April Brasil detalha compra da operação e prepara novidades

Companhia que acaba de lançar uma assistência voltada ao atendimento psicológico no exterior, promete mais novidades para o segundo semestre

Uma empresa mais forte em termos de caixa e com mais liberdade para operar de acordo com a realidade brasileira. Essas são as principais vantagens da April, agora nacionalizada. O anúncio da compra da operação do segmento viagem no País foi comemorada pelos executivos que já vinham negociando essa independência em relação à matriz desde o final do ano passado.

Em entrevista ao Brasilturis Jornal, Luiz Gustavo da Costa (CEO) e Claudia Brito (diretora comercial) reforçam que a rede de prestadores internacional permanece a mesma, explicam os impactos dessa mudança e destacam a importância do agente de viagens para os negócios da April Brasil.

A companhia que acaba de lançar uma assistência voltada ao atendimento psicológico no exterior, também promete novidades para o segundo semestre. Os executivos adiantam que elas não se restringem ao universo das viagens, mas mantêm as informações sob sigilo até outubro, prazo máximo estipulado pelo CEO para comunicá-las ao mercado.

Por que essa decisão foi tomada e quanto tempo levaram as negociações?

Luiz – No começo de 2019, após o grupo ser comprado pela CVC Capital Partners, uma empresa de capital inglês, a estratégia foi desenhada para desenvolver cada vez mais o core business da matriz, que é o seguro-saúde. Com isso, eles fizeram a venda de diversas operações que não estavam vinculadas a esse produto, ainda no ano passado. Seguro viagem e assistência em países como EUA, México, Colômbia e até na França passaram a operar de forma independente. A única operação de seguro viagem que eles decidiram manter globalmente foi a do Brasil.

Por quê?

Luiz – Era a maior operação e a que rodava de forma mais redonda, com os melhores resultados. Observando esse movimento do grupo, no fim do ano passado, nossa diretoria viu essa abertura como uma oportunidade. Iniciamos as conversas no fim do ano, pensando em fazer a transição de forma gradual em 2020. Com a pandemia e toda a crise gerada, esse processo acabou sendo acelerado e se concretizou agora, no meio do ano.

Toda a diretoria da April entendeu o potencial para expandir o nosso negócio para outros tipos de serviços que, ainda hoje, não eram bem explorados. Buscamos investimento para fazer uma proposta para o grupo e assumimos a operação.

O que isso traz de vantagem para a operação?

Luiz – Com esse aporte, temos hoje o melhor nível de caixa que a companhia já teve no Brasil, o que nos dá fôlego para passar pela crise e pela posterior retomada. Além disso, há a possibilidade de otimizar vários processos a partir do momento em que não dependemos mais de aprovações e processos globais.

A estrutura tem alguma mudança?

Luiz – Não. A operação é 100% local, controlada por nós, mas continuamos com os vínculos e parcerias estabelecidas em contrato com o grupo April. Seguimos com a mesma central própria de atendimento no Brasil, gestão de sinistros, sem terceirização de serviços em nenhuma área. A equipe comercial permanece e a Axa segue como seguradora para garantir o risco dos nossos clientes.

Essa parceria com a Axa tem data de validade ou será permanente?

Claudia – Temos um contrato de cinco anos com eles, mas acreditamos que a parceria irá se estender por muito mais tempo.

Nesse cenário, a rede internacional de prestadores de serviços se mantém, então?

Sim. Unimos o melhor dos dois mundos e continuamos com toda a força do grupo por trás. Temos a mesma rede de prestadores de serviços médicos internacionais, a mesma plataforma de tecnologia e ferramentas que a April sempre disponibilizou, mas agora a empresa tem uma visão muito mais local e muito mais orientada ao mercado brasileiro. Conseguimos dar mais agilidade em termos de produtos, coberturas e serviços.

Claudia – Vale lembrar que isso vale apenas para o seguro viagem, o seguro saúde permanece com operação da multinacional francesa no Brasil.

Podemos esperar novidades em produtos mais ajustados ao perfil do viajante brasileiro?

Luiz – Sim. Já lançamos, no dia 1º, a cobertura para assistência psicológica no exterior dentro dos planos VIP. No segundo semestre traremos novos produtos e serviços para dar mais opções aos agente de viagens e demais parceiros, tanto em seguro viagem quanto em outros tipos de serviços.

Falando nos agentes de viagens, qual é a representatividade desse canal nas vendas para os negócios da April?

Claudia –  O agente de viagens é nosso principal parceiro, representando 85% das vendas hoje. Todas as nossas ações são vinculadas e próximas ao agente que continua no centro de nossa estratégia. Assim que as fronteiras reabrirem e os brasileiros puderem viajar novamente, vamos intensificar a criação de campanhas e ações. Durante a pandemia, inclusive, mantivemos a comunicação diária com os agentes pelas redes sociais, com postagem de vídeos e dicas de nossos executivos para manter o trade capacitado.

Os webinars continuam?

Claudia – Sim, fizemos um a cada semana e só paramos nesta última por conta dessa notícia da compra. Retomaremos na semana que vem com outro tema.

Como a pandemia impactou os negócios da April nos últimos meses?

Luiz – Todo o mercado de Turismo sofreu impacto e não foi diferente com a April. Tivemos queda nas vendas, mas é importante ressaltar que a solidez da companhia e esse investimento foi usado para ampliar o relacionamento. Enxergamos esse momento como propício para nos expor ainda mais, fazer um trabalho forte de geração de conteúdo, buscar novas ferramentas e nos aproximar dos parceiros de viagem para o desenvolvimento desses produtos que vamos lançar no segundo semestre.

Como vocês enxergam a retomada para o segmento de seguro viagem?

Luiz – Será forte por conta da demanda e da valorização do produto pelo próprio viajante. Acredito que o último trimestre voltará com força, ainda que não nos patamares anteriores, já que a retomada prossegue por todo o ano de 2021.

Em que ponto do segundo semestre vocês preveem o lançamento desses novos produtos?

Luiz – A partir de setembro ou, no máximo, em outubro.

Podem dar uma dica sobre o escopo dessas novidades?

Luiz – Será tanto em termos de novas coberturas quanto de serviços agregados ao seguro viagem, na mesma linha da assistência psicológica lançada agora. Mas as novidades não se resumem a novos tipos de assistências e serviços dentro do seguro viagem, também vamos investir em outros tipos de seguros para possibilitar a distribuição deles por meio de nossos parceiros agentes de viagens. Haverá produtos para passageiros e novidades que poderão ser oferecidas fora do universo das viagens.

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