A culpa não é da ABAV

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Há tempos que todos os setores do turismo vêm pedindo mudanças com relação às feiras. A queda no número de expositores e visitantes era espantosa e não faltou quem pedisse o fim dos eventos, que se mostravam sem sentido.  A Reed e a ABAV, em um exercício de humildade e inteligência,  ouviram os clientes e demais especialistas e buscaram oferecer soluções adaptadas às necessidades dos novos tempos. Algo que Marta Rossi já percebera e trouxera para sua excepcional Festuris.

A última edição da Equipotel trouxe muito conteúdo relevante e também empresas interessadas efetivamente em fazer negócios. Por sua vez, a ABAV se mostrou atenta às novas tendências e seja através da excelente programação da Vila do Saber, seja através da estrutura apresentada e das ilhas temáticas, trouxe vigor e esperança ao mercado.

O problema foram os expositores. Sim, aqueles que se queixavam das edições anteriores, e também dos visitantes. Vamos aos últimos. A programação de palestras da Vila do Saber era de qualidade inquestionável e, apesar disso e das 7 mil pessoas que participaram no total, nem todas as salas estavam cheias. Posso escrever sem nenhuma mágoa porque a que ministrei estava com a sala repleta e com lista de espera, mas outras não tinham nem metade da audiência. Certamente não era por conta do tema nem do palestrante. Era falta de interesse mesmo, inclusive de alunos de turismo que preferiam ficar tirando foto com personagens que alguns destinos trouxeram para seus estandes, em vez de ouvir especialistas.

Já muitos expositores não sabiam exatamente o que estavam fazendo na feira. Um evento como a WTM Latin America, a Festuris, a ILTM e a ABAV são o mesmo que as semanas de moda são para a indústria têxtil. Oportunidade de fazer networking mas também de apresentar lançamentos, novidades e ofertas.

O FOHB foi muito inteligente e reuniu seus associados em uma única ilha. Facilitou, e muito, quem queria negociar com as redes hoteleiras. Mas, ao que parece, nem todas as cadeias estavam lá para fechar contratos,   apenas marcar presença.

Lamentável a ausência de destinos. Sobretudo em um momento em que a promoção se faz imprescindível. Ora, não é possível que eles próprios não tenham novidades para as férias de verão, Carnaval e o próximo ano.

Trabalhei em uma companhia aérea, em um destino e uma rede hoteleira. Todas líderes de mercado. Os eventos, ao menos na minha época,  eram tratados em conjunto pela área de marketing, comunicação e vendas porque a empresa precisava se mostrar firme para o mercado e gerar negócios.

Sim, se a feira não trouxe resultados para seu negócio, a culpa não foi da ABAV. Foi da áerea comercial de sua empresa que não se preparou e tampouco entendeu os novos tempos. Isso precisa ser bem avaliado, porque já não dá mais pra jogar o fracasso em cima do outro.

 

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