Azul expande malha no Mato Grosso em parceria com Asta; operação começa em 90 dias

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Adalberto Bogsan e Marcelo Bento Ribeiro

Atender mercados regionais está no DNA da Azul Linhas Aéreas desde sua fundação, em 2008. Hoje (22), a aérea deu mais um passo para a consolidação dessa estratégia ao firmar um acordo interline com a Asta, empresa sub-regional que opera no interior do estado do Mato Grosso. Com a novidade, que deve entrar em vigor em até 90 dias, a Azul agrega sete destinos no estado e passa a atender 111 cidades brasileiras.

As duas empresas que transportam passageiros há praticamente o mesmo tempo agora somam forças para incrementar os negócios e expandir a atuação, com benefício direto aos consumidores. Assim que a parceria for iniciada – o que depende apenas da conclusão de um processo de certificação da Asta junto à International Air Transport Association (Iata) e da integração de sistemas – os clientes poderão comprar passagens nos canais de venda das duas empresas, em um único tíquete e com valores negociados.

“Existe um enorme potencial espalhado pelo Brasil inteiro e a demanda não está apenas em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Brasília. O País continua se interiorizando via agronegócios e mineração e essa parceria nos leva a uma região que é muito forte economicamente, mas que não tem aeroportos com estrutura para receber uma aeronave como os ATRs que operamos”, pontuou Marcelo Bento Ribeiro, diretor de Alianças da Azul.

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Dados de órgãos oficiais de aviação corroboram a leitura do executivo, já que o número de voos domésticos per capta no Brasil é de apenas 0,5 – o que quer dizer que cada brasileiro viaja “meia vez” por ano. No México e na Colômbia, essa taxa chega a 0,7; no Chile é de 1,2; e, nos Estados Unidos, 2,6.

Acordo inédito

Essa é a primeira parceria doméstica da Azul, que reforçou o plano de expandir a operação para outras 30 cidades potenciais nos próximos anos. A possibilidade de usar o mesmo modelo de acordo não foi descartada, entretanto, a quantidade pequena de empresas sub-regionais em atuação pelo País engessa a expansão por essa via. “Não temos nada de concreto”, frisa Bento.

Fundada em 1995, a Asta operou até 2018 como empresa de táxi aéreo. Inicialmente focada em cargas, a companhia recebeu autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em 2009 para operar voos regulares com passageiros, o que hoje representa 95% do negócio. No ano passado, começou o processo legal para se tornar uma linha aérea e aguarda apenas a obtenção do Iata Standard Safety Assessment (Issa), certificação de  participação voluntária que garante a combinação de qualidade e segurança das operações para empresas menores.

O documento aumenta a projeção das empresas, o que dá à Azul segurança para firmar o acordo interline. Em termos de negócios, José Luiz de Oliveira Neto, diretor financeiro da Asta projeta 30% de aumento nas receitas quando a operação estiver consolidada, o que deve acontecer entre oito e dez meses após o início da parceria.

A operação conjunta será realizada em três aeronaves modelo Cessna Grand Caravan, de nove lugares partindo de Cuiabá para Água Boa, Canarana, Juara, Juína, Lucas do Rio Verde e Tangará da Serra, além de Cuiabá e Rondonópolis, onde a Azul também atua. “A malha foi montada de forma a garantir oferta complementar de voo nos destinos onde já temos presença e em horários que permitam rápida conexão com nossos voos”, diz Bento.

Além de trazer comodidade ao passageiro – com reembarque eficiente, economia de tempo e facilidades como check in único e despacho de bagagens direto ao destino final -, a iniciativa também facilita a vida financeira dos clientes corporativos do agronegócio, maior filão da sub-regional. “O viajante pode ir e voltar no mesmo dia ou fazer apenas um pernoite, o que diminui o custo para as empresas”, defende Adalberto Bogsan, CEO da Asta.

Outros dois Cessna Grand Caravan se juntarão à frota da Asta ainda neste ano e, em março de 2020, a companhia terá seu primeiro Twin Otter. A aeronave tem capacidade para 19 passageiros para atender às cidades com maior demanda, como Rondonópolis e Primavera do Leste que têm voos diários e chegam a duas frequências às segundas e às sextas-feiras.

Bogsan reforça que a estratégia da empresa é crescer, sem perder sua identidade de empresa sub-regional. “Queremos evoluir em número de aeronaves e não no tamanho delas. A ideia é ter aviões que acomodem 40 passageiros, no máximo, para continuarmos atendendo a esse perfil”, finaliza.

 

 

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