Alitalia desmente boatos e reforça continuidade das operações

Aérea italiana passa por reestruturação; novo modelo de gestão deve ser anunciado em junho
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Nelson Oliveira, Benedetto Mencaroni e Nicola Bonacchi

Nova ligação direta entre São Francisco (EUA) e Roma, recolocação estratégica de voos em Tóquio, crescimento de malha na Alemanha e aumento no fluxo entre Brasil e Itália. Em viagem a São Paulo, executivos da Alitalia utilizaram dados sobre ações iniciadas recentemente e programadas para o curto prazo para reforçar o compromisso da companhia italiana com a indústria aérea e esclarecer o andamento do processo de reestruturação em curso.

“Não vamos encerrar nada, confirmamos a continuidade de todas as operações. Quero ser bem claro com isso: Estamos garantindo que tudo será normal após o dia dia 31 de maio”, cravou Nicola Bonacchi, vice-presidente de Vendas Internacionais Lazer, em reunião na sede paulistana da companhia. A data está relacionada ao prazo estipulado para que a companhia finalize o modelo de gestão atual e crie um novo formato de administração.

A visita ao Brasil, segundo maior mercado para a Alitalia – atrás apenas dos Estados Unidos – faz parte da estratégia da aérea para desmentir especulações publicadas recentemente pela imprensa italiana e replicadas mundo afora. “No reunimos com consolidadoras e com os gestores das maiores contas corporativas no Brasil para esclarecer a situação e dar fim aos boatos”, explica Bonacchi. Benedetto Mencaroni, gerente regional para Américas, e Nelson Oliveira, diretor de Vendas Brasil, também participaram da conversa.

Resultados positivos

A companhia encerrou o ano passado com 1,7% de aumento na receita de passageiros e crescimento de 4,7% em viajantes em voos de longo alcance. “Seguimos como a segunda aérea na Europa e a sétima do mundo em performance”, destaca Bonacchi. O número de passageiros transportados chegou a 21,2 milhões em 2019.

No Brasil, os números destacam o interesse do viajante por serviços especiais a bordo. Em dezembro, segundo o executivo, o aumento registrado na venda de assentos na classe executiva e na premium economy chegou a 31%. Na média do ano, a aérea registrou 5,5% de crescimento nesse segmento. Em termos gerais, a Alitalia teve 1% de aumento nas vendas no País em 2019, com destaque para dezembro, quando os negócios saltaram 19% na comparação com o mesmo mês de 2018.

O vice-presidente destaca, ainda, que 72% dos passageiros que embarcam no Brasil têm a Itália como destino final e que a taxa de ocupação atingiu 89% e 87% no ano, em embarques em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. “Continuaremos investindo no trade brasileiro, já que o País é um pilar estratégico para nossa atuação na América do Sul”, reforça. Atualmente, a companhia opera 11 voos semanais entre São Paulo e Roma e sete ligações semanais entre o Rio de Janeiro e a capital italiana.

Em novembro do ano passado, a Alitalia iniciou codeshare com a Azul, contemplando 16 destinos domésticos. Hoje, Bonacchi anunciou que há negociações adiantadas para um novo acordo nos mesmos moldes com outra aérea brasileira, ainda mantida sob sigilo. A estratégia de parceria na distribuição será o foco do grupo, visto que o executivo descartou a possibilidade de abrir novos destinos para embarque e desembarque no País.

Novas operações

A Alitalia anunciou uma mudança estratégica no Japão, com migração das operações diárias para o aeroporto de Haneda, na área central de Tóquio, entre março e outubro deste ano. A alteração tem omo objetivo facilitar a logística durante os Jogos Olímpicos 2020. “A localização nos traz um imenso ganho de competitividade”, explica o vice-presidente, pontuando que a companhia será a transportadora oficial da delegação italiana para o evento esportivo.

No dia 1 de junho, a companhia estreia a ligação direta entre e São Francisco, nos Estados Unidos. Também está no radar da aérea a expansão da malha entre Milão e a Alemanha – atualmente conectadas por Stuttgart e Colônia -, com a adição de um voo para Hamburgo, a partir de julho deste ano. “O novo destino é estratégico para atender nossas parcerias globais com MSC e Costa Cruzeiros”, pontua.

“Não estaríamos iniciando uma nova ligação com os Estados Unidos, passando por todo o processo burocrático de aprovações, anunciando mudanças no Japão e investimento na Alemanha se não tivéssemos intenções de crescer nessa indústria. Os dados corroboram a tese de crescimento e investimento da companhia”, pontua Oliveira.

Entenda o caso

Em 2017, a Alitalia passou a ser gerida em esquema de administração extraordinária para estabelecer um novo plano de gestão privada e, assim, sanar a crise financeira que ameaçava suas operações. O governo italiano estabeleceu 21 de novembro de 2019 como o prazo final para recebimento de propostas das companhias interessadas.

“Lufthansa e Delta manifestaram interesse, mas não temos a estrutura organizacional fechada. Nem mesmo uma eventual nacionalização total da companhia está descartada”, Nicola Bonacchi, vice-presidente de Vendas Internacionais Lazer da Alitalia

No mês seguinte, o país europeu recebeu um novo aporte de 400 milhões de euros do governo italiano, que estipulou a data final para o recebimento de propostas de investidores – 31 de maio de 2020 –, designou a Giuseppe Leogrande o cargo de administrador responsável por supervisionar o processo que tem envolvimento direto do Ministério de Desenvolvimento Econômico da Itália. “Temos a confirmação do ministro Stefano Patuanelli de manutenção das operações e dos empregos de todos os colaboradores da Alitalia”, afirma Bonacchi.

Em janeiro, Giancarlo Zeni foi anunciado como CEO da companhia que deve ter um novo CSO para liderar a estratégia do grupo. Ainda sem pistas sobre qual caminho a aérea vai seguir, o vice-presidente destaca que nenhuma negociação está descartada. “Lufthansa e Delta manifestaram interesse, mas não temos a nova estrutura organizacional fechada. Nem mesmo uma eventual nacionalização total da companhia está descartada”, diz, reforçando a normalidade das operações em junho.  “A data não é o ‘dead line’ para a companhia, mas o prazo final para que a administração anuncie o novo formato”, finaliza.

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