Alagoas: Conectividade aérea é trunfo para retomada

Rafael Brito, secretário de Turismo de Alagoas, destaca o trabalho junto às operadoras, projeta ampliação da malha aérea para 80% em dezembro e adianta novidades em infraestrutura

Alagoas
Rafael Brito, secretário de Turismo de Alagoas

Passos lentos, mas firmes em direção à reabertura definitiva. É dessa forma que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) vem trabalhando a retomada da visitação em Alagoas. À frente da pasta, Rafael Brito se empenha pessoalmente para posicionar o estado no topo do ranking dos turistas no pós-crise. “Preferimos segurar um pouco para não correr o risco de abrir de forma precoce e ter de voltar atrás. Nossa intenção é garantir ao viajante a segurança necessária para voltar a frequentar nossos destinos”, afirma.

Ele reforça que os hotéis que optaram por suspender as atividades não o fizeram por determinação estadual, mas por uma decisão mercadológica relacionada à diminuição na demanda. “Os decretos de isolamento não incluíam fechamento de hotéis e muitos estabelecimentos já reabriram as portas, com os devidos cuidados, para atender a uma demanda regional”, diz. Segundo Brito, pousadas no litoral norte relatam aumento na demanda aos finais de semana. Bares e restaurantes devem reiniciar o atendimento na próxima quarta-feira (15/7).

Para garantir segurança na reabertura, Alagoas criou um dos protocolos mais rígidos do País, com base em diretrizes da Organização Mundial da Saúde e incluiu orientações da Organização Internacional do Trabalho para a proteção dos trabalhadores de diversos setores produtivos. Enquanto o protocolo geral dita as regras para todos, documentos setoriais orientam os passos para cada ramo de atividade. Ambos têm 100% de adesão do trade turístico, motivo de comemoração para o secretário de Turismo. “As diretrizes foram construídas em conjunto e debatidas com cada segmento da iniciativa privada, além da sociedade civil e do Ministério Público”, explica.

Alagoas Feita à Mão

Um dos segmentos contemplados nas medidas protetivas é a cadeia de artesãos. “Todos estavam em um momento complicado, sem conseguir expor seu trabalho nas feiras nacionais e sem receber turistas”, diz. Parte importante da experiência do viajante em diversos destinos mundo afora, a produção associada ao turismo é extremamente vulnerável à queda na demanda, já que uma parcela significativa da renda dos empreendedores é obtida por meio da venda de souvenires.

Para auxiliar esses empreendedores, a Sedetur criou o “Alagoas Feita à Mão”, um marketplace que permite o contato direto do artesão com os compradores em todo o território nacional. As peças não se restringem ao artesanato típico conhecido pelos turistas, incluindo também peças contemporâneas de decoração produzidas localmente. Segundo o secretário de Turismo, o portal registrou venda de R$ 100 mil no primeiro mês de funcionamento. “Ele vem sendo atualizado dia a dia porque tem muito artesão que ainda não se cadastrou. Vamos seguir com a iniciativa, inclusive disponibilizando fotógrafo para registrar as peças”, explica. Em 2019, o faturamento com a venda de artesanato alagoano em feiras nacionais totalizou R$ 1 milhão, segundo ele.

Olhando de dentro para fora, Rafael Brito afirma que vem tendo conversas semanais com grandes operadoras nacionais para reforçar a divulgação dos destinos alagoanos para viajantes de todo o País. O investimento em mídia nessas empresas visa fortalecer a imagem de segurança do estado para reconquistar a confiança do turista. “Já estamos na lista de destinos mais pesquisados nas plataformas das operadoras e com esse trabalho estruturado, acredito que sairemos na frente”, defende.

Outra vantagem de Alagoas no pós-crise é a conectividade aérea. Neste mês de julho, segundo Brito, o estado conta com 35% da malha de 2019 e a previsão é expandir para 80% em dezembro. “É uma meta bastante real, considerando o que estamos oferecendo às companhias”, diz. O estado irá manter o incentivo fiscal ao setor – que concede alíquota de 5% de ICMS no querosene de aviação – sem nenhuma contrapartida das empresas por 12 meses. “Como a procura tem sido alta, naturalmente o mercado vai se regular e resultar em mais voos para Alagoas”, completa.

O mar também traz boas notícias para Alagoas, com o anúncio recente da MSC Cruzeiros que retoma as operações no porto de Maceió. Após um hiato de dez anos, a armadora incluiu 15 escalas de dois de seus navios na capital alagoana durante a temporada 2020/2021. “Em 2019, tivemos nove paradas de navios de todas as companhias. Iniciamos um trabalho forte com essas empresas e estamos fazendo um investimento estadual forte em estrutura, organização e logística para receber os cruzeiristas no final do ano”, diz.

Obras estruturantes

O reforço em infraestrutura também está nos planos da Sedetur, com obras que beneficiam turistas e locais. A maior delas é o aeroporto de Maragogi que, segundo Rafael Brito, terá suas obras iniciadas ainda neste ano, com 100% de recursos do estado. O projeto deve consolidar essa região – que já é bastante procurada e tem a segunda maior rede hoteleira de Alagoas, atrás apenas da capital – entre os principais polos turísticos do Nordeste e trazer ainda mais desenvolvimento para os moradores do Litoral Norte.

Outra iniciativa importante é o saneamento básico de Maceió que, segundo o secretário, se transformará “na primeira capital do Nordeste a ter universalização no abastecimento de água e esgoto”. O escopo das obras se estende a Maragogi, em parceria com o Comitê Andino de Financiamento (CAF), e tem garantia de recursos. “O dinheiro já está na conta”, diz o secretário, destacando que outras obras incluem urbanização do Litoral Norte e inclusão de ciclovias em alguns destinos.

A duplicação da AL-220, segundo Brito, está em processo adiantado e deve ser concluída em dois anos. A rodovia liga Maceió a Delmiro Gouveia, cidade conhecida por ser um dos pontos de partida para conhecer os cânions do São Francisco, no sertão alagoano. “Estamos na metade do caminho, em Arapiraca, iniciando obras para o trecho final. Até Olho D’Água das Flores a gente entrega, com certeza até 2022, mas estamos fazendo um esforço grande para chegar a Delmiro Corrêa”, diz.

Destino de filmes, séries e novelas brasileiras, a região às margens do Rio São Francisco tem belas paisagens, muita história ligada ao cangaço e um povo bastante hospitaleiro que deve ganhar muito com a duplicação da rodovia. “Queremos promover o desenvolvimento não somente com o Turismo, como em todas as outras atividades econômicas”, finaliza. Não é à toa que Turismo e Desenvolvimento Econômico caminham juntos em Alagoas.

Duplicação da rodovia vai facilitar acesso às paisagens cinematográficas do sertão alagoano (Fotos: Camila Lucchesi)
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Promoção internacional

Com o anúncio de manutenção do voo entre Lisboa e Maceió feito recentemente pela TAP, Rafael Brito reforça que Alagoas deve reiniciar os trabalhos de promoção internacional “tão logo a barreira de trânsito entre Brasil e Europa caia.” Além de Portugal, também está nos planos da secretaria a divulgação dos destinos alagoanos na Espanha, França e Itália. “Vamos voltar a esse trabalho da mesma forma que fazíamos antes, com mídia programada e ações de guerrilha, com um investimento forte do estado, maior do que o da própria Embratur”, diz.

Argentina também está na estratégia internacional e deve ser intensificada com a criação de um voo direto entre Buenos Aires e a capital alagoana. “A negociação com a Aerolíneas Argentinas vinha muito acelerada, seguiu com a troca de governo de lá e foi interrompida pela pandemia”, explica Brito, reforçando que não acredita em retrocesso. “No estágio em que estávamos, acho muito difícil que eles voltem atrás”, comenta. Será o segundo voo ligando os dois destinos, já que a Gol opera o trecho desde 2016.

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