Avaliação: Volkswagen Jetta Comfotline

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    Por: Jorge Augusto

    por Jorge Augusto

    Desde a época de ouro do Santana, entre o meio da década de 80 e o começo da década de 90, que a Volkswagen não tinha um sedan médio que orgulhasse a marca pelo seu desempenho de vendas. Algum tempo depois, foi à vez do Bora tentar o posto. Porém esse nunca chegou a ser um produto expressivo em vendas, embora tivesse suas qualidades. Em seguida foi à vez do sedan Jetta, de primeira geração. O carro em si, estava à frente da concorrência em todos os sentidos, inclusive no preço, principal inibidor de suas vendas.

     

    Agora, com a nova geração do sedan Jetta, parece que a Volkswagen conseguiu resolver esse problema. O novo Jetta tem preço e atributos para brigar de verdade no seu segmento. O novo sedan está disponível no mercado brasileiro em duas versões: uma com motor turbo à gasolina e outra mais básica com motor flex e aspirado. E a versão que deve representar o maior volume de vendas é justamente a Comfortline, equipada com motor 2 litros aspirado e câmbio automático de seis marchas, foco dessa avaliação.

     

    Estilo


    O estilo do novo Jetta se alinhou a atual identidade da Volkswagen, que chegou ao Brasil com a reestilização do compacto Fox. Com linhas limpas, o resultado é um carro elegante é até certo ponto, sério demais. A silhueta é de um típico sedan. Na dianteira, a grade do radiador conta com as conhecidas barras horizontais e faróis de linhas retilíneas, perdendo os motivos redondos da geração anterior, assim como na traseira, que também ganhou lanternas de desenho horizontal. Alguns poderão achar tais lanternas discretas demais, para um carro que procura ser representativo. A lateral conta com um vinco na parte inferior que une as caixas de roda, e dá característica ao modelo. Na geração anterior, o Jetta e o Passat eram muito parecidos. Na geração atual, o Jetta ainda lembra o Passat, como também o Fox, o Tiguan e o Touareg. Tal semelhança é proposital e faz parte dos planos da VW de globalizar toda sua linha de produtos facilitando o reconhecimento de um modelo Volkswagen.

     

    Interior


    A atual geração não tem mais aquele acabamento refinado da geração anterior, com superfícies emborrachadas e padrão quase Audi. Agora, o uso de plásticos duros prevalece, mas a precisão do acabamento continua boa, sem folgas. O espaço interno é realmente generoso, sobretudo o espaço para as pernas e cabeça no banco traseiro. Também, com um entreeixos de 2,65 m, o resultado só poderia ser esse. Os passageiros que viajam no banco de trás ainda contam com alguns mimos. O fim do console central, que fica entra os bancos dianteiros, trás um comando elétrico de abertura e fechamento de todas as portas. Ao lado, uma tomada de 12 volts. Na ausência do quinto passageiro, pode ser utilizado como um descansa-braço braço central, que inclui dois porta-copos.

     

    O porta-malas, que figura entre os maiores da categoria, tem 510 litros de capacidade e só peca pelos braços que invadem o compartimento e roubam espaço das bagagens.

     

    Equipamentos


    O Jetta Comfortline quando equipado com todos os opcionais vem bastante completo de fábrica. Itens como ar-condicionado de duas zonas com recirculação automática, rodas de 17 polegadas, teto-solar com controle elétrico e bancos em couro são opcionais. Elementos como ABS, 4 airbags e ESP (controle eletrônico de estabilidade) e sensores de estacionamento na frente e atrás são de série.

     

    Outro recurso muito útil no Jetta é o I-System. Trata-se de controles instalados no volante do carro que permitem interagir com o sistema de som do carro, além das configurações do completo computador de bordo. É possível ainda controlar uma chamada celular, quando o equipamento está conectado a central multimedia através do bluetooth.

     

    Em matéria de equipamentos, o único diferencial do Jetta em relação aos seus concorrentes é o rádio com tela sensível ao toque (opcional) de uso muito intuitivo e boa conectividade. Ela permite conexão com celulares utilizando bluetooth para modo viva-voz, e ainda tem entradas para cartão tipo SD Card e entrada USB (instalada no porta-luvas) para o uso de pen-drives. Existe também a opção pelo sistema de rádio com GPS integrado, mas nesse caso, perde-se a característica touch-screen. Em geral, o novo Jetta é um carro muito equilibrado e com muitos atributos positivos. E seria a melhor escolha da categoria, se não fosse um porém.

     

    Motor 2,0 litros de 120 cavalos


    O senão desse Jetta está debaixo do capô. O motor 2.0 com oito válvulas rende míseros 120 cavalos quando abastecido com álcool. É pouco para um sedan desse porte. Diga-se de passagem, é o motor com menor rendimento da categoria. A título de comparação, o Santana EX lançado há mais de 20 anos, utilizava também um motor 2.0 de oito válvulas que desenvolvia 125 cavalos de potência máxima. Está mais que evidente que o Jetta merecia um motor mais avançado.

     

    Desempenho


    A aceleração de 0 a 100km/h é feita em 12 segundos com gasolina e 11,1 com álcool. Números comparáveis a carros com motor 1,6 litro de categoria bem inferior. Todavia, no uso urbano o Jetta tem desempenho razoável, mostrando-se relativamente eficiente. O motorista até esquece que o motor tem apenas 120 cavalos. Isso se deve, sobretudo ao excelente câmbio automático de seis marchas, que faz de tudo e mais um pouco para aproveitar ao máximo a capacidade do motor pífio motor. Já na estrada, o carro deixa bastante a desejar, por causa do longo tempo necessário para as retomadas de velocidade. O câmbio sempre faz sua parte muito bem, ao sinal do menor aclive reduz de sexta para quinta marcha e, se for um pouco mais acentuado, reduz para quarta. Quanto ao consumo, fica na casa dos 6 km/l no uso urbano e perto de 10 km/l no uso rodoviário quando utilizado álcool. Alias, se falta motor, sobra câmbio no novo Jetta. Além das seis marchas, existe a opção do controle seqüência de marchas (seja pela alavanca ou pelas borboletas instaladas atrás do volante) e ainda o modo “Sport”. Pena que o motor não ajuda esse ótimo câmbio.

     

    Ainda bem que existe a versão Highline do Jetta com preço na casa dos 90 mil, que conta com um admirável motor 2.0 turbo de 200 cavalos e pegada de carro esportivo (0-100 km/h em 7,3 segundos).

     

    Suspensão

     

    A suspensão oferece um excelente compromisso entre conforto e rigidez, tendendo para o lado mais esportivo. A estabilidade do carro é admirável. O Jetta faz curva com perfeição, considerando o fato de ter 4,64m de comprimento e suspensão traseira por eixo de torção (suspensão traseira independente só na versão turbo). O conjunto se mostra resistente o suficiente para encarar os buracos e lombadas das ruas brasileiras. Ainda que seja um carro executivo, são raros os momentos onde o Jetta raspa numa lombada ou valeta. Entre seus concorrentes diretos, a suspensão do Jetta destaca-se pela consistência, e provável durabilidade a longo prazo.

     

    Dirigibilidade


    O sedan segue a receita atual dos carros da VW de proporcionar uma dirigibilidade prazerosa, aliada uma ótima posição de comando. Talvez essa seja a característica mais marcante do novo Jetta. A ergonomia merece elogios, deixando todos os comandos à mão do motorista.

     

    Manobrar o carro também não é difícil, mesmo com todo tamanho do sedan. Os sensores de estacionamento na frente e atrás facilitam muito a tarefa. Além dos avisos sonoros, o motorista conta ainda com indicação visual na tela multimídia, no centro do console central.

     

    Preço


    O preço inicial da versão Comfortline com câmbio automático é de R$ 69.990. Já o veículo avaliado, com todos os opcionais, inclusive teto solar, o preço do modelo vai a R$ 81.130, muito caro para o motor que traz. Agora, por R$ 89.520 é possível levar a versão Highline com quase todos os opcionais da versão Comfortline mais o motor 2.0 turbo de 200 cavalos, o câmbio automatizado de dupla embreagem e um desempenho de tirar o fôlego. A tentação é grande. Todas as versões contam com três anos de garantia.

    Marcelo Alexandre
    Marcelo Alexandre
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    Marcelo Alexandre

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