Casamentos e negócios

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Além dos eventos que tratam do turismo de luxo, como a ILTM São Paulo e o Fórum de Turismo de Luxo no Brasil, maio  também acolhe muitos workshops, feiras e lançamentos da indústria de casamentos e lua de mel. Trata-se de um mercado que continua crescendo no Brasil, atraindo investimentos, mesmo nos últimos anos, quando a economia do País patinou e apresentou resultados lastimáveis.

O número de programas de TV, publicações impressas e influenciadores digitais que tratam do assunto não para de crescer. Já o trade turístico, com pouquíssimas exceções, não tem dado a atenção devida ao tema. Seja por desconhecimento, seja por medo ou miopia mercadológica. Alguns poucos hotéis, sobretudo em São Paulo e Rio, investem consistentemente nas festas de casamento, inclusive mini-weddings  e noites de núpcias.

Consistentemente porque nesse segmento de mercado é preciso trabalhar com estratégia de longo prazo  e constância – como tem feito o Palácio Tangará, em São Paulo – e não uma vez ou outra. Quando se fala em distribuição, menos de uma dúzia de operadoras e agências são especializadas em viagens românticas de luas de mel, e essas poucas estão concentradas em nichos, como os de clientes de alta renda ou casais LGBT.

Trancoso, na Bahia,  muito mais por iniciativa privada que pública, é um  destino que tem procurado se posicionar como ideal para celebrações, movimentando a cidade na baixa estação e fazendo a alegria de receptivos, pousadas e hotéis que aprenderam a fazer festas de casamento. Assim como o Tahiti, que tem investido muito no público brasileiro e conseguido resultados significativos. Já o interesse e o número de casamentos de brasileiros na Itália, mais especificamente na Toscana caiu, embora não tenha atingido nem de perto sua maturidade, muito  por conta do destino não ter dado atenção devida ao segmento, assumindo postura passiva.

Fala-se muito hoje em economia afetiva, quando uma peça tem valor sentimental para um indivíduo e ele paga o preço que lhe é apresentado, sem barganhar, para tê-la. No caso do turismo, é possível falar também de destinos afetivos, aqueles que o cliente tem em alta estima porque neles se viveu experiências positivas e marcantes na vida. E, para um casal, tem destino mais importante que aquele em que passou os primeiros dias de casados?

O hotel Nau Royal, em São Sebastião, no litoral paulista, por exemplo, tem investido nesse conceito.  Reconhecido pela excelência dos serviços, a arquitetura premiada e a aura de luxo que carrega, tem se posicionado como um empreendimento de celebrações a dois, assumindo todos os riscos e triunfos dessa estratégia. Poucos são os empreendimentos que percebem o potencial que esse tipo de viagem carrega.

Momentos felizes é o tipo de associação que toda a marca deseja. E quando bem trabalhada, pode ajudar na construção da reputação nos processos de branding.

Um exemplo recente é o casamento do príncipe Harry com a Duquesa de Sussex. Sem dúvida,  uma das ações de relações públicas emblemáticas para placing brand. Nenhuma campanha  poderia ser mais eficaz  para promover a cidade de Windsor. Bilhões de pessoas acompanharam a cerimônia e a pequena cidade inglesa nunca recebera tantos turistas em um único final de semana assim como a atenção da mídia.

Destinos, hotéis, operadoras e agências podem sair ganhando se souberem casar estratégia, bons serviços e comunicação com os sonhos dos noivos. No entanto,  como em qualquer relação, é preciso boa vontade, investir e persistir.

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