Como a análise de dados pode ajudar a indústria do Turismo?

análise de dados

Os impactos da pandemia não são novidades para quem atua na indústria do Turismo. A pausa nos deslocamentos causou um efeito em cascata na atividade e trouxe desafios extras ao trade. Com o caixa prejudicado, as organizações precisam se assegurar que os investimentos realizados em termos de melhorias em competitividade tenham retorno garantido.

A análise de dados pode ser um dos melhores caminhos para as empresas que desejam se destacar no cenário pós-pandemia. Na opinião de Leandro Rodriguez, vice-presidente da Alteryx para América Latina, o impacto dessa ciência na gestão de empresas se mostra tanto em nível organizacional quanto no engajamento dos funcionários.

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Leandro Rodriguez coloca o Brasil como uma das potências na análise de dados e enxerga a indústria do Turismo como uma das mais promissoras para o uso dessa ciência em termos de melhora na competitividade

O executivo, baseado em Miami (EUA), cita uma pesquisa da consultoria Mckinsey & Company que revela resultados importantes em termos de competitividade. Organizações orientadas por dados têm uma probabilidade de lucro 19 vezes maior que outras corporações e a chance de superar as metas do negócio são 77% maiores. “Isso é essencial para melhorar a competitividade, principalmente agora, com a demanda está reduzida”, defende Rodriguez. O estudo também mostra vantagens em relação à captação e retenção de clientes – respectivamente 23 vezes e 6 vezes maior nas empresas que investem em ferramentas analíticas.

Outra pesquisa, dest vez realizada pela Gallup, indica que 74% dos colaboradores declaram que a automação melhora a satisfação no ambiente de trabalho. Esses números seduziram corporações do porte de Caesar Entertainment, Choice Hotels, Copa Airlines e Royal Caribbean, entre outras, a adotar soluções voltadas à análise de dados durante a pandemia de covid-19. Rodriguez reforça, entretanto, que a Alteryx oferece soluções para diferentes portes e ramos de atividade para análises descritivas, prescritivas e preditivas.

“O Turismo está sentado em uma mina de ouro em termos de dados coletados, mas as empresas usam uma parcela muito pequena dessas informações. Quem utiliza, ainda o faz de maneira descritiva, quando deveria usar dados com um olhar orientado também para o futuro, para entender como sair da crise analisando o perfil de compra”.

Força de trabalho x demanda

Para as aéreas, as vantagens vão além da previsão de rotas mais demandas e incluem auxílio na precificação dos bilhetes, maximização dos programas de fidelidade e redução no tempo de processamento de departamentos estratégicos, segundo Rodriguez. “Uma das três maiores companhias aéreas de passageiros dos EUA obteve, em quatro meses, US$ 80 milhões em retorno financeiro com a análise de recompensas não utilizadas pelos clientes”, ressalta.

No caso dos cruzeiros, indústria que tem como particularidade reunir grandes grupos de pessoas nos ambientes fechados dos navios, a vantagem está na análise do consumo em outras indústrias. “Eles têm um desafio a mais para superar, mas podem usar a análise de dados para fazer correlações de consumo de produtos e serviços pelo mesmo perfil demográfico de público que compra cruzeiros. Analítica não é mágica, não faz recuperar de um dia para o outro, mas ajuda as companhias a se organizar internamente para serem mais competitivas no momento de voltar ao mercado”, pontua.

Outra vantagem que a análise de dados traz é a adequação da força de trabalho em relação à demanda. “As ferramentas ajudam as corporações a entender quais setores precisam de mais pessoal para contratação e como distribuir melhor os colaboradores dentro das equipes”, explica Rodriguez. Ainda em relação a recursos humanos, as soluções baseadas em dados auxiliam no aumento de produtividade das equipes. “As pessoas levavam dias para criar essas análises e, hoje, elas conseguem ter esse resultado mais rápido e utilizam seu tempo para atividades produtivas voltadas à recuperação do negócio”, defende o executivo.

Ação social: qualificação para colaboradores demitidos

A pandemia acelerou a chegada de diversas tecnologias e muitas empresas se viram forçadas a fazer a migrar para o ambiente digital para garantirem sua sobrevivência. Entretanto, não basta apenas captar dados, mas saber como transformar esses dados em informações úteis para negócios. “Essa transformação passa por três pontos: dados, processos e as pessoas, que são os componentes-chave. Os colaboradores são demandados pelos executivos em relação a essa inteligência, mas tem muita empresa que ainda trabalha com processos e tecnologia que não permitem fazer essa análise”, pontua.

Nesse sentido, a Alteryx lançou o Adapt (Advancing Data and Analytics Potential Together), programa mundial de capacitação criado especialmente para ajudar profissionais dispensados de suas funções durante a crise. “Esse curso gratuito visa criar o cidadão analista de dados, um híbrido entre o cientista de dados e o analista de negócios, profissional que tem ferramentas e conhecimentos suficientes para criar análises e enxergar os benefícios para os negócios sem que as organizações precisem investir em profissionais PHD altamente demandados”, detalha.

A empresa garante licença gratuita para que os profissionais aprendam a analisar dados e retornem ao mercado com uma qualificação extra. O Adapt integra o Alteryx for Good, programa de responsabilidade social corporativa da empresa, e oferece aos graduados certificados nos fundamentos da análise de dados a oportunidade de avançar para o programa Udacity Nanodegree em análise preditiva. “O curso foi lançado no início da pandemia e é nossa forma de ajudar esses profissionais em um momento difícil”, resume Rodriguez.

Análise de sentimentos no apoio à comercialização

Há dois meses, a empresa de automação de processos analíticos também lançou um ad on voltado à análise de sentimentos, ferramenta que pode ajudar o trade a medir a intenção de viagens por meio de captura de dados públicos em redes sociais, por exemplo. “Com base na busca por termos relacionados a viagens ele cria um ‘mapa de sentimentos’ que mostra não somente se a atividade está ‘esquentando’, como onde isso está ocorrendo”, pontua.

Fundada há 20 anos e com atuação em 90 países, a Alteryx quer expandir seus negócios na indústria do Turismo – na qual já atende a grandes companhias aéreas nos Estados Unidos, Europa e aqui no Brasil, aeroportos de Dubai e organizações de travel planners. Rodriguez considera o Brasil uma grande potência na análise de dados – atrás apenas dos Estados Unidos, Canadá e de alguns países da Europa – e enxerga o segmento de viagens como um ramo promissor.  

Segundo ele, as empresas levam, em média, duas semanas para se adaptar a uma primeira ferramenta e cerca de 4 meses para ter uma solução intermediária. A curva de adoção completa da plataforma Alteryx dura 18 meses. Rodriguez reforça a premissa de realizar uma análise prévia e sem custos para determinar o retorno do investimento. “Assim, as empresas sabem os benefícios financeiros e como vão pagar pelo custo da tecnologia antes da adoção”, explica, reforçando que o tempo de implantação depende do perfil do negócio e da complexidade das soluções necessárias. “Tudo depende do retorno esperado, mas do que do tamanho da organização”, finaliza.

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