Blue World Project será o maior investimento do SeaWorld

Por: Priscila Ferraz

Com foco em saúde, segurança e cuidados, o SeaWorld acaba de anunciar uma novidade que pretende melhorar ainda mais o bem-estar de suas baleias orca. O chamado Blue World Project é uma grande expansão das piscinas e do ambiente onde vivem as baleias. Desenvolvido pelos treinadores, veterinários, pesquisadores e cientistas da equipe, o projeto pretende ser o melhor habitat possível para os animais.

 

O primeiro parque a receber a novidade será o SeaWorld San Diego, na Califórnia (EUA). O início de sua construção está previsto para o próximo ano, com término e entrega em 2018. Em seguida será a vez do SeaWorld Orlando, na Flórida (EUA) e então o SeaWorld San Antonio, no Texas (EUA). Apesar de não divulgar valores, esse será o maior investimento da companhia, segundo a diretora de marketing Aimée Jeansonne Becka.

 

O primeiro dos novos habitats terá um volume total de 38 milhões de litros de água – quase o dobro do atual. Com uma profundidade de 16 metros, superfície com área de seis mil metros quadrados e medindo mais 106 metros de comprimento, a nova instalação também proporcionará uma visão de mais de 12 metros de altura, tornando-se a maior área para observação subaquática de orcas do mundo.

 

Atualmente, o SeaWorld conta com 30 orcas no total, o que representa a maior população em uma estrutura de zoológico em todo o mundo. Além disso, o Blue World Project será parte da evolução contínua dos conhecimentos humanos sobre os animais e como são cuidados nas instalações da companhia.

 

Como parte de sua preocupação com o futuro, o SeaWorld também se comprometeu em investir US$ 10 milhões em pesquisas sobre as orcas de vida livre e está ingressando em uma parceria multimilionária para a conservação dos oceanos, que é a principal preocupação para a sobrevivência de todas as espécies marinhas.

 

SeaWorld & Busch Gardens Conservation Fund

 

O compromisso do SeaWorld com os animais abrange o mundo inteiro. Por meio do SeaWorld & Busch Gardens Conservation Fund a companhia envia ajuda financeira a pesquisas de apoio à vida selvagem, preservação de habitats, resgate de animais e educação ambiental a comunidades locais.

 

Até o momento foram beneficiadas mais de 800 organizações do mundo todo e, desde que a fundação foi criada, em 2003, foram mais de US$ 11 milhões repassados a projetos. “E é importante pontuar que 100% dos fundos recebidos em doação é repassado”, disse Gisele Montano, membro do time de especialistas em pesquisas do SeaWorld e Busch Gardens.

 

O fundo também ajuda a reduzir o tráfico ilegal de animais e selvagens e a proteger, entre outros, rinocerontes em risco de extinção (com a marcação de DNA); o Tigre-de-sumatra na Indonésia; além de pinguins doentes e feridos e filhotes abandonados na África do Sul.

 

Um dos projetos beneficiados no Brasil é o Projeto Tatu-Canastra, que ocorre no Pantanal brasileiro. “O projeto começou em 2010 e desde 2012 recebe apoio do SeaWorld & Busch Gardens Conservation Fund. Antes do estudo não se sabia quase nada sobre a espécie, pois poucas pessoas já viram um Tatu-Canastra. Então esse foi o primeiro projeto em longo prazo sobre a espécie”, observou o coordenador do projeto, Arnaud Desbiez.

 

“Isso é importante, pois os animais que estão nos parques também ajudam a toda a comunidade científica e têm a capacidade de fornecer informações (por meio de amostras) para os cientistas fazerem uma base e estudos paralelos com animais que se encontram em vida selvagem”, afirmou Gisele.


Histórico

 

Os parques SeaWorld e Busch Gardens são lar de quase 40 espécies ameaçadas, além de participarem de diversos planos de sobrevivência para gerenciamento dessas populações em vida selvagem. O objetivo da companhia é não somente entreter, mas educar as pessoas. Além disso, pretende também devolver o conhecimento adquirido ao oceano.

 

Em 50 anos, o SeaWorld já recebeu mais de 400 milhões de visitantes, que puderam ter contato próximo com os animais e adquirir consciência da necessidade de respeito e proteção dos oceanos. Considerando todos os parques, a companhia cuida de aproximadamente 86 mil animais, o que constitui uma das maiores coleções de animais da América do Norte em instituições zoológicas.


Orcas

 

Assim como todos os outros animais, as orcas vivem em um habitat seguro e moderno, recebendo tratamentos médicos de qualidade e contínuo desenvolvimento social, mental e físico. “Esses animais estão saudáveis e bem adaptados ao seu ambiente. Elas também estão treinadas para cooperar com seu próprio cuidado. Oferecem, por exemplo, a nadadeira caudal para poder coletar sangue ou podem urinar em um copo de maneira totalmente voluntária. É devido a esse cuidado que temos que a expectativa das orcas dos nossos parques é equivalente a das orcas de vida livre”, explicou Gisele.

 

Segundo a especialista, o show das orcas é importante para os visitantes, mas também para os próprios animais, pois os exercícios físicos são uma forma de estímulo mental importante para seu bem-estar. “Se uma orca que está nos bastidores não quer participar do show, não participa. E mesmo assim naquele dia recebe a mesma quantidade de alimento. Todos são treinados por um método chamado reforço positivo, o que cria um ambiente bem estimulante, divertido e interessante – e faz com que os animais queiram participar do show”, garantiu. “Esse treinamento é individual e pode mudar a cada dia para cada animal. As orcas passam o dia todo com os treinadores, então têm uma relação bem forte e os percebem como um ser que pertence ao seu grupo”, completou.


Resgate

 

Cerca de 90% das orcas e golfinhos que os visitantes veem nascem nos parques. De acordo com Gisele, o SeaWorld não retira nenhum mamífero marinho da natureza (especificamente as orcas) há mais de três décadas. “Isso foi possível devido ao aumento nas pesquisas e no entendimento e cuidado com esses animais. E também houve um avanço enorme das pesquisas sobre reprodução, que são pioneiras nessa área e muito bem sucedidas”, comemorou.

 

Todo o conhecimento e recursos são utilizados também para os animais que estão em vida selvagem. Todos os anos milhares de mamíferos marinhos no mundo inteiro – incluindo centenas na costa da Flórida e da Califórnia – são encontrados encalhados, doentes, mal nutridos ou vítimas de acidentes ambientais e causados pela presença humana.

 

“Quando esses animais em perigo são identificados, os moradores locais, guardas costeiros e organizações de cuidado do meio ambiente nos chamam porque sabem que nossa equipe de resgate está de plantão 24 horas por dia. A complexidade de cada resgate é bem variada. Às vezes os animais são tratados em nossas instalações e podem ser liberados em até menos de 30 dias. Outros ficam sob o nosso cuidado por anos, até que possam ser soltos na natureza”, esclareceu.

 

No começo deste ano, muitos lobos-marinhos foram encontrados encalhados na costa da Califórnia, principalmente filhotes mal nutridos. Com centros cirúrgicos, equipamento de raio-X, salas de preparação de alimentos, área de reabilitação e estrutura para a maioria dos processos necessários, foram mais de 800 lobos-marinhos resgatados somente em 2015 – e mais de 26 mil animais resgatados em 50 anos de SeaWorld.

 

 

Priscila Ferraz de Mello

Priscila Ferraz de Mello

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