Avaliação: Renault Duster 4×4

Por: Jorge Augusto

por : Jorge Augusto

A Renault realmente conseguiu surpreender no lançamento do seu primeiros SUV (Sport Utility Vehicle) em outubro de 2011. O Duster chegou ao Brasil como o primeiro utilitário esportivo da marca. Com fabricação no Brasil, o modelo pode ser considerado um verdadeiro SUV de entrada. Na prática, apenas uma única versão (entre as seis disponíveis) se enquadra como SUV, por ser a única com tração 4×4 (as demais contam apenas com tração dianteira). Estamos falando da versão Dynamique 4×4, que corresponde a topo de gama, e avaliada aqui.

 

Conceito


O Duster é um modelo que chega renovando os conceitos dessa categoria de automóvel. O que tem se visto muito no mercado, são modelos que só tem o “porte” ou “estilo” de SUV, e que mal conseguem atravessar uma poça de água na terra, ou ainda que raspam a parte da frente do veículo, na primeira lombada e valeta que encontram. E a lista desses supostos SUVs não é pequena. A única coisa que esses produtos oferecem, na prática, é um porte avantajado e relativa sofisticação no interior. Além disso, costumam ser bem caros!

 

Pois bem, a Renault foi na contra-mão de tudo isso, com o Duster. Esse novo produto foi desenvolvido em parceria com a romena Dacia (uma das marcas do grupo Renault) e compartilha componentes com Logan e Sandero.

 

É verdade que o Duster não é um Sport-Utility de mesmas capacidades e funções como Hilux SW4, Grand Cherokee ou Pajero Full. Porém, fica clara sua mobilidade eficiente no fora-de-estrada. Quando o assunto é trafegar em condições mais difíceis que as usuais, o Duster supera qualquer outro produto caracterizado como crossover e se iguala à vários outros SUVs de verdade.

 

Estilo


Pra começar, o Duster já chega com características convincentes de um 4×4. O ângulo de ataque é de 30 graus, enquanto o ângulo de saída chega a 35 graus. Sua altura em relação ao solo é de 21 cm. E ainda que o carro não tenha uma opção de reduzida, o câmbio manual de seis marchas, oferece a primeira marcha relativamente curta, para assegurar mais tração.

 

Além disso, o veículo traz pneus de uso misto e uma posição de dirigir elevada. Somando-se as características, o Duster ainda consegue atravessar regiões alagadas com até 40 cm de água, sem danos ao veículo.

 

Tração 4×4


Como dito antes, apenas a versão Dynamique pode ser equipada com tração 4×4. E nesse caso, a única opção de câmbio é manual de 6 marchas. Essa tração funciona assim: o controle é feito pelo motorista, que tem no painel um botão com as posições 2WD, Auto e Lock. No modo 4×2 (2WD) a distribuição da força acontece apenas nas duas rodas frontais. Na posição “Auto”, a distribuição do torque é feita entre os eixos dianteiro e traseiro, conforme a aderência do piso pelo qual estiver trafegando. Ou seja, apenas em baixa velocidade, e quando as rodas dianteiras patinam, o sistema transfere parte da força para o eixo traseiro. A função “Lock” permite ao veículo trafegar em condições de terreno mais adversas, como na lama e na areia. A função “Lock” é programada para ser desativada, de forma automática, quando o veículo ultrapassa 80 km/h.

 

De forma complementar, molas e amortecedores tiveram calibragem específica para suportar as condições severas de rodagem presentes em território brasileiro, tanto na estrada, quanto fora dela.

 

Ao dirigir o carro no fora de estrada, o carro mostra-se mais valente do que aparenta. Não há necessidade de ser um expert para usar a tração do carro. Basta deixar no modo “Auto” e encarar as estradas difíceis após uma chuva.

 

O modelo não chegou a ser testado numa trilha extrema de jipe, mas em todas as outras situações de fora-de-estrada, o Duster superou com facilidade. Terrenos baldios, estradas de terra com lama e areia de praia sequer criam dificuldades para o SUV da Renault.

 

Interior


Se a utilidade do veículo é comprovada, a sofisticação por sua vez, deixa um pouco a desejar. O acabamento é espartano. Sofisticação não é o forte do carro. A própria marca informa que se preocupou bastante em passar a mensagem de um produto alinhado com o tema de fora-de-estrada, e com um desenho externo lembrando robustez.

 

Ainda que interior tenha sido totalmente redesenhado em relação ao produto original da Dacia, observa-se a preocupação com o funcional (que não é necessariamente bonito ou arrojado). Na versão topo de linha o interior traz duas tonalidades de cor, sempre em tons escuros. O acabamento é simples, porém com qualidade construtiva. Alguns até vão achar o interior “escuro” à noite. Falta retroiluminação em botões e comandos do carro. Os consoles e porta-objetos são os necessários. O único diferencial, é um porta-objetos no teto que pode ser utilizado tanto pelos passageiros da frente, quanto do banco de trás.

 

Apesar da simplicidade, o interior é espaçoso e confortável. Ele permite o transporte de até cinco passageiros, com bom nível de conforto. Outro ponto forte é o amplo espaço para bagagens. O porta-malas conta com capacidade para até 475 litros. Com o banco traseiro rebatido, é possível levar objetos maiores como uma bicicleta ou pranchas de surfe.

 

Equipamentos


Na versão topo de linha, vem equipado com rádio integrado ao painel. Este equipamento, além de rádio AM/FM e CD-Player, conta com o sistema de áudio “3D Sound by Arkamys” e reproduz músicas nos formatos MP3, WMA e WMV. Em sua parte frontal, ele traz duas entradas: uma auxiliar, do tipo P2, e outra para conexão USB. De forma complementar, está presente também o eficiente comando satélite instalado na coluna de direção. Com ele, é possível controlar todas as funções do sistema de som sem tirar as mãos do volante.

 

O sistema conta ainda com a tecnologia Bluetooth, que permite conectar um telefone celular ao sistema de áudio do veículo, permitindo ao realizar e atender chamadas pelo comando satélite, além de ouvir as músicas armazenadas no seu celular. O porém do equipamento, é que apesar de ter um enorme botão redondo giratório, o volume fica numa tecla comum de apertar, o que causa certa confusão no começo. De resto, é um sistema honesto e funcional.

 

Motor


O Duster Dynamique 4×4 está equipado com motor 2.0 litros – 16V Hi-Flex (já conhecido em produtos Renault-Nissan). Esse motor traz algumas evoluções. Entre as mudanças realizadas para o Duster, destacam-se: nova central eletrônica, elevação da taxa compressão de 9,8:1 para 11:1.; quinta válvula injetora de combustível para partida a frio e novos cabeçote, válvulas, pistões e tampa de distribuição.

 

Este motor desenvolve a potência de 142 cv (etanol) / 138 cv (gasolina) a 5.500 rpm e torque máximo de 19,7 kgfm (gasolina) / 20,9 kgfm (etanol) a 3.750 rpm.

 

Desempenho


O motor 2.0 litros associado ao câmbio manual de 6 marchas tem os seguintes números: A aceleração até 100km/h acontece em 10,4 s (etanol) / 11,1 s (gasolina) e a velocidade máxima é de 181 km/h (etanol) / 178 km/h (gasolina). Considerando a proposta do veículo, seu desempenho é muito bom.

 

Equipamentos


O Duster Dynamique 4×4 já sai com todos os equipamentos principais de conforto e conveniência de fábrica. O ar-condicionado tem controle manual e a direção-hidráulica mostra-se leve na condução, auxiliada pela regulagem de altura do volante. Esta presente o banco do motorista com regulagem de altura, todos os vidros com controles elétricos e alarme. O volante e a manopla de câmbio são revestidos em couro e o banco traseiro pode ser rebatido (1/3 e 2/3). Outros recursos são o computador de bordo e o acionamento elétrico dos retrovisores externos. Sob o aspecto de segurança, o Duster vem com freios ABS e airbags dianteiros.

 

A versão 4×4 traz como diferencial a roda de liga leve na cor preta, máscaras negras nos faróis de neblina, pára-choques com duas tonalidades e monograma com a inscrição 4WD (4×4).

 

Preço e cores


O Renault Duster está disponível em sete opções de cores: Prata Etoile, Azul Crepúsculo, Cinza Acier, Vermelho Fogo, Branco Glacier, Preto Nacré e Verde Amazônia. Os preços são bastante convidativos. A versão topo de linha Dynamique 2.0 com tração 4×4 e câmbio manual tem o preço de R$ 64,6. Os opcionais são pintura metálica por R$ 850 e bancos em couro por R$ 1,5 mil.

Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
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