Azul e as ‘aeronaves alimentadoras’

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Abhi Shah, Alex Malfitani e John Rodgerson reforçam estratégia da Azul Linhas Aéreas

Por Camila Lucchesi

Confiante e otimista. Essa combinação expressa o que John Rodgerson, presidente da Azul Linhas Aéreas, sente em relação ao mercado brasileiro. Junto a conversa Alex Malfitani, vice-presidente financeiro, e Abhi Shah, vice-presidente de receitas, Rodgerson concedeu entrevista ontem (22/9) na sede da companhia em Barueri (SP), ele falou sobre a evolução do País, analisou a reforma trabalhista para a aviação nacional e descartou a priorização da política de ‘céus abertos’ para o mercado nacional. Eles ainda aproveitaram para reforçar a estratégia da aérea e além de anunciar novidades.

Para Rodgerson, a queda dos juros – de 14% em 2016 para 7% neste ano – somada com a inflação controlada e a estabilização do câmbio dá todos os sinais para um final de ano positivo. “Vamos crescer”, disse, de maneira enfática já prevendo números positivos para 2018. “A retomada ainda não aconteceu, mas a insegurança diminuiu. As pessoas que tinham medo de perder o emprego e deixaram de viajar agora já não têm mais tanto receio. Eles já voltaram a gastar com viagens”, afirmou.

Foco no doméstico

O cerne da estratégia da Azul está em criar novos serviços e frequências para estimular a demanda fora dos grandes centros. “Colocamos mais cidades no mapa, inserimos um público novo nas viagens aéreas. Isso tem dado certo para nós, posso dizer que temos ‘aeronaves alimentadoras’”, disse Rodgerson. “Campinas tinha 10 voos, agora são quase 200; o público do interior de São Paulo tem viajado mais; nosso hub de Recife serve 50 destinos e já são 20 ligações em Belém, que funciona como um minihub. Criamos nosso próprio mercado no interior do País, mas ainda existem muitas cidades que precisam do serviço”, complementou. “Queremos proteger a demanda atual e garantimos que nenhum dos nossos planos para ser uma empresa mais rentável inclui aumentar tarifas”, acrescentou Malfitani.

A rota Belém (PA) – Fort Lauderdale (EUA) é um dos exemplos. “Diminuímos em pelo menos 10 horas a viagem para os Estados Unidos de quem sai do Norte e do Nordeste com a nova ligação de apenas seis horas de voo. Antes, esses passageiros precisavam ir para o Sudeste para, só então, pegar a conexão internacional”, lembrou. Questionado sobre novas frequências internacionais, Abhi Shah reforçou o foco no desenvolvimento do mercado doméstico – especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

O VP de receitas destacou as novas ligações entre Recife (PE) e o aeroporto do Galeão (RJ); Cuiabá (MT) e Belém (PA); Goiânia (GO) e Recife (PE); e Curitiba (PR) e Recife. “Estamos felizes com nosso hub em Recife, mas precisamos criar novas conexões. Nossa expansão se inicia pelo mercado nacional, alimentando os hubs e as cidades centrais em nossa estratégia”, acrescentou Shah.

O executivo anunciou ainda o início da parceria com Ethiopian e Turkish Airlines, inicialmente limitada a inbound no aeroporto de Guarulhos. “Recebemos os passageiros e direcionamos à nossa malha interna”, explicou. Mas a estratégia também visa expandir a conectividade da empresa para a Ásia no futuro. “Esse tipo de parceria ajuda a diminuir custos e ter mais ofertas o que faz parte do nosso objetivo de levar cada vez mais benefícios aos nossos clientes”, resumiu o VP de receitas. Segundo ele, existe um plano de joint venture com a TAP que já está em análise na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Novidades devem ser anunciadas em um período que varia de seis a nove meses.

Bom para a aviação

Rodgerson se disse favorável às novas leis propostas pela reforma trabalhista, pois acredita que elas trarão benefícios para a operação. “Muitas vezes, uma aeronave fica em solo por apenas 30 minutos, mas é preciso contratar um agente por seis horas, por causa da legislação atual. Além de deixar a pessoa ociosa, isso onera a operação e, algumas vezes, inviabiliza pousarmos em determinadas cidades”, explicou. Ele também acredita que o fato de os funcionários poderem dividir as férias em três períodos poderá ser benéfico para o turismo.

Já a política de ‘céus abertos’ não faz muito sentido para o mercado brasileiro, na avaliação de Rodgerson. “A legislação norte-americana é muito mais flexível do que a brasileira, então os pilotos de lá podem voar muito mais horas do que os nossos. Isso é ruim para o Brasil”, defendeu. Para o executivo, o que precisa ser priorizado é a desburocratização do processo de visto de entrada no País. “Cobrem no aeroporto, pode ser até o dobro do valor para quem precisa tirar no aeroporto”, sugeriu. “Porque o complicado não é o custo, o difícil é dizer para um banqueiro, para um executivo estrangeiro que ele precisará ficar 30 dias sem sair do seu país de origem porque o passaporte está retido para emissão do visto brasileiro”, lamentou.

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