Gigante pela própria natureza: conheça os atrativos do Mato Grosso

Com fauna e flora diversa, o Mato Grosso imerge o turista em experiências ímpares

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Chapada dos Guimarães
As trilhas dos Parque da Chapada contém vários mirantes com vista para os paredões de arenito. Foto: Ana Azevedo

Se a ideia do seu cliente é se desconectar do mundo exterior e se conectar com a natureza, o Mato Grosso é uma boa dica de destino para ele. Com fauna e flora diversa, o estado imerge o turista em experiências ímpares. A convite do Sebrae MT, o Brasilturis viajou para conhecer dois biomas do estado: Cerrado e Pantanal Norte.

A iniciativa é parte das ações do programa Investe Turismo, criado em parceria com o Ministério do Turismo, Sebrae, Embratur e Governo do Mato Grosso para alavancar a economia local e desenvolver os equipamentos turísticos. O projeto contempla a rota Pantanal Norte – Chapada dos Guimarães, envolvendo cinco municípios: Cuiabá, Chapada, Nobres, Poconé e Cárceres.

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O objetivo é mostrar o Brasil para brasileiros e incentivar o ecoturismo, provando que dá para aproveitar a natureza e preservá-la. “Nossa âncora é o Pantanal por conta do posicionamento internacional. Em paralelo, a gente desenvolve também a Chapada dos Guimarães e Nobres, já que os três destinos ficam localizados em um raio de 150 quilômetros”, ressalta Marisbeth Gonçalves, gestora do Projeto de Turismo do Sebrae-MT.

A viagem começa pelo Pantanal Norte. Depois de aterrissar no Aeroporto Internacional de Várzea Grande – Marechal Rondon, seguimos em direção à pousada Rio Claro, nosso ponto de apoio em Poconé. O trajeto de 141 quilômetros é realizado em duas horas pela rodovia Transpantaneira e nos leva para contemplar o pôr do sol em um passeio de barco pelo que tem o mesmo nome do município.
Mato Grosso

PANTANAL

Chegamos muito próximo ao fim do dia e fomos direto para as margens do rio Poconé. Prontamente, nos organizamos na pequena embarcação e partimos rio adentro. Não demorou muito até estarmos completamente inertes frente à paisagem, com o rio refletindo a vegetação de sua margem como um espelho e o clima agradável com direito a pássaros em revoada, cantando de um lado para o outro em busca de uma árvore para descansar. Diante da calmaria, a luz se esvaindo nos faz perceber as silhuetas e o dourado que surge no limite do dia.

Para nossa surpresa, o barco para nesse momento. O capitão anuncia que muito próximo dali há um jacaré. Ele prende um peixe na vara e o coloca perto da água. Em questão de segundos, vemos o enorme animal saltar e consumir o alimento. Satisfeito, o jacaré retorna ao rio e se afasta da embarcação. Após mais alguns minutos de contemplação, um gavião começa a nos sobrevoar. Novamente o comandante seleciona um peixe para, desta vez, jogá-lo para longe. O gavião rasga o céu e finca suas garras na presa, ainda no ar, antes de partir. A ação acontece numa velocidade e intensidade indescritíveis, seguindo o ritmo da natureza selvagem.

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No dia seguinte, quem dita o ritmo é a onça pintada. O grupo desperta cedo e parte às quatro horas da manhã para tentar avistar o animal em Porto Jofre. A van percorre 104 quilômetros em um trajeto de três horas pela Transpantaneira até Porto Jofre. O tempo passa rápido, já que no decorrer do caminho é possível avistar jacarés nas margens dos rios e no meio dos campos ainda cheios d’água, além de diferentes espécies de aves saindo de seus ninhos.

Por volta das oito da manhã, chegamos ao Hotel Pantanal Norte, local de pernoite na cidade. O cronograma apertado não nos permitia demorar, então fomos direto para o barco. Àquela altura, o sol brilhava intensamente e, ainda assim, estávamos agasalhados, devido ao vento que o barco em alta velocidade produzia. Água, repelente de insetos e protetor solar são itens indispensáveis para o roteiro.

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Muito tempo se passou desde a nossa saída, além de pássaros de diferentes espécies, incluindo o Tuiuiú, símbolo do Pantanal. Mas ainda não tínhamos conseguido ver a famosa onça pintada. Paciência é um item requerido dos viajantes apaixonados por ecoturismo e observação da fauna livre. Quando já estávamos desacreditados, um movimento próximo à margem nos chamou a atenção. Em silêncio e atentos, observamos a silhueta de uma pelagem dourada caminhar entre as árvores. Eram duas onças que passeavam próximas de nós e a aparição, ainda que efêmera, foi o suficiente para deixar todo o grupo estarrecido.

O caminho de quatro horas de volta a Poconé foi acompanhado por jacarés – tanto na margem do rio, quanto tomando sol nos bancos de areia -, araras, tucanos e calangos nos topos das árvores. Uma parada estratégica para o almoço, almoço marcado pela tradicional farofa de banana da terra, nos deu forças para encarar mais 138 quilômetros até a pousada Piuval. Ali começa o último atrativo do itinerário do grupo no Pantanal: uma cavalgada ao pôr do sol, atividade realizada com conforto e segurança.

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O sol caía e nós cavalgávamos pela mata fechada em direção a um mirante de 15 metros de altura. O contraste causado pela ausência de luz e a combinação de tons laranja e azul no céu formavam uma paleta única. A vista é estonteante. Retornamos pelos campos cheios, chegando a passar por trechos em que a água se aproximava do pescoço do cavalo. Seguimos por quilômetros sem luz, avistando apenas os vaga-lumes que nos rodeavam. A Via Láctea brilhava intensa e mais estrelas despontavam a cada minuto.

Duas horas depois, já na pousada, conhecemos os Mascarados. A manifestação cultural é tradicionalmente pantaneira e tem origem misteriosa. A dança consiste em homens vestindo máscaras e roupas de mulher, movidos pelo ritmo que tem influência indígena, europeia e africana.

CHAPADA DOS GUIMARÃES

 De volta à estrada, saímos de Poconé rumo ao Balneário da Salgadeira, na Chapada dos Guimarães. Os 165 quilômetros que separam os atrativos são ressaltados pela transição da vegetação do Pantanal para o Cerrado, que deixam aparente o clima seco. Fechado por oito anos, o Balneário reabriu em junho de 2018, após a formalização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado entre o Governo de Mato Grosso e o Ministério Púbico Estadual. O investimento no valor de R$ 12,6 milhões veio de três Secretarias – Cidades, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico.

A reabertura do complexo permite que o turista tome banho gratuitamente na cachoeira e desfrute da estrutura de turismo, que conta com restaurante, playground, um pequeno auditório, loja de souvenir, banheiros e um minimuseu. Pensando em diminuir o impacto ambiental, 540 metros de trilha metálica foram criados, além de um mirante para aqueles que desejam apenas admirar a cachoeira ou fazer fotos.

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Próximo de lá, conhecemos o restaurante e mirante Morro dos Ventos, estabelecimento que serve as refeições 800m acima do nível do mar. A localização é perfeita para apreciar os paredões de arenito que compõe a chapada e o cardápio insere o viajante na cultura regional. As receitas são elaboradas com pratos típicos cuiabanos, como a galinhada, que acompanha farofa de banana; o peixe de água doce e a costelinha de porco com arroz.

A paisagem muda mais uma vez quando se chega à Cidade de Pedra. Com acompanhamento obrigatório de um guia de turismo credenciado, é possível conhecer as formações rochosas degradadas pelo vento e pela chuva que se assemelham a ruínas de uma construção e avistar as araras vermelhas que fazem seus ninhos nos paredões de arenito. O atrativo, sob administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), fica dentro do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, Patrimônio Mundial da Humanidade reconhecido pela Unesco.

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A trilha de 300 metros contém trechos íngremes, estreitos e escorregadios, por conta do solo arenoso. A vegetação rasteira, conhecida como o Cerrado anão, é muito parecida com a savana africana. Cerca de 350 metros abaixo do topo, podemos ver a Crista do Galo no Vale do Rio Claro, com vegetação mais densa margeando os rios, a cidade de Cuiabá à frente e o Morro de São Jerônimo à esquerda. Terminamos o dia no único mirante com vista completa para Cuiabá. Do Morro dos Ventos, dá para ver o sol ir embora e a baixada cuiabana se acender. O local possui um deque com cadeiras e mesas, além de bar e restaurante.

De volta ao parque da Chapada, no dia seguinte, fomos conhecer o circuito das cachoeiras. O acesso pela sede administrativa é permitido apenas para viajantes munidos de um voucher de autorização e acompanhados por guias de turismo credenciados. De lá, são três quilômetros de carro até uma estrada não pavimentada que fica próxima à entrada da trilha. O percurso de oito quilômetros (considerando ida e volta) exige preparo físico, com dificuldade que varia de leve a moderada, de acordo com o trecho.

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As descidas abruptas e a vegetação imponente formam mirantes com vista para os paredões da Chapada, com destaque para as formações batizadas como Furnas e Ponta Grossa. O guia informa que, há 500 milhões de anos, todo o local estava coberto de gelo, o derretimento aconteceu 200 milhões de anos depois, transformando o local em um mar que, em seguida, secou e virou um deserto. Hoje, a maior planície do país abriga o vestígio fóssil dessas transformações radicais e mais de 400 espécies de aves, além dos mamíferos como tamanduá-bandeira, macaco-da-noite, lobo-guará, quati, anta, onça-parda e jupará.

Após 40 minutos de trilha, chegamos à cachoeira das Andorinhas. A queda d’água de 18 metros serve de proteção para a espécie que monta seus ninhos no rochedo durante o período de reprodução. Depois de uma pausa para se refrescar na água fria, o grupo segue para a cachoeira da Prainha, com estrutura mais plana. Cada uma tem sua particularidade, o que enriquece o circuito. Subindo o rio está a cachoeira do Degrau, com uma hidromassagem natural, um pouco adiante fica a cachoeira do Pulo, com uma queda de 3,5 metros entre as pedras. Há, ainda, diversas piscinas naturais e a cachoeira Sete de Setembro, todas com águas cristalinas e baixas temperaturas.

O encerramento acontece na cachoeira Véu de Noiva, símbolo do parque. Entre os paredões avermelhados, a queda de 86 metros é formada pelo rio Coxipó e, diferente dos outros pontos, tem trilha autoguiada. Um mirante com grades de proteção, além de fácil acesso ao restaurante do parque, permite o acesso exclusivo àqueles que não pretendem cumprir todo o circuito.

NOBRES

Mais uma vez é preciso partir bem cedo. Nas primeiras horas da manhã, o grupo inicia o trajeto de 168 quilômetros até o município de Nobres para chegar com tempo para curtir a flutuação com snorkel na cachoeira Serra Azul. Para avistar a queda de 50 metros de água cristalina, é preciso subir 435 degraus estreitos e íngremes. No meio do caminho é possível ver a tirolesa de 50 metros de altura e 700 metros de comprimento que, mais tarde, serve de transporte de volta para a planície – a uma velocidade de 60km/h, o trajeto leva apenas 40 segundos.

A permanência no atrativo tem limite de horário e quantidade de pessoas, além de ser permitida unicamente com a apresentação do voucher que pode ser adquirido nas agências de turismo regionais credenciadas (leia mais no box). Além da tirolesa, o banho na cachoeira, as atividades de arvorismo e o cicloturismo são administrados pelo Sesc Serra Azul, antiga fazenda de 5,7 mil  hectares que hoje é uma reserva ambiental.

Em sua extensão, os técnicos catalogaram 101 cavernas, sendo que cinco delas poderão ser abertas ao público. Atividades de cavalgada, trilha educacional para crianças, boia-cross, balonismo e off-road 4×4 estão entre os planos para atividades futuras no local. Segundo os funcionários, o território é lar de onças-pardas e negras, porcos-queixada, macacos-prego, antas e capivaras. Jacarés e tatus-peba também são avistados com frequência, além de cobras, araras e tucanos.

Mato Grosso

Perto do fim do dia e de volta à Vila Bom Jardim, a dica é o passeio de quadriciclo até a Lagoa das Araras. No treinamento, os condutores dão dicas para manejar os equipamentos e orientam a navegação pela estrada de barro, cortando campos de criação de gado. Além de avistar araras azuis e amarelas, o local concentra uma infinidade de papagaios e periquitos selvagens.  O cenário pantanoso é arborizado com buritis, outra característica da transição entre o Cerrado e a vegetação da Amazônia mato-grossense. Nas copas das árvores, as araras estabelecem seus ninhos e ao final do dia é possível observar uma grande quantidade retornando para descansar.

Bem próximo à pousada fica um restaurante famoso e querido, tanto pelos locais quanto por turistas. A recepção calorosa é feita pelo Chapolin, chef e proprietário do estabelecimento que acolhe a todos com uma frase característica: “Sejam bem-vindos! Se quiser beber alguma coisa, o garçom está no freezer.” A política do local é baseada na confiança, honestidade e educação, já que não há garçom ou caixa para fazer cobrança. O cliente entra, se serve, contabiliza o consumo, efetua o pagamento na caixinha de madeira e, se necessário, pega o troco ali mesmo.

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O último dia começa com a visita à pousada e restaurante Reino Encantado, ponto de parada para que o grupo se equipe para a flutuação no Aquário Encantado. De caminhonete, chega-se ao complexo de ressurgências que abriga a nascente do Rio Salobra e é lá que os visitantes recebem as orientações para o passeio ecológico de snorkel – como não encostar os pés no solo, nem usar cremes de qualquer tipo ou protetores solares.

A flutuação acontece com colete salva-vidas e botas de neoprene em um trecho de 800 metros em meio à mata fechada que alterna trechos rasos e outros com até seis metros de profundidade. Peixes como as piraputangas, piavas, curimbatá, arraias e dourados acompanham os turistas durante o trajeto que dura cerca de duas horas. Em alguns pontos estratégicos, o guia de turismo explica as características da flora e da fauna regional.

A aventura continua no boia cross pelo Duto do Quebó, atrativo que fica a 45 minutos de carro do Reino Encantado. Deitados na boia, os viajantes são carregados pela correnteza por 1.800 metros, com direito a adentrar uma caverna de 280 metros repleta de estalactites e morcegos. A entrada só é permitida com o uso de equipamento de segurança e pode ser feita por turistas a partir de cinco anos de idade.

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Encerramos o roteiro no complexo turístico Akaiá, localizado na comunidade Coqueiral, em Nobres, a 151 quilômetros de Cuiabá. É lá que fica a trilha do megafone, rota que recebeu esse nome por conter uma réplica gigante do instrumento que amplia os sons da natureza. Inspirada na ideia que surgiu na Estônia, o megafone gigante acomoda seis pessoas em seu interior e nos permite ouvir sons que são imperceptíveis fora dele.

Antes iniciar a trilha, além de reforçar o repelente, a instrução é se equipar com perneiras para proteger contra as cobras que vivem na região. Além do megafone natural, a trilha de 1.700 metros contém outros pontos de contemplação como o balanço, que fica próximo a uma praça com placas de incentivo e o mirante. Chegar ao ponto mais alto do trajeto permite contemplar o sol se pôr entre revoadas de araras.

Sem dúvidas, o Mato Grosso possui atrativos para turistas de todos os perfis, especialmente os apaixonados por contemplação e atividades de aventura. A imersão na natureza na totalidade dos roteiros faz com que o viajante se esqueça do mundo tecnológico. A não ser, é claro, para registar as belas paisagens e experiências exclusivas que o destino proporciona.

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