Como as políticas públicas podem fomentar o Turismo LGBTQIA+?

Painel faz parte da programação do Fórum de Turismo LGBT do Brasil; amanhã o debate terá foco em marcas com propósito social

Políticas públicas para fomento ao Turismo LGBTQIA+ foi o tema central do quarto painel do Fórum de Turismo LGBT do Brasil, exibido hoje pelos canais do Brasilturis Jornal e da revista ViaG no YouTube. Responsável por 15% de toda a movimentação financeira do setor turístico, o viajante com esse perfil busca por destinos friendly e locais que têm um direcionamento claro, tratamento respeitoso e ações para proteção aos cidadãos LGBT residentes.

E o Brasil? Como fica nesse contexto? João Bueno, advogado especialista em Turismo e assessor jurídico de diversas associações setoriais, conversou com dois experts no assunto. Cassio Rodrigo, diretor de Educação em Direitos Humanos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, e Heloísa Gama Alves, especialista em Direito Constitucional e Direito Homoafetivo, falaram sobre os retrocessos em termos de políticas públicas voltadas às populações minorizadas no País.

Ainda que haja leis específicas – como o casamento homoafetivo e a categorização da homofobia como crime – a conclusão dos participantes é que o País ainda precisa avançar muito para galgar passos maiores na atração de turistas LGBTQIA+. “As leis são políticas forçadas pelo judiciário, não tem uma ‘assinatura’ do governo. Não é algo autêntico. Sem essa assinatura, fica parecendo fake news“, explica Cassio. Ele pontua que os destinos com tradição e reconhecidos como friendly têm, obrigatoriamente, adesão de órgãos oficiais de turismo do país, estado ou município.

Ele cita Montreal (Canadá), Tel Aviv (Israel), Argentina e Colômbia como exemplos bem sucedidos no segmento e nos quais as políticas claras de proteção aos direitos da população LGBT local resultaram em uma captação maior de turistas mundo afora. “O Ministério do Turismo de Israel faz promoção para o turista brasileiro, é um investimento oficial. A Colômbia realiza um trabalho de sensibilização com a polícia em termos de acolhimento. Tudo perpassa pela garantia de direitos”, detalha.

Heloísa citou o exemplo de São Paulo, que vai na contramão do cenário nacional, como exemplo de esforços locais. “A cidade sedia a maior parada do orgulho do mundo, tem o mercado desenvolvido”, destaca. Outros exemplos de destinos acolhedores no País citados pelos painelistas foram Recife (PE), Fortaleza (CE) e o Rio de Janeiro antes da atual administração municipal.

“É uma burrice tremenda não fomentar o turismo LGBT no Brasil. Turismo traz dividendos, existe uma parcela dessa população que gosta de consumir. Traz dinheiro para a localidade. Espero que no pós-pandemia possamos pensar em estratégias para dialogar com municípios onde os viajantes LGBTs sejam bem-recebidos. E a gente também tem de exercer nosso papel de dialogar com o poder público, mas também se engajar como cidadãos”, defende.

À frente do tempo

“Eu acredito que estamos todos aqui para deixar o mundo melhor do que encontramos.” É com essa frase que Richard Gray, vice-presidente sênior de Diversidade, Equidade e Inclusão do Greater Fort Lauderdale CVB, iniciou o workshop que destaca as novidades do destino mais diverso dos EUA. Ele explica que as iniciativas para desenvolver esse mercado começaram em 1996 e foram evoluindo, conforme a coragem e a confiança no trabalho crescia.

O executivo explica as iniciativas criadas para combater a covid-19, detalha as fases do plano de recuperação do destino e ressalta as novidades para os próximos meses, que incluem a abertura de dois hotéis nos próximos dois meses, e a conclusão da primeira etapa da construção do novo centro de convenções. Para mostrar que está realmente à frente do tempo, Fort Lauderdale incluiu as cores preta e marrom entre as cores da nova campanha.

“Somos o primeiro DMO a adicionar essas cores à bandeira; o marrom e o preto mostram nosso compromisso e a campanha inclui pessoas trans, não binárias, deficientes, lésbicas, negros e gays. É algo realmente histórico. Nos dedicamos a ser destino onde todas as pessoas são bem-vindas, independentemente de cor, tamanho corporal, raça, religião, orientação sexual, deficiência”, diz.

Gray acredita que a visibilidade gera consciência que, por sua vez, resulta na aceitação e no fim da discriminação. “Damos as boas-vindas a todos aqueles que compartilham de nossa cultura de aceitação”, finaliza.

Muito além do tango

Pablo de Luca, presidente da câmara LGBT argentina, fez um rápido tour pelas seis regiões turísticas argentinas para destacar os atrativos do país para viajantes da comunidade. Nossos vizinhos tratam o assunto como política de estado e realizam um trabalho coordenado, dentro do Instituto de Promoção Turística (Inprotur), tanto na sensibilização do trade quanto na promoção internacional.

Além de Buenos Aires – que tem um apelo forte com a comunidade e realizará, em agosto do ano que vem, os LGBT Games -, ele destacou destinos como Entre Rios, famoso por festas em termas; Corrientes, que é conhecida pelo torneio nacional pela inclusão; Misiones que é muito procurada por famílias LGBT; Jujuy que é um dos locais mais visitados por LGBTs brasileiros; Ushuaia que é porta de entrada para a Antártida e vem sendo muito procurada para experiências autênticas; e Tucumán, com seus sítios arqueológicos e que vem iniciando um trabalho de atração de viajantes da comunidade.

Assista agora!

Agenda da semana

Com conteúdo programado para a semana toda, o Fórum de Turismo LGBT do Brasil segue com inscrições abertas, diretamente no portal. O evento tem patrocínios da R1 Soluções Audiovisuais, Hotel Pullman Vila Olímpia, Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, ProColombia, Greater Miami Convention & Visitors Bureau, Hertz Rent a Car e CC Hotels, entre outros, além do apoio institucional da Associação Internacional de Turismo LGBT (IGLTA ) e da Abav São Paulo.

Amanhã, às 9h, será iniciada a transmissão do painel de encerramento do evento, focado em destacar o trabalho de marcas com propósito social, com a participação de Antonietta Varlese, vice-presidente sênior de Comunicação e Relações Institucionais da Accor na América Latina; Rodrigo Santini, líder de Marca e Missão Social da Ben & Jerry’s Brasil e Luanny Faustino, consultora da CKZ Diversidade. Em seguida, Dan Rios, diretor da divisão LGBTQIA+ do Greater Miami Convention & Visitors Bureau destaca a oferta do destino e a campanha focada em aventuras ao ar livre.

Deixe uma resposta