CNC registra queda no Icec em março e exclui estimativa de crescimento

De acordo com a CNC, a pandemia do Covid-19 resultará em uma perda de R$ 25,3 bilhões nos principais mercados: SP, RJ, MG e DF. Saiba mais!

ICF

De acordo com o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de março, apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (CNC). O índice é mais alto do que foi registrado em março do ano passado e representa o maior patamar desde dezembro de 2012, contudo mostra queda na comparação com o mês anterior (-0,2%).

“A proporção de comerciantes que avaliam as condições atuais da economia como melhores ainda está ancorada nas projeções de maior crescimento este ano, projeções estas que estão sendo revisadas em função da evolução do Covid-19.”, explica José Roberto Tadros, presidente da CNC, lembrando que o desempenho positivo do comércio vinha injetando otimismo em relação ao desempenho do varejo no futuro.

Medindo a satisfação quanto às condições correntes, o índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec) mostrou alavancamento mensal de 1,1% e de 5,2% na comparação anual. Já o desempenho do subíndice Expectativas do Empresário do Comércio (IEEC), aparecem os primeiro efeitos do Covid-19. As expectativas para os próximos meses são piores do que em fevereiro, com uma queda registrada de 0,7%, e 2,2% frente ao mesmo período ano passado.

Já quanto aos investimentos, o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) também contou com variação negativa de 0,6%, com 106,9 pontos. No entanto, em comparação ao ano passado, houve aumento de 2,1%, apontando que, durante o período de apuração, os empresários ainda estavam dispostos a investir.

Houve, também, redução na intenção de contratar funcionários de 2,7% em relação a fevereiro, chegando a 123,9 pontos. Em março, o percentual de comerciantes dispostos a aumentar o quadro de funcionários foi 69,1% dos empresários, ante 74,1% em fevereiro e 72% em março do ano passado.

Izis Ferreira, economista da CNC responsável pela pesquisa, a inflação mais baixa e a melhora nos indicadores de emprego, a economia vinha se recuperando gradualmente. “A crise do novo coronavírus, contudo, começou a impactar o otimismo dos comerciantes, especialmente pelo canal das expectativas para o curto prazo, em que as perspectivas para economia, comércio e empresa reduziram-se na passagem mensal”, completa.

CNC: Maiores volumes de vendas

De acordo com a CNC, as perdas diretas impostas ao comércio pela pandemia de coronavírus devem chegar a R$ 25,3 bilhões na segunda metade de março somente nos três estados com maiores volumes de venda, ou seja, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e no Distrito Federal (sem contabilizar perdas indiretas decorrente da queda espontânea da movimentação). Estes correspondem por 52% do faturamento anual do setor.

“O comércio está registrando prejuízos que representam um desafio histórico para as empresas. A CNC já enviou ao governo federal um documento com sugestões de medidas que possam reduzir os impactos negativos da crise nas empresas, visando a manutenção dos empregos. Estamos buscando todas as soluções disponíveis para que os empresários possam enfrentar essa difícil conjuntura”, destacou Tadros.

Em São Paulo, a CNC estima que perda no volume de vendas chegue a R$ 15,67 bilhões, uma retração de 29,9% frente ao faturamento usual do setor. O governo do estado decretou o fechamento de lojas em diversos segmentos do varejo entre 20 de março e 5 de abril Um decreto entrou em vigor um dia antes no Distrito Federal, estendendo também até 5 de abril. A expectativa é que as perdas cheguem a R$ 815,33 milhões, uma queda de 30,7%, segundo CNC.

Os estabelecimentos comerciais de Minas Gerais, que deverão permanecer entre os dias 23 de março e 10 de abril, devem acumular uma queda de R$ 4,45 bilhões, ou seja, -27,1% no faturamento. No Rio de Janeiro, a projeção é de uma perda de R$ 3,6 bilhões no comércio desde as restrições. Além do decreto de fechamento, a prefeitura decidiu que todos os pontos comerciais especializados na venda de produtos não-essenciais fechem as portas por tempo indeterminado.

Sem crescimento

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta terça (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 1% no volume de vendas do varejo em janeiro, frente a dezembro de 2019 (já computados os sazonais).

Segundo Fabio Bentes, economista da CNC, a retração, maior que a esperada para o primeiro mês do ano, representou o pior resultado desde janeiro de 2016, com uma queda de 2,6%. “Esta queda já revelava uma certa fragilidade no processo de recuperação do consumo antes mesmo do surto de coronavírus. Os dados ainda não evidenciam a forte perda de atividade econômica verificada pelo setor a partir da intensificação da pandemia”, completa.

A CNC não apresentará, neste mês, projeções com base na PMC, diante do atual cenário. No entanto, deixa claro que a estimativa anterior da Confederação para 2020, de que o varejo cresceria 3,5% – 5,3% no varejo ampliado –está descartada.

“Teremos uma estimativa mais precisa tão logo seja possível detectar o impacto da crise atual sobre todos os condicionantes do consumo (mercado de trabalho, inflação, condições de crédito e confiança de consumidores e empresários)”, afirma Bentes. “Há de se esperar uma significativa revisão das projeções quanto ao desempenho do varejo neste ano”, conclui.


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