Conduzindo o turismo sustentável

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Por Cássio Garkalns e Velma Gregório

Para ganharem reconhecimento e consistência, os temas com impacto e influência globais precisam passar por um amplo processo de debate, engajamento, detalhamento, e serem tratados de tal forma que possam engajar diversos setores e níveis da sociedade mundial. Isso leva tempo, e é o que vem acontecendo com o turismo sustentável.

Aparecendo de forma crescente na pauta global desde o final dos anos 1990, o turismo sustentável vem ganhando espaços importantes, como a realização do World Tourism Forum for Peace and Sustainable Development (2004-2009), a geração do documento “O Futuro que Queremos”, da Conferência das Nações Unidas pelo Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, e a sua inclusão nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), acordados em Paris durante a Conferência do Clima realizada em 2017.

Além disso, nos últimos dez anos, o tema recebeu apoio do G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo para enfrentar os desafios econômicos globais, e foi destacado como vetor de mudança para a Economia Verde pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Neste mesmo período, houve avanços da tecnologia e dos transportes, a globalização dos serviços, o reconhecimento da importância de ter mais tempo para o lazer, entre outros fatores críticos que estimularam o aumento do número de viajantes. Atualmente, mais de 1,3 bilhão de pessoas se deslocam anualmente pelo mundo, aquecendo a economia e estimulando grandes e pequenos negócios por todo o globo.

Porém, ainda há muito a avançar para que a chamada mundial pelo desenvolvimento sustentável passe dos planos para algo concreto e amplamente incorporado. Não é mais uma questão de o quê ou quando fazer, mas de como fazer e dar escala.

Não estamos falando apenas de mudanças na forma de ofertar os produtos e serviços turísticos. Também há um longo caminho a ser percorrido para que os turistas consumidores passem a entender melhor a importância do seu próprio comportamento para contribuir com a causa da sustentabilidade.

Isso inclui desde ações materializadas em princípios simples como redução do uso de papeis na impressão desnecessária de vouchers e tíquetes (que podem ser praticamente eliminados com o uso de aplicativos nos celulares), a temas mais amplos e complexos, como combate à prostituição infantil, estímulo ao desenvolvimento de cadeias produtivas locais e redução de consumo energético.

Essa natureza transversal e os múltiplos elos com os outros setores econômicos também posicionam o turismo sustentável como um eficiente e importante multiplicador nas estratégias de desenvolvimento dos territórios. Cada vez mais países adotam o turismo como setor prioritário para combater a pobreza, estimular a inclusão social, valorizar a cultura, aquecer e diversificar a economia. O que falta, muitas vezes, é a informação de fácil entendimento para estimular a adoção das boas práticas onde o turismo acontece: nos meios de hospedagens, restaurantes, meios de transporte, atrativos.

E é por isso que temos o prazer de anunciar que passaremos a ampliar a geração e a divulgação de conteúdos que possam apoiar o mercado a entender e incorporar os conceitos e práticas do turismo sustentável. A mudança do nome desta coluna para Via Sustentável simboliza esse movimento e a cria uma conexão com a plataforma de mesmo nome que a Editora Via lançou no final de setembro de 2018 (www.viasustentavel.com.br).

Nós, os colunistas que assinamos juntos nesta edição, vamos nos revezar na produção deste espaço mensal e para oferecer ainda mais ideias e propostas de ação na plataforma online. Este é um convite para construirmos, juntos, um ambiente dinâmico, democrático, e rico de informações para termos um turismo mais sustentável.

Sejamos a via de transformação para o mundo que queremos. Vamos agir sustentável!

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