CNC: Intenção de Consumo cai pela primeira vez desde junho

Um novo levantamento da Intenção de Consumo das Famílias realizado pela CNC concluiu que houve a primeira queda do índice em quatro meses, seguindo rota contrária do final de ano

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Foto: energepic/Pexels

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que houve uma queda no índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em novembro, indo na direção contrária da alta e estabilidade dos quatro meses anteriores.

Apresentando queda mensal de 0,9%, o indicador registrou uma marca de 73,4 pontos, abaixo do nível de satisfação de 100 pontos, tendência que persiste desde abril de 2015. Mesmo assim, novembro teve a maior pontuação da série desde março de 2021 (73,8), e foi melhor que em novembro de 2020 (69,8), apresentando elevação na comparação anual de 5,1%.

Dentre averiguações apresentadas pelas pesquisas da CNC, destaca-se a redução do poder de compra do público, além do encarecimento do crédito: o item Acesso ao Crédito se viu com sua segunda queda consecutiva, de 2,3%, apresentando a maior taxa negativa do mês.

Segundo José Roberto Tadros, esse recuo foi influenciado pela trajetória de alta dos juros, iniciada pelo Banco Central para conter o aumento de preços. “Os números demonstram que as incertezas econômicas e políticas estão sendo incorporadas pelos consumidores”.


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A soma de ambos os fatores também afetaram o item Perspectiva de Consumo, mantendo sua tendência negativa com queda mensal de 1,5%.

A economista responsável pelo estudo, Catarina Carneiro da Silva, justifica a relação pois o crédito é um artifício que consumidores utilizam para aumentar suas rendas e manter seus padrões de consumo.

“A incerteza quanto ao tempo necessário para abrandar o processo inflacionário e o nível que os juros devem alcançar para conseguir o objetivo já estão influenciando no momento de consumir e gerando maior cautela”, afirma Catarina.

Por fim, a edição de novembro também destaca a performance dos recortes por regiões: dentre elas, o Norte apresentou queda na variação anual na maioria dos indicadores, exceto o Momento para Compra de Duráveis (+13,9%); o mesmo item foi, em contrapartida, o único a registrar queda no Sudeste (-16,7%).

Os dados continuam majoritariamente positivos, quando comparados com 2020: no Sul e Centro-Oeste, apenas o fator Acesso ao Crédito sofreu com uma retração de 6,3% e 6,9%, respectivamente. Já no Nordeste, a Perspectiva Profissional teve o resultado mais negativo, com queda de 3%.

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