Aviação: “Não somos concorrentes em segurança”

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Abav Collab reuniu lideranças de aviação com apoio da Abear

A fala de John Rodgerson, presidente da Azul Linhas Aéreas, resume o tom do encontro inédito entre lideranças das quatro companhias aéreas que atuam em território nacional. Unidos pela primeira vez em um mesmo palco, os presidentes das empresas foram unânimes em reforçar a segurança como prioridade na operação durante o painel promovido dentro da programação do Abav Collab, com apoio da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). “Estamos aqui para salvar nossa indústria; não somos concorrentes em segurança”, cravou Rodgerson em sua primeira fala.

Paulo Kakinoff, presidente da Gol Linhas Aéreas, reforçou a interdependência que é característica na indústria do Turismo e defendeu um pensamento sistêmico como garantia de solidez na retomada. “Somos competidores comercialmente, mas a competição inexiste em momentos desafiadores de operação, quando as companhias se unem em busca de soluções. A indústria é um organismo único e precisamos zelar por isso, independentemente da estratégia comercial”, completou.

Para Jerome Cadier, CEO da Latam Linhas Aéreas, um dos pontos centrais é garantir que a informação correta chegue ao passageiro final para que ele tome suas decisões de viagem com base em dados comprovados. “Desde o começo da pandemia, destacamos a segurança propiciada no interior das aeronaves. O ambiente fechado dos aviões assombrou muita gente no início, em relação a eventuais riscos de contaminação, mas provamos que voar é seguro por um conjunto de atributos que já existiam na operação e que foram somados a outros para combater a disseminação da covid-19”, pontuou.

Eduardo Busch, diretor da Voepass, acrescentou que o padrão é o mesmo para aeronaves menores, como os ATRs que a empresa opera. “Seguimos com os esforços para desmistificar e trazer informação correta aos parceiros para demostrar a segurança”, diz. O uso dos tão falados filtros de alta eficiência, que retêm até 99,97% das partículas do ar, a orientação da circulação da ventilação a bordo e os procedimentos adotados pela aviação em nível global são similares e dão a base científica que garante o bem-estar de todos a bordo. Essa padronização, segundo Kakinoff, é comum na cultura dessa indústria que tem como hábito adicionar boas práticas aos já altíssimos padrões de segurança sanitária na operação.

Testagem nas equipes de bordo

Mais do que com informações, essa segurança é confirmada com números. A aviação comercial não parou, mas teve uma redução drástica na malha em operação – chegando a 8% do tamanho original no início da pandemia, segundo dados da Abear – e, hoje, a média está na casa dos 40%. A continuidade nos serviços levou as empresas a investir na testagem dos colaboradores para garantir a saúde das equipes e os resultados que começam a aparecer reforçam a premissa das aéreas.

Na Gol, os dados estatísticos mostram que houve uma contaminação de tripulante para cada 1.156 decolagens realizadas, em um período de seis meses. Os números consideram os colaboradores que permaneceram até 30 horas por mês no ar. “Cerca de 2 mil pessoas passam por esses tripulantes por dia, no embarque ou no desembarque, a uma distância de 40cm, e a taxa de contaminação é muito baixa. Isso demole qualquer estudo ou simulação que se via no começo da pandemia e é um dado factual que prova que há risco de contaminação maior em casa do que dentro de um avião”, explica Kakinoff.

Latam e Azul informaram ter números parecidos, e a Voepass anunciou que não teve nenhum caso de colaborador diagnosticado com covid-19, considerando o período de 3 mil horas de operação desde o reinício dos voos, em julho. “Adotamos uma posição mais conservadora e interrompemos os voos em 22 de março para retomar em 3 de julho. Esse tempo foi importante para analisar o comportamento do mercado, planejar a sobrevivência dos negócios, revitalizar o interior das aeronaves, além de criar, implantar e testar os protocolos”, explica Busch.

Comportamento do passageiro

Além das mudanças visíveis na operação, os executivos destacaram também uma postura mais responsável por parte dos passageiros. “As pessoas estão aprendendo que viajar hoje é diferente Você não vê mais, por exemplo, aglomeração no desembarque. Todo mundo espera sentado quando o avião pousa”, observou Rodgerson.

Cadier reforçou que as mudanças contemplaram a jornada como um todo e fizeram a busca por ferramentas digitais aumentar consideravelmente. “O momento antes da viagem foi repensado, com apoio dos aeroportos, e os passageiros aderiram às alternativas tecnológicas para check-in e despacho de bagagens, minimizando o contato humano”, finaliza.

Todos concordam que a comprovação da eficácia dos protocolos justifica o movimento que vem no sentido de incentivar as viagens no curto prazo, um papel que o próprio Abav Collab exerce nesse momento. Se, em um primeiro momento, as aéreas se uniram para ajudar o País nos voos de repatriação e no transporte de medicamentos e profissionais de saúde, agora é hora de ajudar a fazer crescer a economia. “Já choramos muito e agora temos de olhar para a frente. Temos a obrigação de ajudar o Brasil na retomada”, opinou Rodgerson. “É nosso papel fundamental ser um motor dessa recuperação”, completou Kakinoff.

O painel foi gravado e o conteúdo na íntegra – com 1h12 de duração – pode ser conferido na plataforma que sedia o Abav Collab.

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