse.


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