Brigada do Pantanal: campanha visa auxiliar áreas atingidas no MT

O nome da brigada foi escolhido em homenagem ao naturalista e documentarista que foi responsável por divulgar as belezas do Pantanal ao mundo, inclusive nos anos 80, quando guiou uma equipe do documentarista Jacques Cousteau (1910-1997)

pantanal
Tuiuiú, ave característica do Pantanal. Foto: Ana Azevedo.

O Instituto Homem Pantaneiro em parceria com organizações, institutos anunciou a campanha Brigada Haroldo Palo Jr, no Pantanal (MT), que visa por meio de financiamento coletivo, auxiliar as áreas atingidas pelo fogo. O valor mínimo para doações é de dez reais.

O projeto visa a arrecadação de R$ 500.000 (sendo 13% de taxa da plataforma) pela plataforma catarse, um crowdfunding voltado ao público internacional operado pelo parceiro Jaguar ID Project com previsão de atrair até US$ 100.000.

A previsão inicial é de que a campanha arrecade recursos para a manutenção da brigada com duas unidades com equipes atuando contra o fogo durante toda a estação seca de 2021 (ou antes se necessário). “Cada um pode colaborar e qualquer contribuição faz diferença. Vamos controlar esse fogo juntos”, afirma Filipe Cunha, especialista em Marketing Digital, que elaborou a estratégia da campanha.

A iniciativa aceita doações em criptomoedas pela plataforma Mercado Bitcoin e doações de equipamentos, como dois barcos, máscaras e Equipamento de Proteção Individual) ou recursos por empresas que poderão inserir suas marcas nos equipamentos doados. Empresas interessadas em doar equipamentos ou recursos devem escrever para o email: [email protected] ou mandar mensagens pelo site Brigada do Pantanal.

 “O fogo e a fumaça asfixiam a natureza e toda a economia do Pantanal. Sofrem o turismo, a pecuária, a pesca e as cidades e, por consequência, toda a população, como ribeirinhos, indígenas e produtores, além dos animais silvestres e o gado”, afirma Lawrence Wahba, documentarista e um dos idealizadores de uma campanha.

Segundo Angelo Rabelo, diretor de Relações Institucionais do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e coordenador deste projeto, a ideia de criar a brigada surgiu para apoiar o Estado, uma vez que a contratação de brigadistas pelo Ibama e ICMBio ocorre de forma sazonal, entre julho e dezembro, e não consegue ter homens suficientes para atuar nas regiões mais remotas e menos habitadas do Pantanal.

“Neste ano, os incêndios começaram em fevereiro. Então, contratamos brigadistas que já tinham experiência, pagando diárias para eles, até que, em julho, o Ibama contratou novas equipes. Assim, nossa proposta é preencher essas lacunas nas quais os brigadistas não estão mobilizados e, ao mesmo tempo, cumprir um papel de prevenção em locais que são de interesse estratégico para conservação, sobretudo em áreas públicas e distantes das cidades”, diz.

Rabelo pontua que uma brigada profissional com homens treinados, equipados e remunerados irá patrulhar as regiões da Serra do Amolar, o Parque Nacional do Pantanal e o Parque Estadual Encontro das Águas. Segundo ele, desde março o IHP está mobilizando brigadas temporárias de combate ao fogo com recursos doados, mas os focos são maiores que as equipes disponíveis e eles se espalham rapidamente.

“O tempo de treinamento e contratação necessários pode causar prejuízos incalculáveis. Somente com equipes fixas treinadas e equipadas as tristes cenas com macacos, jaguatiricas e onças carbonizadas deixarão de ser rotineiras nos telejornais”, afirma.

Sobre os cuidados para se preservar a fauna pantaneira, Wahba antecipa que, além de atrair recursos para a criação da Brigada Alto Pantanal, 10% do que for obtido pela campanha serão destinados à construção de um ambulatório veterinário na Serra do Amolar e outros 10%, para alguma ação de mitigação de impacto na fauna da região da Transpantaneira/Porto Jofre, a qual vem sendo discutida com a ONG Ampara Silvestre que já presta primeiros socorros a animais vítimas das queimadas na região.

“Haroldo inspirou nove entre dez fotógrafos e documentaristas de natureza do Brasil. Foi um mestre generoso e quem me apresentou ao coronel Rabelo e a Cláudia Gaigher, jornalista que nos apoiaram desde o começo nessa iniciativa. Sua dedicação à causa conservacionista em geral e ao Pantanal em particular faz com que essa homenagem seja mais do que merecida”, diz Wahba, citando uma frase do homenageado: “Quando preservamos a paisagem, preservamos todas as plantas e animais que nela habitam, inclusive nós mesmos”.

Será criado um comitê gestor da brigada, formado por um representante do Instituto Homem Pantaneiro, um representante da ONG Panthera Brasil e pelo guia de ecoturismo e liderança comunitária Ailton Lara, convidado devido à relevância de sua atuação diante dos focos de incêndio que assolam o Pantanal. Lara abandonou o combate às chamas que ameaçavam sua própria pousada e foi com dois brigadistas combater o fogo no Parque Estadual.


Deixe uma resposta