CTI Nordeste debate integração dos estados no turismo da região

Por: Antonio Euryco

A reunião prometida pela direção da CTI Nordeste para debater amelhoria do turismo na região foi realizada nesta terça (10), na sede da Sudene, Cidade Universitária, zona oeste do Recife.  Secretários e representantes dos organismos dos nove estados estiveram participando.

 

A Idéia defendida por todos é a de que o turista deve ser atraído para o Nordeste. E isso não significa apenas propagandas  e publicidades mostrando os pontos mais visitados. Ao contrário, o problema é estrutural. Por isso, melhorias para o sistema de transportes foram discutidas, tendo como base a malha aérea onde é preciso melhorar a cobertura. .

 

O transporte aéreo de passageiros entre os estados do Nordeste  é um dos maiores gargalos enfrentados pelo turismo na região e, para buscar soluções a  reunião contou com a presença do superintendente da Sudene, Luiz Gonzaga Paes Landim; da presidente da CTI-NE, Danielle Novis; do secretário executivo da CTI-NE, Roberto Pereira e de secretários de Turismo e representantes de cada um dos nove estados nordestinos. Na pauta do encontro, além da malha aérea precária,  entraram as questões dastarifas aeroportuárias, qualificação da mão-de-obra local, estratégias para promoção dos destinos nordestinos e incentivos fiscais, por exemplo.

 

Para a presidente da CTI-NE e também secretária de Turismo de Alagoas, Danielle Novis, a questão do acesso é primordial. “Não fazemos turismo sem ter acesso, seja ele terrestre ou aéreo. A CTI-NE e a Sudene entendem que esse momento é um marco por conta desse encontro de interesses entre as duas instituições que vão em busca de soluções como incentivos aeroportuários e desoneração tributária para as empresas aéreas”, reforça.

 

A questão da malha aérea deficiente encabeça as discussões e, para combater questões como a falta de infraestrutura dos aeroportos, os poucos horários de voos entre as cidades nordestinas, preços elevados das passagens e muitos voos com escalas e conexões, a CTI-NE e a Sudene estão elaborando um projeto para ser apresentado às companhias aéreas que operam no Nordeste, como a Azul e Trip, que anunciaram recentemente a fusão de suas operações. O documento vai propor ações como a redução do ICMS para combustível que, na Bahia, já é uma realidade.

 

No estado baiano, desde novembro de 2010, o incentivo fiscal incentivou a criação de novos trechos pelas companhias. As empresas que operam com aviões com capacidade para até 120 pessoas e com rotas para o interior recebem o incentivo. “A mobilidade no Nordeste é muito difícil. Para ir do Piauí para o Maranhão, por exemplo, os voos passam por Salvador. Com a redução do imposto conseguimos alavancar o turismo na Bahia em cidades como Barreiras, Vitória da Conquista, Paulo Afonso e Juazeiro. Encurtar as distâncias aumenta o fluxo turístico e desenvolve as cidades menores”, diz o diretor de Relações Nacionais da Bahiatursa, Fernando Ferrero.

 

Essa é também a proposta do secretário de Turismo de Pernambuco, Alberto Feitosa. Para ele, a região precisa investir em aeroportos de menor porte. “A gente precisa acabar com essa ideia de que cada capital do Nordeste precisa ter um aeroporto internacional. Três ou quatro são suficientes para distribuir os passageiros em aeronaves menores para aeroportos nacionais, ligando cidades menores”, explica. O secretário da CTI-NE, Roberto Pereira, lembra também que ações como essa vão estimular ainda mais o turismo interestadual. “Pelas nossas pesquisas percebemos que o Nordeste viaja muito dentro do Nordeste. Desenvolver essa malha significa também estimular esse turismo. Precisamos ainda ampliar o relacionamento com nossos maiores emissores que estão no Sudeste”, fala o secretário.

 

O secretário pernambucano, Alberto Feitosa, defende a regionalização da malha aérea com um novo marco regulatório. Para ele, as companhias não devem pensar somente em oferecer os seus serviços com aeronaves de grande porte, como os Boeings. De acordo com o secretário, o transporte deve ser feito através de aviões menores, que possam pousar em pequenos aeroportos que ficam no interior, como o de Mossoró, no Rio Grande do Norte. “Os grandes aeroportos internacionais poderiam estar ligados aos outros através desses voos”, disse, completando o entendimento para viagens mais rápidas e baratas.

 

 Segundo ele, a empresa NoAr desenvolvia um projeto de sucesso na área, realizando viagens com poucos passageiros interligando cidades nordestinas. No entanto, no dia 13 de julho de 2011,  um acidente fatal vitimou 16 passageiros de um voo entre Recife e Mossoró e a companhia  deixou de voar.

 

A questão de relacionamentos com a política do governo federal através do Mtur e da Embratur também mereceu consideração especial durante a reunião.

 

Mesmo com as particularidades de cada estado, existem problemas comuns, como a malha aérea, tão discutida, a qualificação profissional e o marketing regional. “Temos entraves que vão desde a estrutura até a arrecadação de tributos. O custo mais alto no setor de hotelaria, por exemplo, é o pagamento dos impostos de energia , que poderiam ser diminuídos com a integração”, afirmou ainda secretária de Turismo de Alagoas e presidente da Comissão de Turismo Integrado do Nordeste (CTI Nordeste), Danielle Novis.

 

Dentro de duas semanas uma nova reunião já está convocada e será também na capital pernambucana. O modelo baiano para a melhoria da integração regional será analisado  pelas secretarias de Turismo e da Fazenda de cada estado, além do contato com as companhias aéreas, possibilitando acordos futuros.

 

AE

 

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