BNT Mercosul: Líderes avaliam cenários da hotelaria e das operadoras

De acordo com Roberto Nedelciu, presidente da Braztoa, 100% das operadoras atuam com serviços e produtos dedicados ao mercado nacional

BNT Mercosul
Roberto Nedelciu

A BNT Mercosul, que ocorre de forma virtual até a próxima sexta (28), iniciou sua programação desta quinta (27) destacando panoramas e expectativas de operadoras e hotéis. Érica Drumond, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional), chama atenção para a palavra “inovação”.

“Não estou falando sobre uma inovação tecnológica, mas de uma renovação que perdura há mais de décadas, que contempla normas e legislações. Somos um país burocrático e isso afeta muito o empresariado e transmite a ideia de ser um mercado difícil de investir. Estamos no caminho dessa inovação, com leis do consumidor, direitos autorias, entre outros”, comenta a profissional.

A questão dos direitos autorais, por exemplo, a executiva destaca a dupla tributação, visto que é algo pago pelos serviços de streaming, reforçando as burocracias brasileiras. Outra questão ressaltada por Érica envolve cobrança em dólar, visto que o Brasil é país que não inclui serviços de hospedagem em produto de exportação.

“É um vexame termos diárias médias abaixo de US$ 50 nos portais. Eu não acredito que um turista de alta qualidade se sinta atraído. Nós buscamos os turistas, mas na hora que ele chega, eu não posso passar o cartão em dólar ou euro. Temos que correr atrás de uma padronização que já ocorre no exterior”, comenta.

No entanto, a vice-presidente da ABIH incentiva que os hotéis se posicionem no mercado e não trabalhem somente como um local para dormir. “As empresas têm que apostar na inovação mercadológica, nos atrativos locais. Ninguém vai para um hotel para ficar no hotel. Minha mensagem é de positivismo, de saber que tudo passa e, quando passa, quem souber aproveitar sairá com planejamentos melhores”, avalia.

A profissional também cita a tendência no turismo doméstico como forma de reter economia e gerar renda no Brasil. “Eu acredito que vamos ter competência para manter isso. Quanto mais se conhece, mais se quer conhecer. A vantagem do idioma, da culinária, da diversidade. Mas cada destino precisa fazer sua promoção e contar com governo para questões macro”, pontua.

Operadoras

Roberto Nedelciu, presidente da Braztoa – que encerra o seu mandato neste mês e já adianta sua reeleição – declara que há pilares que permanecem como essenciais para o segmento, incluindo saúde, visto que a pandemia trouxe medidas que tendem a permanecer (como o protocolo de saúde e vacina), e humanização.

 O profissional destaca como as operadoras tiveram de mudar seu escopo após o início da pandemia, como empresas que tinham como principal atuação os mercados internacionais. “Antes, 60% das operadoras atuavam mais com o turismo internacional. Hoje, 100% trabalha com nacional e estão desenvolvendo novos produtos”, comenta Nedelciu, que cita que de 2020 para 2019, o faturamento das vendas caiu de R$ 15 bilhões para R$ 4 bilhões. “Ano passado, transportamos 3,3 milhões de pessoas, sendo 96% destes no mercado nacional”, complementa.

O presidente da entidade se orgulha, ainda, de como a Academia de Excelência Braztoa vem auxiliando o segmento nesse trabalho de desenvolvimento de novos serviços e produtos. “O Mato Grosso do Sul está pagando para que alguns profissionais realizem este treinamento. Também estamos conversando com Minas Gerais”, afirma.

Sobre o mercado nacional, Nedelciu nota um crescimento significativo no setor brasileiro, com alavancamento mês a mês. “As pessoas estão viajando mais e acreditamos que na hora que estiver tudo liberado, vai ser um movimento grande. Já é possível termos uma expectativa grande para o segundo semestre”, conclui.

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