“Bleisure”: um novo nome para uma prática antiga entre brasileiros

O especialista em segurança do GRUPO GR, Rogério Rodrigues, separou algumas dicas para evitar assaltos em aeroportos, rodoviárias e estradas, seja no momento de ida ou volta

Por Mariana Aldrigui*

Há aproximadamente cinco anos, o termo “bleisure”, cunhado pela junção de “b” de “business” à palavra “leisure”, vem pontuando diferentes análises feitas por consultorias internacionais de viagens e turismo. “Bleisure”, portanto, refere-se à toda atividade de lazer inclusa em uma viagem de negócios, especialmente aquela financiada por empresas ou organizações (isto é, que não envolvem recursos do turista como pessoa física).

No Brasil, quando se fala em viagens de negócios ao exterior, é bastante comum que funcionários negociem extensões ou antecipações e aproveitem alguns dias no destino da viagem. Esse hábito, inclusive, é um dos pontos que mais seduzem jovens na busca de posições que envolvam viagens a trabalho. Em outros países, especialmente os europeus, isso já não é tão comum, e, nestes anos recentes, as extensões passaram a ser pauta de discussão em função das responsabilidades envolvidas, as famosas “liabilities”.

Em termos da gestão de pessoal, considerar a oferta de algumas vantagens e benefícios envolvendo viagens é algo tido como muito positivo. O mais usual é o acúmulo de milhas para uso particular, já que a empresa paga as passagens a trabalho. Hospedagem em hotéis de alto nível também gera pontos em programas de fidelidade, e se o indivíduo usa seu próprio cartão de crédito para pagar as despesas e depois pede o reembolso, ainda ganha os pontos referentes às movimentações realizadas. Entretanto, o que se discute atualmente é a inclusão de diárias extras para a prática do “bleisure” – pagas ou não pela empresa, mas permitidas e até estimuladas, como forma de incentivar o descanso, a criatividade e o vínculo com a empresa. Na maioria dos casos, há pouca ou nenhuma alteração no valor da passagem aérea, e o adicional em diárias hoteleiras é relativamente baixo em relação ao efeito disso no entusiasmo do colaborador.

Os desafios envolvem questões como a permissão ou não da inclusão de acompanhantes nessas viagens (em sua maioria parceiros ou filhos, mas também amigos), a extensão do período do seguro de viagem e a cobertura de despesas em casos de acidentes em práticas de lazer (como em atividades esportivas ou que envolvam excessos: bebidas, temperos, exposição ao sol etc.).

Do ponto de vista da gestão de empresas de turismo, reconhecer no “bleisure” uma alternativa para aumento de ganhos é uma estratégia acertada. Hotéis aumentam sua ocupação, especialmente em fins de semana, e podem oferecer pacotes atraentes para permanências mais longas. Restaurantes podem vincular descontos para visitas repetidas ou para pessoas que tragam acompanhantes. Operadores de seguros de viagem podem criar preços atraentes para inclusão de familiares em viagens previamente organizadas.

Agentes de viagem têm a grande oportunidade de diversificar os serviços prestados e montar pequenos pacotes ou roteiros que facilitem a decisão do viajante. Além disso, podem efetivamente orientar seus clientes (empresas) em como estruturar uma boa política de viagens que inclua os benefícios do “bleisure” para seus colaboradores.

Finalmente, é possível que destinos de turismo de negócios, como as capitais e as cidades estratégicas nas áreas de indústria e serviços, estruturem melhor seus produtos para acolher essa demanda e ampliar os ganhos desta permanência estendida. Ofertas especiais com descontos em museus, atrações, restaurantes e centros de compra, entre outras diversas opções, podem ser muito bem recebidas por turistas “bleisure”.

Mas não podemos esquecer: o nome é novo; a prática, não. A cidade de São Paulo, sob uma gestão profissional e responsável, já liderou uma campanha bem-sucedida chamada Fique Mais um Dia. Infelizmente, como sempre acontece na política, mudança de governo implica abandono de práticas exemplares. Ao menos temos o exemplo a ser seguido.

*Mariana Aldrigui, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, acumula 25 anos de experiência em diferentes empresas do turismo brasileiro, é professora e pesquisadora e integra o corpo docente da Universidade de São Paulo desde 2006. Participa ativamente de grupos internacionais que se dedicam ao debate sobre turismo e seu papel econômico e social. Desenvolve análises sobre o turismo em São Paulo e no Brasil, com destacado interesse na área de políticas públicas, educação e desenvolvimento do turismo.

Deixe uma resposta