Boeing estava ciente das falhas nos simuladores do B737-MAX

Comitê dos Transportes da Câmara dos Representantes diz que mensagens internas mostram um esforço concertado para esconder informação crítica dos reguladores e do público
Boeing 737 Max. Foto: reprodução.

Nesta sexta-feira (10), a Boeing disponibilizou ao Congresso dos Estados Unidos mensagens que atestam seu conhecimento sobre as falhas do B737 Max. O conteúdo indica mau funcionamento nos simulados do aparelho, possivelmente vinculado aos acidentes de 2018 e 2019, na Indonésia e Etiópia, que tiveram 346 mortos.

“Este avião é desenhado por palhaços, que por sua vez são supervisionados por macacos”, diz uma das mensagens datada de 2017, referindo-se à Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla inglesa).

As mensagens foram disponibilizadas por congressistas norte-americanos que investigam o processo de certificação do B737 MAX, em 2017 e 2018, e veiculadas pela agência France-Presse (AFP).

“Ainda não fui perdoado por Deus pelo que escondi no ano passado”, escreveu outro funcionário, em mensagem datada de 2018. Há ainda um colaborador afirmando que não deixaria a família voar numa aeronave B737 Max.

A Boeing, em comunicado oficial, se desculpou à FAA, ao congresso e aos clientes pelo conteúdo das mensagens. “Essas comunicações não refletem a empresa que somos e que precisamos ser, e são completamente inaceitáveis”. A empresa se dispôs a ajudar na investigação e declarou que ações disciplinares serão tomadas.

A empresa afirmou  que novos testes foram feitos no equipamento para assegurar o pleno funcionamento. O sistema de controle automático, que pode estar entre as causas dos acidentes está sendo redesenhado.

“Depois de analisar cuidadosamente o problema, estamos confiantes de que todos os simuladores Max da Boeing estão funcionando de maneira eficaz. As atividades de qualificação mencionadas nessas comunicações ocorreram no início da vida útil desses simuladores. Desde então, especialistas internos e externos no assunto testaram e qualificaram repetidamente os simuladores em questão”, afirma a nota oficial.

Segundo Peter DeFazio, do Comitê dos Transportes da Câmara dos Representantes, que investiga o 737 Max, as mensagens comunicações “mostram um esforço concertado, datado dos primeiros dias do programa do 737 Max, para esconder informação crítica dos reguladores e do público”.

A FAA declarou que “qualquer deficiência potencial identificada nos documentos foi tratada”.

Conteúdo original: Agência Brasil

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