As cores de um mercado (LGBT+) trilionário e os planos para retomada

Diversos destinos vêm trabalhando em planos de retomada para o segmento LGBT+ e apostam no pioneirismo da comunidade para a virada de mesa

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Junho é um mês que marca o calendário de muitos. Para alguns, é quando se encerra um semestre cheio de trabalho e realizações. Para outros, o início das festividades juninas, agradecendo aos mais diversos santos de sua devoção. Ainda há aqueles que aproveitam o mês para celebrar o orgulho. Afinal, junho é o mês LGBT+.

O ano atípico, entretanto, teve o calendário desestruturado por conta da covid-19. Mas se engana quem pensa que o segmento de viagem LGBT+ está de braços cruzados. Apesar do momento de incerteza geral, o setor vem se preparando para o momento de retomada.

 A atividade turística dessa comunidade movimenta, anualmente e em termos globais, cerca de US$ 3 trilhões, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Com a pandemia, mercados no mundo todo precisaram se reinventar e estudar as mudanças causadas por este cenário sem precedentes.

Apesar de tudo o que tem sido feito, uma pergunta persiste: como fazer turismo com conforto, segurança e diversão? Para tentar responder a essa questão e entender as tendências do viajante LGBT+, a Associação Internacional de Turismo LGBT (IGLTA) promoveu, entre os dias 16 de abril e 12 de maio, um estudo com 15 mil pessoas, com idade entre 25 e 64 anos, acerca dos padrões de comportamento para o período pós-pandemia.

A pesquisa foi realizada em seis idiomas – inglês, espanhol, português, japonês, francês e italiano – e o português foi o segundo maior grupo de retorno, com cerca de 2 mil respostas – atrás, apenas, do inglês. Entre os entrevistados, 77% se declaram gay, 12% bissexuais e 6% lésbicas. O público masculino representa a grande parcela (88%) desse montante, enquanto mulheres representaram apenas 8% e transgêneros, 2%.

“Nosso objetivo é avaliar o humor da comunidade LGBT+ em relação a viagens, dada a pandemia. Essas informações podem ajudar todos os nossos membros e a comunidade de viagens em geral a preparar seus negócios para a recuperação. Por isso, pretendemos compartilhar essas informações e usaremos os dados para reforçar a capacidade de resistência e lealdade desses viajantes, para que sejam incluídos e valorizados pela indústria do turismo”, declara John Tanzella, presidente e CEO da IGLTA.

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Viagens em alta

De acordo com o levantamento global da IGLTA, 46% dos respondentes afirmaram que não trocarão os destinos escolhidos para viajar, enquanto 25% se mostraram indecisos e 28% declaram que escolheriam outro ponto turístico um dado importante é que dois terços dos participantes (66%) afirmam estarem confortáveis ao viajar por razões não essenciais e não comerciais antes do final de 2020.


Se o destino se declarar mais seguro quanto à limpeza e segurança sanitária, ele automaticamente ganha a preferência de 28% dos viajantes. O estudo mostra, ainda, que hotéis e resorts são os meios de hospedagens preferidos pelos turistas, com 48% das respostas.

Já 34% dos respondentes declaram a pretensão em viajar para uma segunda casa, como casa de parentes ou amigos, hospedagem compartilhada ou residências de aluguel. O lazer tem força nesse segmento, de acordo com a opinião de 57% dos entrevistados, sendo que 28% deles deixaram claro que parques e atrações fazem parte da viagem.

O planejamento de roteiros para destinos internacionais está na mira de 29% dos respondentes e as viagens em grupo se tornam atraente para 21% deles. Em relação às conexões aéreas, o ranking aponta que 45% preferem voos de curta distância, com menos de três horas. Em seguida, está a opção por rotas médias, de três a seis horas (35%). O deslocamento por longas distâncias, com mais de seis horas de duração, está nos planos de 27% dos entrevistados. A pesquisa analisou os dados de um estudo simultâneo, encomendado pela US Travel Association, para identificar os impactos da covid-19 nos viajantes dos Estados unidos.

John Tanzella

“Comparamos nossas respostas nos EUA com os dados coletados durante o mesmo período de um mês e descobrimos que os viajantes LGBT+ têm maior probabilidade de viajar nos próximos seis meses do que o público em geral”, pontua Tanzella.

 Segundo o presidente e CEO da IGLTA, os destinos serão mais competitivos em seus esforços de atração, o que torna o viajante da comunidade LGBT+ importante para a retomada do setor. “É claro que devemos seguir protocolos de segurança, mas o turismo voltará mais forte do que nunca. O desejo de viajar não diminuiu”, defende.

Representatividade brasileira

Clovis Casemiro

O Brasil é um importante mercado quando o assunto é Turismo LGBT+. Sede de uma das principais paradas LGBT+ do mundo – a da capital paulista que, segundo dados da prefeitura, movimentou R$ 403 milhões na edição 2019 -, o País comemorava grandes conquistas no cenário pré-pandemia, conforme declara Clovis Casemiro, coordenador da IGLTA em território nacional.

Segundo ele, o momento de retomada é a oportunidade para muitos destinos nacionais se consolidarem, visto que o turismo interno é observado como ponto de partida para o reaquecimento.

“O Brasil é um destino com as melhores condições legais para conviver no mundo. Converter a homofobia em crime é algo que poucos países conquistaram e o LGBT+ tem de assumir esses direitos. Ainda há muito medo, mas sair do armário é fundamental para que possamos desenvolver a nossa própria segurança. E temos destinos bacanas, como Florianópolis, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, entre muitos outros”, opina.

Durante a pandemia, a adoção do isolamento social e da quarentena é fator essencial para que haja o rápido retorno à normalidade. E, de acordo com uma pesquisa realizada pela Loasys, empresa especializada em transformação digital, os Millennials se tornam exemplo e representam a maior parcela em termos de apoio e respeito a essa condição. Para Casemiro, esse perfil tem muito a ensinar, principalmente no mercado LGBT+.

“Estamos falando de um público com um olhar mais envolvente, que quer estar em grupo, que deseja realizar atividades em conjunto e que busca por mais informações. É possível notar que, em rodas de amigos LGBT+ na Europa e nos Estados unidos, não há casos de covid-19, com exceção de um. Então é um grupo com uma mente muito diferente, mais evoluída”, observa.

No entanto, o representante da IGLTA ressalta que algumas incertezas permanecem, pelo fato de se tratar de uma parcela mais envolvida em festas e eventos, como a Parada LGBT+.

“É como André Almada, fundador do Grupo The Week, falou: é necessário ter uma vacina. Não dá para imaginar, por exemplo, uma Parada LGBT+ na Avenida Paulista com as pessoas colocando em prática o distanciamento social, assim como não é possível fazer isso em uma balada ou casa noturna. Então a vacina é algo crucial”, diz.

Apesar ainda das incertezas, Casemiro observa que o momento é de reaprendizagem, até mesmo com crises passadas, como a ocorrida após 11 de setembro de 2001. “Assim que começou a receber viajantes novamente, Nova York teve um boom de turistas LGBT+. No princípio, a ideia é viajar para onde é possível, lidando com a capacidade reduzida em aviões, hotéis e restaurantes”, projeta. 

Destinos brasileiros

A capital catarinense, citada por Casemiro, é um dos destinos que são considerados friendly pela comunidade. Florianópolis chama atenção pelas atrações turísticas, culturais e pela vida noturna. De acordo com Miguel Gregório, diretor de Eventos da Prefeitura de Florianópolis e presidente do Conselho Municipal LGBT+, a capital teve anos áureos e demostrava bons resultados em 2020, com sucesso notável no Carnaval Pop Gay.

 “O turismo LGBT+ é um dos mais promissores e que trazem muito retorno em diversos setores, principalmente no hoteleiro, de entretenimento e o comércio, já que este visitante é um ávido comprador e consome aproximadamente quatro vezes mais que o público hétero. A receita turística envolvida é extremamente positiva”, avalia o profissional.

 Como ocorreu em todo o mundo, a cidade foi afetada pela pandemia, com reflexos negativos principalmente no setor de eventos. Mesmo assim, a expectativa é que tudo retorne gradualmente, conforme antecipa Gregório. “Havíamos iniciado os preparativos para a 14° Parada do Orgulho LGBTQIA+, semana da diversidade e jogos da diversidade, entre muitos outros eventos. Só conseguiremos agendar novas datas desses eventos públicos quando a pandemia estiver sob controle. Existem novos projetos e todos, por enquanto, estão sendo feitos de forma online, que é a maneira usada atualmente e que respeita as normas de distanciamento social”, detalha.

 Mesmo em meio a diversas incertezas, o profissional destaca ter confiança de que conseguirão superar as dificuldades e que a capital vai surpreender. “Sempre fomos pioneiros, até mesmo vanguardistas no cenário turístico gay friendly e assim continuaremos”, finaliza.

 O segmento também vem sendo muito trabalhado na região Centro-Oeste. No início de março, a Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur) promoveu um workshop com o trade local para capacitação em relação ao Turismo LGBT+, ação que foi o primeiro passo de um caminho todo planejado para desenvolver o segmento.

 Diante do cenário transformado pela covid-19, o órgão remodelou as estratégias definidas, contemplando as transformações do mercado, e irá lançar uma campanha de retomada – que já está pronta – assim que os indicadores de contágio e transmissão tiverem baixado, para garantir a segurança das pessoas.

bruno wendling
Bruno Wendling

Em entrevista ao Brasilturis Jornal, Bruno Wendling, presidente da Fundtur, ressalta o resultado dos estudos que balizaram as decisões do estado. “Segundo pesquisas, a tendência para as próximas viagens é o turismo de curta distância, com percursos para serem feitos de carro, além do turismo de experiência. Bonito e o Pantanal já entregavam isso, o que precisamos reforçar são os protocolos de biossegurança”, pontua.

Ele manifesta preocupação em relação à padronização de ações voltadas à segurança sanitária. “Temos um estudo realizado pelo Sesi [Serviço Social da Indústria] e Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas] que contempla bares, restaurantes, hotelaria, transportadoras turísticas e atrativos. E há também a atuação do Fornatur com o Ministério do Turismo na unificação do ‘Selo do Turismo’, com 16 protocolos para dar segurança a empresários e consumidores. Assim que eles forem aprovados, o Mato Grosso do Sul vai incorporá-los”, ressalta Wendling, que também preside o Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur).

Neste mês, a Fundtur lança a logomarca “Isto é Mato Grosso do Sul LGBT” como desdobramento da campanha de promoção do destino “Isto é Mato Grosso do Sul”. “Continuamos com o foco nesse segmento e investiremos em ações de comunicação direta e em treinamentos. Participaremos ativamente de eventos como o Fórum de Turismo LGBT do Brasil, promovido pela Revista Via G”, afirma.

Motor para despertar o interesse na melhora da prestação de serviços, a capital paulista adiou sua Parada do Orgulho LGBT+ para 29 de novembro. “Conforto e diversão fazem parte da base do desenvolvimento privado do setor. O terceiro elemento é a novidade: segurança sanitária. Em relação à limpeza dos equipamentos, como hotéis e atrações, deve haver um reforço significativo, não apenas com relação à higienização, mas também na limitação de ocupação. Os destinos terão mais um elemento a ser trabalhado na promoção. E conseguirão melhores resultados os que assimilarem essa nova realidade”, destaca a Secretaria de Turismo do Estado.

 Assim como todos os outros destinos do País, São Paulo está atuando em conjunto com o trade turístico na implementação de protocolos de biossegurança. “Cada um dos setores que formam o turismo – empresas aéreas, hotéis, locadoras de veículos, agências, restaurantes – deverá se adaptar para uma volta segura das atividades. Temos uma resposta bastante positiva”, pontua.

Mercados latino-americanos

Trabalhando para desenvolver o segmento LGBT+ há mais de uma década, a Argentina é outro case em termos de acolhimento a esses viajantes. Em 2019, o país registrou crescimento de 11% nas chegadas de viajantes internacionais LGBT+, o que representa a entrada de 550 mil visitantes.

 As expectativas para este ano eram otimistas, especialmente pelo recente reconhecimento da nação como Destino Internacional LGBT 2020, concedido pela Fitur, em Madri (Espanha). Outro fator positivo foi a entrada do país no ranking dos cinco principais destinos do Índice de Viagens Gay, elaborado pela revista alemã Spartacus.

Pablo de Luca

Pablo de Luca, diretor da Câmara de Comércio Gay e Lésbica da Argentina (CCGLAR), acredita que este segmento será um dos primeiros a retomar viagens, por conta de uma característica peculiar deste perfil de viajante.

“O foco, em primeiro lugar, é fortalecer o turismo doméstico LGBT+ dentro de cada uma de nossas províncias e federalmente, ligando todas elas. O próximo passo, diante de um cenário favorável na evolução da pandemia, é começar a retomar os eventos no último trimestre de 2020, desde que a regulamentação local o permita”, detalha o profissional, que reforça a aprovação da segurança física e legal por 66% dos viajantes da comunidade LGBT+.

Ele observa que tanto o setor público quanto o privado vêm atuando para definir e colocar em prática protocolos para construir uma nova palavra-chave: confiança. “Confie que cada país, cada destino, está trabalhando dia a dia neste momento difícil. Leve em conta o esforço que cada destino fez para controlar os efeitos da pandemia e como definiu seus protocolos de prevenção, a fim de que a retomada ocorra da maneira mais segura e confortável”, aconselha.

A tendência crescente no segmento LGBT+ também é parte da estratégia da Colômbia, principalmente por parte das operadoras, agências de viagens e hotéis. Isso foi notado, por exemplo, na primeira Rodada de Negócios LGBT+ no âmbito da We Trade, feira de negócios organizada pela Câmara Colombiana de Comerciantes LGBT (CCLGBTCO).

Cerca de 40 empresas participaram e debateram novas ideias, como o desenvolvimento de roteiros de bicicleta para este viajante. Assim como a Argentina, a Colômbia acredita muito nesse turista como um dos pioneiros na retomada, visando encontrar oferta diferenciada em produtos de turismo de natureza, sol e praia.

“Nossos esforços continuam com treinamento online e acompanhamento de operadores e hotéis para atender às necessidades específicas desses viajantes”, declara a Procolombia, agência governamental encarregada de promover as exportações não tradicionais colombianas, o turismo internacional e o investimento estrangeiro, ao Brasilturis Jornal.

Para o tão esperado reaquecimento, o país desenvolveu uma série de ações alinhada aos objetivos estabelecidos para o ano, com uma aposta mais forte na confiança. Dentre elas, está a redução do imposto sobre as passagens aéreas – de 19% para 5% -, a fim de facilitar a conectividade. Além disso, o destino oferece ferramentas para os empresários se manterem orientados quanto às estratégias, como por meio do Programa de Treinamento para Exportação de Turismo, que teve, no ano passado, 10 mil participantes.

A Colômbia também está trabalhando em alianças interinstitucionais e inter-regionais na América Latina, a fim de fortalecer as relações já existentes para articular ações, investimentos e esforços que permitam acelerar a recuperação. Obviamente, ações de biossegurança também fazem parte dos planos.

“Queremos gerar confiança no viajante. Por isso, juntamente com o Ministério do Comércio, Indústria e Turismo, e com o apoio da Organização Mundial de Turismo e da Icontec [Instituto Colombiano de Normas Técnicas e Certificação], foi lançado o selo de biossegurança ‘Certificado de check-in, covid-19 bioseguro’ para o setor, cujos principais objetivos são criar confiança entre turistas e consumidores, minimizar os riscos de contágio do vírus e incentivar o turismo no país”, explica. 

Passagem norte-americana

Considerada a capital LGBT+ na Flórida (EUA), Fort Lauderdale está atuando na reabertura gradual como forma de minimizar as chances de contágio e disseminação do novo coronavírus. Em 2019, o destino recebeu cerca de 1,5 milhão de viajantes que gastaram cerca de US$ 1,5 bilhão, segundo o Greater Fort Lauderdale Convention & Visitors Bureau.

Richard Gray

“Nossa prioridade continua sendo a segurança e o bem-estar de nossos visitantes e residentes. Seguimos monitorando informações e trabalhando em conjunto com autoridades locais, estaduais e federais de saúde. Tanto o governo local quanto as empresas privadas adotaram práticas agressivas de limpeza em locais públicos e privados, incluindo aeroporto, porto, hotéis, restaurantes e atrações”, destaca Richard Gray, vice-presidente do Fort Lauderdale Convention & Visitors Bureau. Devido à pandemia, o setor de eventos também foi afetado e, como solução, os cancelamentos e reagendamentos foram adotados.

 “Estamos trabalhando com funcionários do governo, líderes locais e do departamento de saúde para executar a reabertura em fases. Rod DeSantis, governador da Flórida, solicitou que a aglomeração de pessoas fosse suspensa”, afirma.

Fort Lauderdale abriga um dos maiores Centros de Orgulho do país, o primeiro museu do mundo contra a Aids, a sede global da IGLTA e o Stonewall Museum, espaço dedicado a exposições relacionadas à história e cultura LGBT+.

“Quando os parceiros locais, estaduais e nacionais da indústria de viagens concordarem que é seguro, ficaremos muito animados em estender nossa mensagem acolhedora de diversidade aos visitantes estrangeiros. Até lá, fique seguro e lembre-se que, realmente, somos maiores juntos”, aconselha.

Europa e Ásia

No Velho Continente, o Reino unido destaca os uS$ 11,7 bilhões que o mercado turístico LGBT+ movimentou em 2018, segundo estudo LGBT+ 2030, conduzido com 130 mil participantes de 26 países. A soma contempla gastos com acomodações, viagens domésticas, internacionais, passeios e outras despesas turísticas. Para combater os efeitos negativos da pandemia, o Visit Britain, escritório de promoção turística do destino, está atuando em parceria com o governo local.

Malcolm Griffiths

 “A prioridade é garantir que o Turismo se recupere para se tornar um dos setores mais bem-sucedidos da economia do Reino unido, uma vez que as restrições sejam retiradas”, declara Malcolm Griffiths, diretor do Visit Britain no Brasil.

O executivo destaca que o destino continuará dando as boas-vindas a brasileiros quando a visitação for segura novamente e reforça o calendário de eventos para o segundo semestre e 2021.

Por meio de seu site oficial, o escritório brasileiro adotou a publicação de listas de filmes, livros, séries e músicas. O objetivo da ação é destacar os atributos culturais e promover uma “viagem à distância”, colaborando também para o planejamento de roteiros futuros.

Portugal é outro país que se destaca no mercado, chegando ao topo da lista Gay Travel Index, da alemã Spartacus, em 2018 e 2019. Somente no ano passado, o destino recebeu mais de 2 milhões de visitantes LGBT. Também é a décima nação do mundo em recepção e organização de congressos e convenções – uma posição acima do resultado de 2018 – e a sétima dentro do continente europeu, de acordo com o relatório da Associação Internacional de Congressos e Incentivos (ICCA) de 2019.

 Lisboa destaca-se com o segundo lugar tanto em nível mundial quanto continental. “O crescimento e a diversificação dos serviços turísticos no segmento LGBT+ estão concentrados em três áreas: eventos, festivais, casamentos e celebrações do mesmo sexo; e passeios e atividades. A procura é moldada pela mudança geracional de atitudes e aceitação. É provável que o conceito de ‘turismo LGBT+’ continue a evoluir para destinos específicos no país”, afirma o Turismo de Portugal em entrevista exclusiva ao Brasilturis Jornal. Para estimular o retorno de suas operações e reforçando a importância de garantir a segurança sanitária de seus visitantes, Portugal criou o selo “Clean & Safe”, que destaca as atividades e empreendimentos comprometidos com higiene e limpeza.

O reconhecimento abrange toda a cadeia do Turismo. Em meados de maio, Portugal deu mais um passo no processo de retomada gradual da economia e da vida social, marcado pela abertura de museus e demais equipamentos culturais, como monumentos, galerias de arte, centros interpretativos, palácios e igrejas.

 Os restaurantes, cafés e estabelecimentos comerciais com até 400 metros quadrados também reabriram as suas portas. “A elevada taxa de aceitação da iniciativa pelas empresas, que representam mais de 6 mil selos já disponibilizados, é uma evidência significativa do elevado compromisso das empresas portuguesas para receber turistas em condições de segurança”.

No continente vizinho, Israel é outro destaque quando o assunto é o segmento LGBT+. Sede de um dos maiores eventos do mercado, a Tel Aviv Pride – que recebeu mais de 250 mil pessoas em 2019 –, o país acredita em um futuro positivo no qual esses turistas serão a mola propulsora para a retomada do Turismo, principalmente entre os brasileiros, um dos principais mercados. Em 2019, 82,1 mil brasileiros visitaram o país – foram 5,1 mil só em dezembro –, 31% a mais do que em 2018 e com crescimento de 50% nos dois últimos anos.

Tradicionalmente neste mês, o país sediaria quatro paradas LGBT+: Tel Aviv, Haifa, Jerusalém e Be’er Sheva. Contudo, a pandemia transformou o formato dos eventos, fazendo com que as festas presenciais fossem adiadas para o fim do verão. Há comemorações virtuais marcadas para ocorrer neste mês e o turismo doméstico já está em processo de reaquecimento por conta da adoção de novos padrões sanitários, como o certificado Purple Standard, e de distanciamento social.

“Israel é um destino que oferece viagem com propósito, que deve ser uma das tendências nessa retomada do Turismo. Essas ações pioneiras posicionam o país como um destino seguro e preocupado com a segurança sanitária de seus turistas. Com essas e outras iniciativas, esperamos retomar o crescimento, principalmente do Brasil, que vinha acontecendo, com recordes atrás de recordes”, declara Carolina Dias, do Escritório de Turismo de Israel no Brasil.


Impacto B2B

Alex Bernardes

O segmento LGBT+ é a especialidade da Revista Via G, publicação da Editoria Via que promove anualmente o Fórum de Turismo LGBT do Brasil. Prevista para ocorrer neste mês, a quarta edição do evento foi adiada para o último trimestre deste ano.

“O período é mais distante, mas nos dá confiança de realizá-lo com segurança, sem colocar a saúde de ninguém em risco”, comenta Alex Bernardes, diretor comercial da publicação. Qualidade é prioridade, então o executivo não prevê crescimento em número de participantes.

“Acreditamos que o tamanho que ele tem hoje, com 350 pessoas, é o ideal para mantermos o nosso padrão do debate”, completa o profissional, que reforça a contínua parceria com importantes destinos, como Fort

 Lauderdale, Argentina, Miami, Las Vegas, Portugal, Colômbia, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e São Paulo. Bernardes destaca sua grande confiança no mercado e o vê como um dos primeiros segmentos a retomar a rotina de viagens. “Por quê? Porque a palavra ‘resiliência’ sempre representou esse segmento. Acredito que empresas e destinos deverão manter seus investimentos no mercado”, opina.

Ele faz, entretanto, uma importante ressalva. “Esse público é muito sensível e reconhece facilmente quando uma empresa, marca ou destino está interessado apenas em faturar. Por isso, todos os que quiserem começar a trabalhar ou se aprofundar nesse segmento têm de fazer isso de maneira sincera, respeitando de verdade a individualidade dos seus clientes, entendendo suas necessidades e, acima de tudo, apoiando suas causas”, conclui.


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