Alitalia adia retorno de voos entre Brasil e Roma para outubro

Informação foi divulgada durante encontro promovido pela Enit que também destacou a oferta de roteiros de peregrinação e o impacto da pandemia no segmento de feiras e eventos

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Durante encontro virtual promovido pela Agência Nacional Italiana de Turismo (Enit), Nelson de Oliveira, diretor da Alitalia no Brasil informou que a retomada da ligação aérea entre o País e Roma será adiada para outubro. “A Itália vem reabrindo sua economia de maneira extremamente cuidadosa para que esse movimento seja consciente e não haja a possibilidade de ocorrer uma segunda onda, o que é o grande temor dos países europeus”, explica.

Nelson de Oliveira

Os voos, suspensos desde abril, estavam previstos para retornar à malha da companhia italiana em setembro, mas ainda não há detalhes sobre a operação. “Vamos confirmar esse cronograma o mais rápido possível”, afirma o executivo. Fernanda Longobardo, diretora da Enit no Brasil, reiterou a preocupação do país europeu com a segurança de moradores e visitantes. “A Itália é um país seguro para viajar. Temos um protocolo geral, com 46 páginas e orientações criadas para aeroportos, hotéis, praças, restaurantes, parques naturais… Para todos os lugares. Também há documentos específicos criados por algumas regiões e estamos à disposição para informar as normas ao trade”, afirma.

Fernanda Longobardo

Segundo ela, não há previsão para a reabertura dos destinos para viajantes brasileiros até o fim de julho. “Essas informações são atualizadas diariamente e podem mudar em breve. Por enquanto, não há novidades. Tudo vai depender do controle da pandemia no Brasil”, diz.

Tradição em eventos

A reunião faz parte de uma estratégia da Enit de promover encontros virtuais acompanhados de pizza para se aproximar de parceiros em um momento no qual os eventos presenciais estão proibidos. “Decidimos fazer essas reuniões informais, levando o sabor e o aroma da Itália para a casa de agentes de viagens, operadores e jornalistas para reforçar a oferta turística e a parceria da Itália com o mercado brasileiro”, explica. Os encontros acontecerão até outubro, com grupos de até 30 pessoas.

Fernanda reforça também que, além da gastronomia e da cultura mundialmente conhecidas, a Itália tem muita expressão no segmento de feiras e também em roteiros de peregrinação. Para destacar esses pontos, a Enit convidou três especialistas: Ferdinando Fiori e Ronaldo Padovani, respectivamente diretor e analista sênior da Italian Trade Agency (ITA); e Antonio Jr, administrador de empresas, gestor hoteleiro e autor de livros e documentários focados em rotas peregrinas.

Ferdinando Fiori

Os executivos da ITA, agência governamental que assiste empresas italianas no processo de expansão em mercados internacionais e promove a atração de investimentos estrangeiros na Itália, destacaram a aposta do país em eventos virtuais nessa primeira fase da pandemia. “A Semana de Moda de Milão, evento que era aquela loucura com desfiles, festas, reuniões de compradores com vendedores, na semana passada foi realizada de forma virtual”, conta Fiori. O evento teve apenas dois desfiles presenciais – sendo categorizado pela mídia especializada como ‘figital’ – e envolveu outras 40 marcas que mostraram suas coleções em um marketplace.

Segundo Padovani, antes da pandemia a Itália realizava 191 eventos anuais em 31 cidades de norte a sul. “Esses eventos surgiram por uma necessidade do país após a Segunda Guerra Mundial. A Itália precisava exportar, porque seu mercado interno era muito pequeno, e começou a organizar encontros para atrair visitantes da Europa e de outras nações”, explica. Hoje, o setor tem grande representatividade na economia italiana e não parou de se articular durante a pandemia.

Ronaldo Padovani

“A covid-19 atrapalhou tudo, mas os organizadores de eventos passaram a apostar na exposição virtual para não perder share e oportunidades de negócios. Fazendo uma conta por baixo, apenas o Salão do Móvel, evento que atrai 360 mil visitantes, sendo 220 mil estrangeiros, gera uma movimentação financeira de pelo menos 200 milhões de euros, contando apenas hospedagem, restaurante e passagem aérea”, diz.

Ele acredita que o ambiente virtual é um modelo de transição e deve permanecer em evidência apenas até que se encontre uma vacina para o novo coronavírus. “Eles podem seguir como eventos complementares ou para setores mais técnicos. Após isso, podem seguir ocorrendo com oferta de conteúdo extra para quem não consegue participar fisicamente. No caso do Turismo, no segmento de alimentos e bebidas e em outros que requerem contato e experimentação, entretanto, o evento virtual nunca irá superar o presencial”, opina.

Rota Francigena

Antonio Jr.

O segundo convidado da Enit falou sobre sua experiência na Rota Francigena, mostrando um importante complemento à oferta turística mais conhecida da Itália. Em 2016, Antonio Jr percorreu um dos vários caminhos do roteiro que corta o país de norte a sul, conhecendo 194 municípios italianos em sua peregrinação. “O caminho permite ter contato com a Itália genuína, observando a mudança nos hábitos dos moradores, a transição na arquitetura e a gastronomia que muda de região para região”, conta.

Segundo Fernanda, a rota é formada por uma série de caminhos alternativos que levava peregrinos da Europa ocidental para Roma desde a Idade Média. “A rota recebe milhares de turistas do mundo todo e, nesse momento, já vem recebendo peregrinos e turistas de regiões próximas, interessados em ter contato com a natureza e com a espiritualidade, tendências que se destacaram com a pandemia”, finaliza a diretora da Enit.

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