Avaliação: Renault Sandero Privilege

Por: Jorge Augusto

A Renault vem a cada dia conquistando mais espaço no mercado brasileiro. Isso é resultado direto de um reposicionamento radical, que a marca adotou há cerca de cinco anos atrás. Entre as medidas, estava a inclusão (na época), de novos produtos mais adaptados ao gosto e necessidade do cliente brasileiro. E a base dessa mudança foi a chegada dos compactos Logan e Sandero. Com a proposta de serem carros mais resistentes e baratos, rapidamente caíram no gosto do brasileiro. E os bons resultados da marca, vem em grande parte desses modelos. Foco dessa avaliação, o Sandero Privilege (topo de linha), mostra que consegue ser um carro muito prático para o dia a dia, oferecendo o necessário quando o assunto é conforto.

 

Lançado no inicio do ano de 2008 e levemente reestilizado em 2010, o Sandero é um produto que conquistou seu lugar ao sol. Para se ter uma idéia, em março deste ano todas as versões do Sandero venderam mais de 8.200 unidades. Esse volume coloca o produto em 7º no ranking dos modelos mais vendidos no Brasil. Ainda que não seja um campeão de vendas, é um produto que tem seus méritos e qualidades.

 

O Renault Sandero é derivado do sedan Logan, mas ele tem argumentos técnicos para dizer que é mais que um Logan de traseira encolhida. Pra começar, o pára-brisa é mais inclinado e o entreeixos é quatro centímetros mais curto. Além disso, os vidros, lanternas, faróis, lataria e pára-choques são completamente diferentes. O Sandero é um carro voltado para um cliente que tem perfil com idade entre 25 e 35 anos, e ainda não tem filhos. Tecnicamente falando, o Sandero é um Logan mais bonito. A carroceria tem dobras e vincos com a única de função de dar característica ao carro. Até certo ponto, o Sandero é mais agressivo e imponente que concorrentes diretos.

 

Diferente da impressão que ficou para muitos usuários, de que carro francês é elaborado e pouco resistente, o Sandero vai na contramão disso, em todos os sentidos. Por dentro, observa-se pouca preocupação com o bonito e sofisticado. O interior é simples, porém funcional. São poucos, ou praticamente nenhum, os detalhes de estilo. Os consoles são em plásticos, sem recursos estilísticos. O interior alterna tons de cinza claro, cinza escuro e preto. Mas, ainda que não seja algo que salte aos olhos, é realmente funcional. Pra começar, espaço não falta, quando comparado a concorrentes diretos. As saídas de ar, são peças simples porém praticas e eficientes. A maioria dos botões esta à mão. Apenas um deles, deixa a desejar. O botão de regulagem dos espelhos elétricos, que fica no console central sob a alavanca do freio de mão. De resto, os consoles são acessíveis.

 

O painel também traz mostradores básicos, com iluminação âmbar. São poucas luzes de indicação e um mostrador de cristal líquido, que informa temperatura, nível do combustível e as informações básicas do computador de bordo. Simples, porém funcional. Um detalhe que poderia ser revisto, é a falta de iluminação no interior do carro a noite. Luz mesmo, apenas no painel e console central. Nem mesmo os botões dos vidros na porta, tem retro-iluminação.

 

O sistema de som, na versão Privilege, se mostra bastante completo. Traz conectividade bluetooth, entrada para pen-drive, entrada tipo P2 e lê CDs no formato MP3. Além disso, está presente um prático comando satélite atrás do volante que permite interagir com todas as principais funções do rádio. A única coisa “chata” no sistema é o botão redondo bem no meio do rádio, que não é o volume. E isso confunde a maioria das pessoas. Esse é um botão de seleção de funções. O controle de volume é feito por teclas na esquerda do rádio. 

 

Tanta simplicidade dá lugar a um interior funcional, com bom espaço e algo muito importante para quem pretende ter o carro por um bom tempo: um acabamento que sugere durabilidade. Algo que não vai desbotar, manchar, rasgar ou quebrar rápido. O interior espaço é um trunfo do Sandero, numa categoria onde sentir aperto, faz parte. Pra começar, o motorista dirige numa posição elevada, mesmo com a regulagem de altura do banco, no mínimo de altura. E se levantar o banco, fica aquela sensação de projeção. Tal característica é muito apreciada por mulheres. No banco traseiro, é perceptível o espaço maior tanto na largura, quanto na altura em relação ao teto. Até o porta-malas tem um bom tamanho, com 320 litros. Com os bancos traseiros rebatidos, sobe para fantásticos 1.200 litros. Então, se o cliente procura espaço num hatch compacto, o Sandero não decepciona. Também pudera, os números do carro são generosos, sendo comprimento de 4,02 m;largura de 1,74 m; altura de 1,52 m e entreeixos de 2,59 m. Traduzindo esses números fica algo como o Sandero é m Celta gigante, com comprimento de Peugeot 206 SW, altura de Fox, entreeixos de Stilo e largura de Golf.

 

O Sandero avaliado estava equipado com motor flex 1,6 litro – 8 válvulas, definido pela marca como “hi-torque” e câmbio manual de cinco marchas. O motor 16 válvulas, só no Sandero equipado com câmbio automático, ou na versão aventureira Stepway, que pode ter câmbio manual ou automático. Esse motor 8 válvulas tem potência máxima de 95 cv (etanol) 92 cv (gasolina) sempre à 5.250 rpm.

 

A Renault informa aceleração de 0 à 100 km/h em 11,7 s (etanol) / 12,1 s (gasolina). Números fracos para um carro 1,6 litro que pesa apenas 1.055 kg. Já a velocidade máxima melhora um pouco com 174 km/h (etanol) / 172 km/h (gasolina). Na estrada, essa versão do Sandero é apenas regular. As retomadas são lentas. Mas na cidade, principalmente no trânsito, o carro é bem ágil. Fica clara a vocação urbana do modelo.

 

Um dos diferencias do modelo é a suspensão verdadeiramente resistente. O carro encara lombadas, valetas e buracos com total tranqüilidade. Parece até um “jipinho”, no bom e mau sentido da palavra. Em nenhum momento da avaliação o carro raspou a parte de baixo num obstáculo. Subir guias também é tarefa simples, e os pneus de medida 185/65 R15 se mostram igualmente resistentes. O carro é valente. Imagine então a versão Stepway, que tem a suspensão ainda mais alta! Mas o lado ruim disso, é o baixo nível de conforto em piso irregular. Afinal, suspensão resistente, também é dura. De qualquer forma, o conjunto passa aquela sensação de “não vou desmontar daqui 50 mil km”, e nesse sentido a Renault conseguiu se aproximar muito do VW Gol, líder da categoria e conhecido pela sua durabilidade.

 

Versão topo de linha da gama (avaliada aqui) conta com pacote completo de itens, que inclui: ar condicionado manual, direção hidráulica com regulagem de altura, retrovisores e vidros dianteiros e traseiros com controles elétricos, travas das portas e do porta-malas elétricas e com sistema CAR (travamento automático a partir de 6 km/h), rádio CD “double din” com MP3 player integrado ao painel, maçanetas na cor da carroceria, banco traseiro bipartido (1/3 e 2/3), adesivos pretos na coluna “B” e soleiras das portas, rodas de liga leve aro 15, faróis de neblina e computador de bordo.

 

A versão Privilege tem preço inicial de R$ 41,1 mil. A pintura metálica acrescenta R$ 960,00. E o Pack segurança que inclui air-bags dianteiros e freios com ABS acrescenta R$ 2,5 mil. Outro ponto positivo é a garantia de 3 anos. No resultado final, o Sandero é um carro de compra racional. O cliente que procura algo prático, busca custo de manutenção acessível e quer um carro para o verdadeiro dia a dia urbano, vai encontrar no Sandero uma ótima opção.

Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
Marcelo Alexandre
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